Eu não esperava que as coisas mudassem tanto! Eu deveria, mas talvez, não quisesse acreditar que tudo mudaria novamente.
Porque a gente se acostuma, né?
Se acostuma a querer por perto quem nos faz bem e por se acostumar, não quer que nada mude, mesmo sabendo que para Heráclito o mundo está em constante movimento.
Mas terei que me acostumar, né?
Acostumar a não te ter mais em vista. Eu já estive ausente quando sua barba cresceu e sei que foi estranho não te zoar e te lembrar que você agora é “gente grande”.
Espero que ela te diga o quanto você está gatinho e o quanto você é importante para ela. Espero que ela te conheça bem à ponto de perceber quando você está mal e respeitar seu silêncio quando assim você quiser. Espero que ela troque açúcar por adoçante na alimentação e te dê doce quando sua glicemia cair e você ter calafrios! Eu espero te esquecer também, pois cresceu em mim a ausência de ti.
Isso também é se acostumar, né?
Acostumar com a ausência é ser livre de ti e vê que minha presença é importante para outro alguém.
Tenho consciência que se você estivesse no meu sofá, eu diria: “Que gatinho com esse projeto de barba, ein” e você responderia: “Eu sou lindo, Ana” e então eu retrucaria: “Autoestima é importante, Augusto”.
Será que tenho consciência disso mesmo?
Acho que mudamos e mudanças são necessárias! Me desculpe, Parmênides. Eu quero que Heráclito esteja certo, pelo menos dessa vez, tá?!
Talvez não tenha mais que ser assim.