Diferente do que se sonhou || POV
Era um período de paz raro no reino. Em todos os cantos as pessoas estavam bem, não havia ameaça nem rumores de guerra. Não havia fome em nenhum canto e até no Exílio as coisas se aquietaram. Dentro do Palácio na Capital de Oz, o Mágico estava debaixo de um pinheiro enfeitado com sua filha Isabelle de cinco ano no colo. Elphie estava ao lado de Jeff fazendo sinal para o esposo e a filha sorrirem para a foto. Glinda segurava o embrulho mais bonito e Fiyero se perguntava onde estava o seu presente. Era noite de Solstício de Inverno, e como parte do ritual todos trocavam presentes. Oscar estava pronto para entregar algo importante para a filha.
-- Eu tive muito trabalho pra achar, e adaptá-la pra você. Certamente é a mais bonita que eu já vi. -- ele disse entregando o embrulho. A criança estranhou ele ser pequeno, em sua mente os melhores presentes eram enormes, como os que a sua tia Glinda dava, assim que descobriu que o que pai tinha lhe dado era uma varinha, tentou esconder a decepção. Certamente era uma varinha linda, mas para a criança, inútil. -- Você não gostou? -- Oz perguntou franzindo o cenho e preocupado com a falta de animação da garota.
-- É que bruxas usam varinhas.
-- Mas você vai ser a maior bruxa que Oz um dia vai conhecer! Não é isso que você quer? -- O mágico perguntou com euforia.
Belle suspirou e fitou o pai. Aquilo era um "Não. Nunca fora". Toda a felicidade da casa se desfez juntamente com a expressão de Oscar que passava de surpresa para constrangimento, então para choque e extrema decepção. A própria criança notou o quanto aquilo magoou seu pai e ficou nervosa com o que tinha feito pensando ter sido má.
Glinda e Elphie se entreolharam sentindo o clima pesar. Elas se desculpavam por Oz que ainda estava petrificado no meio das fitas coloridas. Jeff preferiu parar de filmar e para quebrar o clima perguntou se estavam prontos para os biscoitos.
Durante o resto da madrugada o Mágico não conversou, ficou sozinho, não comeu, nem bebeu mais nada. Ignorou os presentes e ignorou a filha. Quando era quase de manhã Elphie estava com a garota em seus braços tentando fazê-la dormir quando Oz se aproximou devagar da porta do quarto.
-- Mãe, eu não quero que meu pai me odeie. -- ele reconheceu a voz da filha que dizia entre soluços -- Fala pra ele que eu vou ser uma bruxa sim, que eu só tava brincando, eu vou ser tudo que ele sonhou. Que ele pode me amar de novo.
O jeito que Belle falava o fez sentir-se estúpido, e muito pior do que já estava. "Você sempre teve tudo que sonhou Oz, um dia não vai poder mais controlar a vida. O destino não é mais um de seus espetáculos que você sabe bem os truques nos bastidores. Então se permita ser contrariado um pouco. Vai te fazer bem." E sua irmã sempre esteve certa. Antes que se desse conta, Oscar se descobriu abraçando a filha sentado ao lado da esposa na cama.
-- Eu quero muito que você seja uma grande bruxa... -- ele também chorava.
-- Eu vou ser, prometo.
-- Não, não prometa. Você vai ser diferente do que eu sempre quis... E eu nunca vou deixar de te amar por isso. Nunca.











