Estar no Orpheum Theater novamente era extasiante. Localizado no centro de Los Angeles, era um daqueles lugares que parecia congelado no tempo. Com seu letreiro luminoso, chamando atenção dos transeuntes, destacava-se entre a vida urbana que seguia seu curso, inalterada. Não era novo e muito menos tecnológico como o Walt Disney Concert Hall, mas guardava uma beleza genuína e insubstituível. Apesar de ser um marco da década de 1920 e desde então ter recebido inúmeras peças, concertos, shows, festivais e sets de filmagem, para Quinn ele representava o pano de fundo de memórias próprias. Sete anos atrás, ela havia tido a oportunidade de se apresentar neste palco, com o grupo de teatro do qual fazia parte. Na época, ela não passava de uma atriz novata e cheia de sonhos. Foi quando conheceu sua maior inspiração: Estela Ambrose. Apesar de a estrela já estar semi-aposentada , ela concordara em receber o grupo de jovens atores em um dos locais mais consagrados de LA. Agora, muito tempo depois, estava de volta ao Orpheum com ninguém menos que @victzrias, filha da diva que havia se tornado uma de suas grandes amigas. Mesmo de longe, acompanhou o crescimento de Vic e tinha um grande carinho pela mais nova. Quando se mudou para Califórnia, um ano atrás, contou com o apoio de Estela e se aproximou de Victoria, que viria a ser uma de suas mais brilhantes estudantes. Por isso, quando descobriu que Kinky Boots, um dos espetáculos mais inovadores da contemporaneidade, estaria em cartaz neste teatro tão repleto de lembranças, Quinn não pensou duas vezes antes de convidar a jovem para assistir à peça com ela. Haviam cantado, rido e chorado com o enredo cheio de reviravoltas encantadoras, e agora passeavam pelo centro, comendo as tradicionais comidinhas de rua de LA. Enquanto dava uma mordida no taco vegetariano, Quinn ouvia a mais nova falar. Depois, comentou: ‘— Você reparou como os atores pareciam esquecer de que estavam no palco? Esse mergulho, esse deslocamento... É o que faz a diferença. Não é a toa que essa peça ganhou um Tony, um Emmy e um Grammy. — Assentiu e arregalou os olhos, fingindo uma careta de espanto. — Isso sem contar que a diva da Cyndi Lauper compôs as músicas, né? — Riu baixinho, olhando em volta e soltando um leve suspiro. — Esse lugar me traz tantas lembranças... Obrigada por ter me acompanhado nessa aventura nostálgica, Vicz.









