OS DRAGÕES DA SUBARUBA - PRÓLOGO
(Opening & Ending https://youtu.be/oDZXQr6YZFM?si=Ox36qTu6ix-b8sl8 )
As pétalas de cerejeira caíam com a força da brisa leve. O belo jardim estava bem cuidado, um pequeno lago decorando o cenário pacífico. Subaru olhava para o céu, sentindo o vento roçar seu rosto, seu coração tentando reencontrar alguém que se fora há pouco tempo. Ele fechou os olhos, querendo sentir as vibrações do local.
-... O que você deseja de mim agora? – Disse Subaru ao sentir a presença de Fuuma – Eu não tenho mais o menor interesse no futuro da terra. Ou em qualquer outra coisa.
- Eu sei. – Fuuma estava com sua expressão tranquila, um tanto indiferente aos olhos de Subaru.
- Então, porque ... - Subaru não terminou a frase. Fuuma apreciou o momento das pétalas de cerejeira sem ter pressa para responder. Após alguns minutos de silêncio, disse:
- Dizem que este jardim é mágico. Os dois tipos de flores que existem aqui estão desabrochando fora de época. As camélias e as cerejeiras. – Ele fez uma pausa – Realmente, dá para acreditar que esta é a casa que o Sakurazukamori nasceu? - Subaru se manteve em silêncio, fitando Fuuma.
- O seu desejo de ser morto pelo Sakurazukamori não foi atendido. Mas talvez o desejo do Sakurazukamori possa ser atendido. – Subaru estacou, sua expressão cheia de surpresa.
- Ele disse algo a você nesse sentido?
- Não - respondeu Fuuma, sem emoção alguma – Mas eu sei. Eu sei o que uma pessoa mais deseja. Eu sei qual o desejo mais intenso da pessoa. O seu olho direito deve saber disso melhor do que ninguém. – Fuuma apontava para o olho sem vida de Subaru, o mesmo olho que este desejou que fosse perfurado quando lutou contra aquele Kamui.
- Parece que o Sakurazukamori não gostava de ver esse seu olho direito – prosseguiu Fuuma – Ele não gostava de ver seu corpo marcado por ferimentos causados por uma pessoa que não fosse ele. O desejo do Sakurazukamori é tirar esse ferimento. – Fuuma retirou do sobretudo um objeto no formato de um cilindro de ouro, bem decorado e ornamentado. – Aqui dentro está o olho esquerdo do Sakurazukamori. Foi a única coisa dele que pude recuperar na Rainbow Bridge.
Subaru limitou-se a olhar fixamente para o cilindro.
- Usar este olho para apagar o ferimento causado em você por outra pessoa. Este é o desejo do Sakurazukamori.
- Ele... - Subaru sentiu o peso da dúvida ao pensar no que estava prestes a fazer. Até então, ele não tinha nada de Seishiro além de lembranças, enquanto Fuuma estava lhe dando um dos desejos dele. A guerra interior parecia ser mais difícil do que a exterior, e isso era um martírio que ele não desejava para ninguém.
- Talvez... – disse Fuuma, interrompendo os pensamentos de Subaru – eu faça a mesma coisa....
- Sim. – Fuuma fechou os olhos com certo pesar – E então? Vai aceitar ou vai jogar fora?
-... – Subaru pegou o cilindro, mesmo incerto da decisão.
- Tem certeza? - Fuuma olhou fixamente para ele - Se você aceitar, você também irá herdar junto o poder do Sakurazukamori. – Subaru pegou o olho de Seishiro como se fosse o único bem valioso em toda a face da terra.
Fuuma saiu da casa de Seishiro deixando Subaru sozinho, sem se despedir. Enquanto Subaru observava o cilindro, um portal dimensional se abriu atrás dele, revelando a imagem de um ser vindo das sombras.
- Vejo que conseguiu o olho.
- Já disse e repito: não tenho o menor interesse no futuro da terra – Subaru ainda estava de costas para o portal. – E muito menos em sua teoria. Não há como realizar o que me disse.
- Não é teoria, mas possibilidades. Não gostaria de rever o Sakurazukamori? Ou a sua irmã, Hokuto?
- Como sabe sobre a minha irmã? – Subaru virou-se para o portal, a imagem de um vulto negro e nebuloso emitindo aquela voz sinistra.
- Ah, Subaru! Sei muito mais sobre você do que imagina.... – o estranho vulto fez uma pausa, como se fosse confirmar algo antes de dar a resposta – E muito mais sobre o “destino” desta realidade em que vive. Se há poder para mudar o futuro, porque não o futuro que propus a você? – Subaru tentou identificar o vulto, porém, em vão. Era a segunda vez que ele aparecia, com a ideia estranha de realizar o real desejo das pessoas.
- Venha comigo e ouça a minha oferta. Se, mesmo depois você não aceitar, estará livre para fazer o que bem entender.
- Eu... – Subaru deu um suspiro triste, seu coração totalmente vazio, apertando o cilindro com o olho do Sakurazukamori com mais força. “ Não tenho mais nada a perder”, pensou ele ao olhar mais uma vez para o jardim da casa. Deu um passo à frente, e mais outro, enquanto o portal se expandia no mesmo tempo em que Subaru era tragado por ele.