E se um dia você abrisse os olhos e tudo que visse fosse o breu? Se a última música que tocou não era a sua favorita, nem ao menos uma das que você dedicaria a uma das sua garotas. E se apenas sua existência desaparecesse? Acha que seria bom? Posso explicar o contrário.
O mundo só é mundo por causa de seu jeito de lidar com tudo, como se precisasse sempre achar um jeito para consertar o coração alheio, ou tentar. O universo de uma pessoa seria afetado, eu não seria eu, suas irmãs não seriam tão unidas, seu pai se sentiria culpado pelo resto da vida... E seu padrasto? Ele remoiria todas as chances de tentar se aproximar desse ser humano incrível que só você é.
Pode chamar isso de sorte, mas ninguém gostaria da sua morte, pois a sua essência não há outra que substitua. Sei que estamos separados, sei que nunca vamos voltar a ser a nossa dupla sertaneja que canta pop brasileiro amadoramente, mas sei também a falta que você faria todos os dias.
Se você morrese antes mesmo de nos conhecermos, não aprenderia a amar a arte, minha vida não haveria sentido, eu já estaria acabada sem ter tido um refúgio, um único abraço que me fez morada 4 anos, mesmo que seja finita.
Se você tivesse morrido esse ano, talvez o sentido da vida fosse a perda para mim, remorso para quem não te deu oportunidade de tentar atingir seu potencial na guitarra, como músico. A indústria musical teria perdido um futuro guitarrista, ou apenas o garoto que dentre bilhões, era muito amado.
Por isso digo, sua morte mudaria tudo, não apenas a minha vida, como a de muitas e muitas pessoas que já passaram por sua vida e deixaram te deixaram escapar.
Mesmo você me ajudando uma escritora maluca, saiba que desejo de verdade a continuidade da sua vida, e quando você pensar em morrer, pense nesse texto (que tenho a esperança de chegar até você, pois o acaso sempre brincou comigo).
Se cuida e viva!!
(Ana Almeida, 17 de maio de 2020)














