Estava sozinho ali, embora nunca confessasse se sentir solitário em algum momento. T'Challa havia se retirado antes mesmo do amanhecer, para iniciar o dia e lidar com burocracias após tantos dias de negligenciar o que deveria ser sua prioridade, por ele — e mesmo que pudesse reclamar sua ausência nunca o faria.
Permaneceu sentado com um pé sobre a cama, para apoiar o queixo enquanto assistia as notícias no monitor. Diversos levantes e tumultos em vários locais do mundo, fosse em protesto ou em apoio àquela relação, de civis e personalidades políticas que exigiam uma resposta, e em especial na Fronteira, onde sabia que haviam mais guerreiros agora. E era com essas decisões que, teimosamente, sabia que T'Challa lidava agora.
Embora concordasse com o rei quanto a questão da transparência. Seria pior se descobrissem tal segredo. Seria mais simples relacionarem-se sigilosamente, que fosse mero concubino ou cortesão, algo que poderia lidar sem problemas. O tratavam como um pet em alguns canais, e em outros como um influente terrorista militar e estratégico. Todavia aqueles eram humanos, de vidas breves e que se importavam, mais do que deveriam, com a vida privada das demais pessoas.
Esperou e esperou, até cansar-se e se surpreender com os passos, pouco antes do anoitecer, predizendo a porta que não demorou mais a abrir-se. Encontrado na mesma posição sem qualquer incômodo de quem deveria ter acendido a luz com o passar das horas. T'Challa então abriu as cortinas depois de desligar o televisor e lançar um olhar aos olhos tristes. O sol ainda era forte no lado de fora.
— Passou o dia aqui? — perguntou T'Challa. — Poderia ter saído do quarto.
— Aqui é mais confortável.
— Imagino — concordou ao olhar a bandeja da manhã com mais do que deveria para o horário. Sentou-se ao lado e puxou-o pelos ombros. — Lamento não ter podido acompanhar o seu dia…
— Reuniões humanas. Chatas e tediosas, aposto.
— Realmente — concordou. — E indispensáveis. O que acha de um jantar?
— Você viu os reportes desse comunicador? — questionou levantando-se.
— O noticiário? Vi, sim. E eles não importam.
— São o povo. O povo do seu povo. Os humanos — acusou.
— Shuri jurou que você estava bem. — Olhou novamente para a cômoda em que a bandeja repousava com a bebida intocada na jarra. — No entanto está passando fome quando tem tanta fartura disponível.
— Não seja ridículo — suspirou com a mente cansada. — Sou um deus. Não é como se eu fosse morrer de fome. Então não tem porque se preo…
— Me preocupo — garantiu de imediato. — E nem você ou eu podemos fazer muito quanto a isso — confessou. — Quando não está comendo por motivos tão evidentes não me preocupar ou ignorar é algo que está acima das minhas capacidades — esclareceu. — Pedirei sua comida favorita — promete —, se me disser qual é.
— Esta é uma boa refeição.
Desvencilhou-se dele pra servir-se de menos da metade do suco, até ter um pedaço de fruta colocado entre os lábios quando hesitou em pegar. Levou a bandeja para a cama disposto a fazê-lo terminá-la antes que fosse rejeitada por mais tempo, e pela pulseira de funções pediu mais sabendo que seria preparado o quanto antes.
Era um deus. Ridículo não ter o que queria.
Inclinou-se para o lado, saboreando a boca disponível a lhe dar o que buscava — esquecer a reação de todas as pessoas que imaginavam o que faziam. Deslizou a mão pela esquerda, depois de alcançar o cinto, esgueirando-se para dentro da calça. Alisou e passeou ali, antes de descer mais e alcançar o alvo que queria explorar.
Foi interrompido pelo movimento de esquiva. T'Challa retirou seu pulso dali antes de beijar as veias visíveis na palidez.
— Não é algo que me deixe confortável — esclareceu ao saber as intenções.
— Um virgem — suspirou na surpresa que não havia considerado.
— Já fez desse modo antes? — desafiou-o com um sorriso a meio palmo do rosto.
— Não — confessou quase constrangido —, porque não é algo que me atraia.
— Um virgem… Um humano virgem nas mãos desse pobre alienígena — sorriu mais, em expectativa. — Cuidarei bem de você — jurou ao beijá-lo com as mãos no cinto do rei.
— Será memorável! — prometeu.
— Loki — repetiu para ter atenção —, não vai acontecer — garantiu —, nessa vida ou na próxima.
Ridículo não ter o que queria. Era um deus.
— Então não confia em mim — frustrou-se Loki sem se mover. — Também não confia em mim — frisou ferino. Ferido. — Eu tomaria todos os cuidados para não o ferir — sugeriu na tentativa de que os olhos diante dos seus mudassem — E posso reduzir-me à um fio — insistiu.
— No entanto não é algo que me atraia ou excite — reafirmou.
Nem reis ou deuses podiam ter tudo o que queriam, suspirou. Não importasse de que mundo fossem...
T’Challa abraçou-o quando se afastou, beijando-o para amainar a frustração. Não precisariam fazer nada se ambos recusavam aquela troca. Usou a mão quando Loki conformou-se em não ter o que queria, sem demorar após aquela tensão acumulada. Ainda assim sem a mesma expectativa de antes.
O rei tomou-lhe a mão, hesitante, e puxou seus dedos para o peito ao notá-lo aborrecido sem o olhar.
— O dia ainda não encerrou para mim — falou sem saber como reagiria. — Uma das questões que eu realizava era uma coletiva que agendei para essa noite, e que será transmitida para o mundo.
— Então não teria jantar, de qualquer modo — percebeu.
— Jantaríamos depois, novamente — discordou. — Um pouco mais tarde.
— Não foi uma boa ideia, na última vez.
— Quero que venha comigo.
— Não foi uma boa ideia, na última vez — repetiu.
— É, eu sei. — Envolveu-lhe também com a outra mão. — Mas a coletiva tratará justamente desse caos que nós, humanos, fazemos mais vezes do que gostaríamos de admitir. Você não é um vilão, não é perigoso ou nocivo a esse planeta, e é o que direi.
— É um erro. Eu sou uma ameaça — respondeu ríspido.
— Sim, uma ameaça em potencial — concordou. — Mas não é uma ameaça real.
Queria correr e fugir, de um lugar onde não tinha o que queria, na hora que queria. Não estava habituado a esperar ou ter negado aquilo o que almejava — ao menos até pisar naquele planeta pela primeira vez… E estar ao lado do rei agora lhe parecia uma obrigação diante de tantas dificuldades. Talvez devesse correr e fugir, ainda que não fosse de sua natureza ousada aventurar-se antes de se desculpar com todos os que estivessem no seu caminho.
Prosseguiu do mesmo modo que na última reunião que o acompanhou, assistindo Shuri em seu lugar de honra ao lado de T’Challa diante do microfone, esperando que os ânimos se acalmassem apenas por estar visivelmente afastado do rei de Wakanda, no lugar de um cão fiel.
— Há uma séria oposição quanto ao relacionamento atual do Rei de Wakanda — falou quando o silêncio se sobrepôs aos resistentes. — Ou seja, a relação estabelecida entre Loki Laufeyson e eu, T’Challa Filho de T’Chaka. Afirmo que nenhum dos meus relacionamentos foram triviais ou fúteis, e não será diferente com o atual, que deveria pertencer apenas aos envolvidos.
“— E talvez por isso imaginem haver riscos — continuou —, como é erroneamente noticiado. No entanto afirmo que minha intenção é fundar uma união sólida e benéfica, não apenas para nós, mas também para o futuro deste mundo.
Estendeu a mão para trás, para a localização de Loki ainda que Shuri sussurrasse fora dos microfones. No entanto o convidado não deu qualquer passo em sua direção, sequer olhava à estranha apresentação, e mesmo com a sugestão das Dora Milaje não avançou.
— Loki — convocou T’Challa —, venha tomar o seu lugar de direito, por nossa escolha — pediu.
Atendeu ao pedido receoso, poderia causar uma crise maior se aceitasse, e outra se recusasse — ambas eram ideias ruins. Deu um passo à frente mantendo um ar surpreso e inocente ao mostrar-se pouco menos orgulhoso e em silêncio, tendo os dedos entrelaçados pelo sorridente parceiro.
Após mais algumas palavras, em resposta às contestações, deixaram-os para trás sem aviso. Na cobertura a nave lhes aguardava, e Loki tomou o assento do fundo deixando que os irmãos viajassem lado a lado. Atrás do rei poderia esconder-se dele.
Sua única palavra foi o pedido de que fosse deixado em terra tão logo ultrapassaram a fronteira, seria bom caminhar um pouco, um momento mais antes de estar confinado ao quarto. T’Challa concordou com um aceno, desembarcaria com ele, que parecia estar de mau-humor.
— Deveria ir com elas — censurou-o Loki. — Chegaria mais rápido.
— Preciso da sua agradável companhia — falou. — Preciso que me diga o que o incomoda.
— Nada me incomoda — mentiu, com os braços dentro das largas mangas e de olhos fechados quando obrigava o caminho à frente nivelar-se.
— Loki, seja honesto — pediu.
— Pergunto-me se meu irmão estava ocupado. — Moveu um ombro antes do outro, incomodado com o assunto, e continuou. — Ou a Danvers? Então sou seu mascote de entretenimento até que surja alguma ameaça ao seu reino ou ao mundo? Colocou outra coleira em mim, como um cão de guarda — sugeriu irritado. — Talvez eu deva usar um sino.
— Como posso convencê-lo que o amo? — suspirou T’Challa. — Você é um deus, como um deus pode precisar de um rei? É você quem me detém… — afirmou. — Como eu poderia te manipular, ou ir contra a sua vontade? Eu ainda… Ainda me impressiona o que consegue fazer, com tanta agilidade — elogiou-o.
— O que sabe do que posso ou não fazer? — desafiou-o.
Eram todas palavras certas colocadas do modo errado. Ainda assim corretas.
Mostrou-lhe, com uma sutil mudança da brisa na vegetação rasteira. Não demorou para que sua capa longa e a roupa de T’Challa também se sacudissem, e lançou-o ao ar antes de também flutuar, de pé diferente do outro que tinha um sério pedido a fazer: — Não me deixe cair — falou hesitante —, ainda não temos herdeiros — advertiu.
— Não temos? — questionou surpreso.
— Um dia — garantiu ainda observando a distância para o chão —, se eu sobreviver até lá — confessou ainda receoso.
O céu estava estrelado atrás do rei, tanto quanto cada pupila parecia uma constelação diferente. T’challa nunca entenderia, e Loki nunca poderia explicar a quem nunca viveu entre as galáxias antes.
— Estrelas — disse T’Challa antes de beijar-lhe os olhos.
Nunca poderia explicar ter apenas duas estrelas enquanto o Rei de Wakanda tinha duas galáxias no olhar.
Ajudou-o a flutuar de pé, como deveria estar, acima do nível das árvores, e deixou-o contemplar quando nuvens tênues tentaram esconder os pontos de luz na escuridão acima deles. Os dedos negros colocaram a mecha de seu cabelo para trás, uma desculpa de tocar sua orelha.
Teriam de adaptar-se como pudessem. Talvez T’Challa concordasse com uma terceira pessoa, em raras ocasiões, talvez Loki mesmo aceitasse — não era como se não houvesse tido diversões orgiásticas ao longo da vida. Acolheu os cachos em seu pescoço, tendo carícias úmidas e quase urgentes ali, mordiscando seu queixo.
Queria-o, de um modo ou outro.
Afastou-se um momento e estendeu o braço para desenhar um arco. Criou uma estrela cadente ali, há quilômetros de distância da superfície terrestre. Púrpura e vagarosa o suficiente para desconfiar que se movia, especialmente para T’Challa.
Exigiu o máximo que poderia dos beijos, guiando-o para seu pescoço e suportando-os o máximo antes de descerem vagarosos. Era mais magia do que poderia lidar e não tinha condições emocionais para aquilo. E também não queria os toques que prometiam o que não poderia ter, embora cedesse ao caminhar abraçado aos ombros do rei que tinha a mão em sua cintura.
Queria-o, ainda mais instigado por alguma castidade ainda que singela. Poderia ter à força, antes que qualquer guarda surgisse para o ajudar — caso não o fizesse se sentir humilhado demais para confessar ou chamar a atenção. Ainda que o tivesse à força não o teria.
Era um deus, e um deus não precisava de coisa alguma cedida por meros humanos. E nunca confessaria a ridicularidade do contrário. Queria-o.
Uma vez no quarto T’Challa suportou o ataque acima de si, ocultando o teto ao ter tantos beijos emoldurados pelas mechas de Loki, momento ou outro com um vislumbre dos olhos desejosos que se mantinham fechados. Puxou-o para um mais longo.
Com um gesto dos dedos longos sentiu seu cinto afrouxar-se e permitiu ser exposto, antes de sentir a língua, antes de ser envolvido pela boca. Porém a de Loki ainda estava em seus lábios, e ao olhar interrogativo diante o deus afastou-se para o lado, lhe dando a visão de um idêntico rei em sexo oral com seu gêmeo, em uma pergunta muda de seu criador.
Retraiu-se, em tentativa de afastar-se, para maior seriedade de Loki ao ter aquela resposta e sentar-se ao lado, começando a desmanchar pelos pés o que havia feito em uma nuvem.
— Não! — T’Challa ousou lhe segurar o pulso. — Você apenas… me pegou de surpresa. É idêntico a mim?
— Cada fio do cabelo — resmungou ainda frustrado.
— Deixe-o — pediu. — Talvez… Eu não posso, então talvez.
— Como se fosse o suficiente — retrucou de mau humor, eliminando a sósia do rei depois de fechar novamente a roupa de T’Challa. Deitou-se ao lado.
— Lamento por isso, e espero que possa me perdoar.
Apoiado na cabeceira achou-o sincero. Era determinante, e não manipulado. T’Challa havia sido claro, não se tratava de um jogo. Por fim conformou-se e expirou ainda aborrecido.
— Quantos, de você, consegue criar? — T’Challa questionou provocativo.
— Quantos de mim você quer? Um harém?
— Apenas o original — garantiu com um sorriso —, mas seria interessante vê-lo interagir consigo mesmo.
— Entendo… — notou. — Como a cópia que fiz de você...
Concordou. Fez duas cópias de T’Challa antes de uma terceira, a sua imagem. Todos os ignoravam, recostados à cabeceira com alguns palmos de distância. Loki interessado nas próprias unhas ao também ignorar suas criações, com apenas os instintos de desejo e sedução implantados. O rei inclinou-se por um momento, assistindo-os, e via-se querer estar ali, um terceiro para adorar o seu deus uma vez que o verdadeiro estava indisposto.
— Talvez fique ainda mais interessante se forem mais… — sugeriu ao recostar-se novamente.
Loki acatou, duplicando-os antes de igualar a quantidade das suas sósias com as de T’Challa. E quando pareciam demais para controlar ou ter atenção enviou um dos casais ao amplo banheiro de, ao menos, metade do tamanho do quarto. Brincou com os humores, permitindo que uns se divertissem enquanto outros eram mais agressivos, ou até mesmo lascivos, ou mesmo um casal clássico e sensual, fosse na bancada, no arco da porta para o cômodo anexo, ou para o lado do armário eletrônico. Acho que era o limite quando começavam a invadir o espaço privado da cama. Não que impedisse Loki de golpear as nádegas do falso rei mais próximo.
Até o alto barulho quando a porta para o corredor cedeu, sendo vistos no chão com expressões culpadas antes de desaparecerem diante das guardas.
— Eu podia jurar que você havia trancado — censurou Loki recolhendo todas as criações e batendo a porta.
— Desculpe — riu ao ir trancar a passagem com o código. — Traga-os de volta. Eram os mais divertidos.
— Não. É cansativo — queixou-se.
— Desculpe — suspirou. — Eu deveria ter imaginado algo assim…
— Não seja ridículo de imaginar que um deus se cansaria tanto com algo assim.
— Entendo, ainda está com raiva…
— Diga o que quer, mortal! — exigiu levantando-se, logo vendo-o se colocar de pé também.
— Você. Faça outro de você. Um que eu possa olhar todo o tempo.
— Se é assim, então… — Elaborou as botas escuras como a calça, e logo todo o traje envolvia outra réplica do rei de Wakanda. — Um que eu possa olhar todo o tempo, e ter a liberdade da posição que eu desejo.
— Talvez possamos nos entreter juntos com ele — sugeriu. — Apenas… o deixe com alguns traços seus, para que eu não… É como um gêmeo! — suspirou frustrado fazendo Loki rir. — Talvez seu cabelo longo.
— De acordo — atendeu-o, embaraçado ao voltar ao tom sério, recompondo-se.
— E os olhos da cor das florestas.
— Inegociável — respondeu determinado
— Por quê? — lamentou. — Sequer está parecido com você. Apenas está… Estranho — resumiu.
— Não importa. Inegociável.
— Ficam melhores escuros.
— Espera… — aproximou-se mais, quando Loki agitou as pernas e desviou os olhos pelo chão sem querer confessar o constrangimento. — Gosta dos meus olhos?
— Não foi o que eu disse.
— O que disse, exatamente, então? — desafiou-o.
— Inegociável — resumiu novamente.
— Deixa os olhos — concordou. — Você gosta deles — provocou num sussurro. — Alto como você — pediu.
— De acordo. Com sua estrutura corporal. — Torceu os lábios ao inclinar ligeiramente a cabeça.
— E esse seu nariz... — pediu mais perto ainda dos lábios antes que Loki lhe atendesse.
A figura não mostrava-se similar a qualquer um dos dois, aproximando-se grosseiramente de um índio, e ambos detiveram atenção na aparência daquela estranha ilusão.
— E com os seus pêlos… lá embaixo… — pediu T'challa.
— Inegociável — pigarreou de olhos baixos.
— Inegociável… — separou em sílabas. — Então gosta deles também.
Levantou-lhe o rosto, exigindo qualquer resposta que Loki pudesse formular.
— Círculos. Formam… — interrompeu-se com o aperto desconfortável do constrangimento — pequenos círculos — confessou.
T'Challa beijou cada um dos olhos que baixaram, antes de inspirar sua orelha e afundar o nariz nos fios escuros por trás dela, e beijou o canto da boca antes de provar os lábios, correspondido. Estava perdoado pelas suas falhas na relação, e deixou que Loki regesse os movimentos suaves das bocas que se umedeciam, com os lentos encontrões dos narizes.
Seu lábio fora capturado, como Loki gostava de ferir, e notou-o se refrear e o libertar antes que chegasse a machucar. Envolveu-o pela cintura e pelos ombros, eliminando o breve espaço entre ambos, ansioso por devorar e ser devorado enquanto era desacelerado pelo outro, com suavidade.
Loki deixou-se ser recuado de costas até a cama, e moveu-se para que o rei lhe servisse de assento, e não o móvel. De frente para T’Challa passou cada joelho por um lado dos quadris negros, com beijos o suficiente para que o outro deitasse sob seu peso e, de olhos fechados, fez com que o rei também cerrasse os seus — estava em Midgard, e seguro.
Na primeira oportunidade T’Challa tirou-o de cima de si, com beijos obscenos do colo aos cabelos até que a respiração de Loki estivesse mais afetada e os dedos torcessem os lençóis ao lado da cabeça com o máximo de força ao contorcer-se, sem importar-se com o desaparecimento da estranha figura que criaram ao aliviar-se.
Sequer viu que era observado em seus espasmos quando arqueou a cabeça para trás, de olhos semicerrados antes de relaxar o corpo, arfante.
— Não chame o médico — pediu sussurrante antes de fechar a boca para abri-la em seguida —, humano rid…
— Não vou chamar — promete de sorriso cúmplice —, o conheço melhor agora.
Afastou uma mecha do cabelo, em completo desalinho, de seu rosto.
— Não acredito que teve um orgasmo apenas com beijos — censurou-o divertindo-se. — Seu precoce… — provocou.
— Seu corpo detém muito calor — inocentou-se.
Gostaria de dizer mais do que outros humanos, o que o magoaria e eliminaria o pouco progresso com as frustrações mais recentes junto quando lhe fazia favor de afrouxar o cinto. Logo sentiu o toque da mão quente entre as pernas.
— Você gozou bastante — T’Challa constatou ao tocá-lo sob as roupas, e continuou ao ouvi-lo suspirar. — E parece não estar satisfeito, ainda — concluiu ao sentir o espasmo entre os dedos.
Levantou-se e livrou-o das calças antes de desabotoar a camisa para expor o peito às suas provocações. Massageou o órgão que parecia ser a única parte desperta, e com a boca traçou desenhos invisíveis do peito ao umbigo, fazendo com que se arrepiasse em contraste com o suor fresco que beijava.
Eram entrecortados sussurros ininteligíveis antes que os lábios apenas se movesse, emudecidos, e Loki ser chicoteado por espasmos secos nas mãos do parceiro. Apenas então, como vítima, foi deixado com seu merecido descanso, ou quase, ao ouvir: — Parece que não há mais nada pra mim dentro de você — T’Challa zombou entre sussurros. — Loki — ouviu distante e respondeu com um resmungo que sequer lembraria. — Acho que você vai se sentir melhor com um banho — sugeriu. — O que acha? — insistiu.
— Me acorde em caso de batalha — pediu Loki. — Espacial — especificou determinado a descansar.
— Certo. Posso fazer isso.
Terminou de o despir fazendo os braços delgados passarem pela manga, sabendo que Loki se permitia ver vulnerável apenas por ele, ainda que T’Challa nunca imaginasse que um dia o faria. Ainda assim era o rei e, pelo bem de Wakanda, não deveria baixar a própria guarda. Beijou o suor do rosto quando o movimento na cama despertou o parceiro.
— Vou te levar para um banho.
— É o mínimo que posso fazer por ter a temperatura corporal muito alta — sorriu.
Fechou os olhos, confortável junto ao peito que, sim, era quente, e estava adormecido antes mesmo de entrar na água, acomodado sobre os joelhos, com a cabeça encaixada entre o ombro e o pescoço. Não sentiu — ou caso tenha sentido era mais agradável do que esperava — a água correr pelo braço pálido antes do rosto ser esfregado com a suavidade do polegar.
Um pouco incômodo sentir a água correr entre os fios de cabelo, embora não o suficiente para despertar. Foi abraçado com mais zelo, era tarde depois de um dia atarefado e T’Challa também estava cansado. Era um lugar confortável o suficiente para ambos, por serem a companhia um do outro.