sunday night, december 23. female quarters. private.
@sfhs-killian
Todos os domingos no colégio Saint Francis arrastavam-se de maneira enlouquecedora. Como se fosse impossível piorar, ainda havia a missa no período da manhã, que requisitava a presença de todos os alunos: as horas longas e tediosas que Rachel passava nos bancos de madeira enquanto ouvia sermões que não lhe interessavam nem minimamente faziam com que a garota refletisse sobre qual era seu verdadeiro propósito na vida.
Diante daquilo, resolvera mudar sua rotina de final de semana de forma drástica: após aguentar firmemente o período da manhã e boa parte da tarde, retirou as roupas finas de balé de sua gaveta e as sapatilhas de ponta recém-costuradas e partiu em direção ao estúdio de dança, vazio como nunca. Não havia uma alma viva sequer rondando nas salas dos clubes, todos os estudantes ocupados com passatempos mais interessantes do que fazer o que já lhes cansava o suficiente no resto dos dias da semana. A paz de espírito encontrada por Rachel nas horas que decidira passar ensaiando seu número preferido, Odile’s Coda, foram a unica certificação de que podia, afinal, aproveitar seus finais de domingo com outros lazeres além de dormir até o dia seguinte.
O resultado de um final de tarde executando fouettés e mais fouettés exaustivamente foi responsável por encharcar a bailarina de suor de uma forma inimaginável. Não costumava cansar daquela forma nem mesmo em seus ensaios de uma semana normal, e a bagunça que o número causara em si fora motivo o suficiente para partir em direção aos chuveiros após praticamente cair de cansaço. A necessidade de tomar um bom banho fez com que arrancasse a saia, o collant e as meias finas em uma velocidade anormal, certa de que o vestiário, àquela hora, estaria completamente vazio. Deixou o amontoado de roupas no chão, sequer se importando com a possibilidade de uma bronca de alguma das meninas que passaria por ali. Só foi capaz de suspirar de alívio após, finalmente, enfiar a cabeça debaixo do chuveiro, a água quente massageando os músculos exaustos de tanto praticar.
saturday morning, december 22. school gates. public.
@sfhs-lisa
A primeira impressão que Rachel teve ao acordar naquele dia havia sido o frio doloroso que penetrava o quarto escuro. Nem mesmo o ninho de cobertores grossos feitos por ela para barrar a entrada do ar gelado fora capaz de salvá-la do desconforto e da tremedeira habitual: resmungar e esconder-se em sua cama acabavam por não ajudar em nada, também. Por algum motivo desconhecido, a bailarina havia acordado naquele sábado sem um pingo sequer de sono: sua rotina de finais de semana, que consistia em virar-se de um lado pro outro na cama por longas horas, havia sido quebrada pela primeira vez em semanas.
A ameaça iminente do tédio que a assombrava junto do frio fez com que a bailarina, em um ímpeto de força, se levantasse de sua cama e saísse do conforto de seu cubículo, pronta para enfrentar a manhã gelada mais do que desconhecida para seu corpo acostumado a ver a luz do sol apenas após o meio-dia. Após acordar propriamente e tomar seu café da manhã, lembrou-se do convite feito por uma das novatas do segundo ano, Elisa. A garota parecia animada para visitar o rinque de patinação de gelo há alguns quarteirões do colégio, e nem mesmo o mau humor habitual de Rachel foi capaz de fazer com que negasse a visita ao local. A bailarina sentia que o descanso deslizando pelo gelo por algumas horas faria bem a si mesma, apesar de não ser acostumada a aceitar passeios de desconhecidos.
Munida de dois casacos grossos, calça térmica e mais algumas camadas de tecido resistentes o suficiente para suportar o clima ameno de Seoul, Rachel enviou uma mensagem para Elisa, avisando que esperaria pela garota nos portões do colégio. O único conforto no momento era, talvez, a inexistência da neve que atrapalhava todos os seus planos toda vez que resolvia cair.
On the days where Kihyun does not surround himself with still unruly silver toddlers, the young man fulfils his duty as a medical student. It is what they have agreed upon with his grandfather if he were to continue associating himself to taking care of small children on a daycare. Being a medical student amidst in a war meant being a medic to war generals, and if you were to ask Kihyun, he has always been indifferent about how the war turned out to be.
The medical school thought it was a perfect way to hone the Skin Healers’ abilities to be a medic for the trainees, and the other side needed assistance with the hardworking trainees who pushed themselves to their own limits. One of those who needed patching up was Jeongguk. They were paired from the first time they have collaborated, and though forced, they slowly built a mutual trust and a sort of a bond from the skinships (which really, what was Kihyun needed to do if he wanted to heal Jeongguk). Kihyun treated the young man from minor scratches to actual bleeding wounds that Kihyun almost exhausted himself.
So it wasn’t surprising for Kihyun to see the actual mess Jeongguk is in right after their sparring session and monotonous cycles of… whatever they are doing. Sighing and letting a very faint stretch of smile at the corner of his lips, Kihyun tendered to Jeongguk, running to his side to wipe away the excess sweat first.
“You pushed yourself so hard again,” his tone resembling the times he would scold a child on daycare. He reached out to Jeongguk, not minding how small he looked next to him, searching for any dangerous wounds he might have missed from the first glance. The young man lead Jeongguk to let him rest by sitting, handling him the cold water bottle. He always then looks at Jeongguk if he was rested, and waiting for his go signal to actually heal the hardworking trainee.
monday, september 12. 19:23p.m. cafeteria. public.
@sfsc-minho
Mais uma semana se iniciava, e com ela, vinha a intensa monotonia a qual todos os alunos do colégio estavam submetidos; não era fácil passar pelas longas horas que a segunda-feira reservava sem sentir pelo menos uma pequena parcela de preguiça, ou sem querer que a semana passasse rápido o suficiente para que a sexta-feira chegasse novamente; aquilo era o que a coreana pensava, afinal. Mesmo que sua tarde fosse maravilhosamente preenchida pelos treinos de vôlei, taekwondo e pelas horas gratificantes passadas no clube de botânica, era difícil ignorar todo o resto. Eram poucas as pessoas que realmente aproveitavam um dia inteiro; Suke tentava ao máximo forçar-se a acreditar que tal situação mudaria algum dia para ela, mesmo que já estivesse em seu quarto ano. A garota não odiava estudar, porém, sabia que as aulas eram a pior parte de todas aquelas 24 horas.
Apesar de tantos pontos negativos, havia algo que realmente agradava a coreana; todas as segundas, era possível encontrá-la após finalizadas as atividades extracurriculares sentada em uma mesa afastada no refeitório, próxima as gigantescas janelas dali, observando a paisagem enquanto dividia sua atenção no livro que trazia em mãos, no chá que bebia e ainda na música que ouvia em seus fones de ouvido. Da mesma forma que muitos possuíam hábitos, aquele era um dos seus mais frequentes; ela sentia que o dia não era ao todo uma grande decepção ao encontrar sua paz, mesmo que por pouco tempo, sozinha com seus pensamentos, sorrindo para o nada e mergulhando em mais uma das histórias de seus livros curiosos.
Após cumprir todas as suas tarefas do dia, Suke seguiu seu caminho em direção ao refeitório, localizando sua mesa preferida sem muitas dificuldades, a xícara de chá tilintando em cima do livro grosso que a mesma trazia, e a cabeça movendo-se suavemente ao som da música que tocava em seus fones de ouvido plugados ao celular. O suspiro pesado que escapara dos lábios da coreana refletia muito bem sua situação; as últimas horas haviam sido exaustivas, e nem seu banho havia sido capaz de fazê-la relaxar. Mas ela sabia bem que aqueles poucos minutos isolada com suas maiores paixões aliviariam sua mente de todas as preocupações; ou pelo menos, era o que a garota pensava.
Não foram necessários mais que 20 minutos para que Sukeun se encontrasse deitada sob o tampo da mesa, a respiração calma e os lábios entreabertos fazendo-se presentes, os braços servindo de apoio para que seu pescoço não sofresse as consequências de dormir em um lugar tão inusitado; ela realmente não percebera que estava tão cansada. Mas nada mais importava; o sono pesado contribuía para que os ruídos dos alunos no refeitório não lhe incomodassem, e estar desacordada não a fez notar o exato momento em que seu livro fora roubado de si, além dos fones de ouvido e do chá. Após despertar em um sobressalto, os olhos negros estreitaram-se ao tentar distinguir quem era o corajoso que resolvera apossar-se de suas coisas; a sonolência lhe fazia distinguir mãos masculinas, e um sorriso divertido.
— Pelo visto você está se divertindo muito com as minhas coisas... — a garota suspirou, a voz saindo de forma rouca por conta do sono, a expressão ferina de sempre espreitando o garoto por olhos semicerrados, enquanto um sorriso tão divertido quanto o dele fazia-se presente em sua face.
“Face the darkest part of the sky. Hold you bag tightly in hand, allowing yourself to feel the negative influence your past has had on you. Chant “I’ve been burned" three times.”
A caneta corria suavemente pela folha em branco do caderno de couro, este já visivelmente bem preenchido por outras marcações, muito tempo atrás. Sukeun não sabia definir exatamente o que era aquilo quando lhe era questionado; um diário, ela respondia. Mas no fundo, a garota sabia que aquilo era mais do que um simples caderno bonito. Era seu livro das sombras, a Bíblia de sua própria mente; onde eram depositados seus pensamentos voltados para a religião wiccana, além de todas as experiências dos círculos e todas as propriedades das ervas e plantas que utilizava. Naquele dia em especial, a coreana registrava o passo-a-passo utilizado para um charme wicca solar; o feitiço, popularmente falando, servia como um forte repelente das sombras, e dos maus agouros do passado.
“Take a deep breath and say or think “it’s not worth my soul” passionately. As the song says, turn your face towards the sun. As you do so open your bag and grab a small handful of leaves. Start walking toward the sun and throw handfuls of leaves over your shoulder. Don’t look back at where they scatter; keep looking toward the sun, toward your future.”
Suke transcreveu aquela parte com uma preocupação visivelmente maior; a língua despontava levemente nos lábios, como sempre fazia quando encontrava-se concentrada, e os fios negros rebeldes escapavam do nó frouxo feito e deslizavam em suas pestanas. A garota afastou-os com uma impaciência pouco característica, voltando a focar-se na folha, agora coberta de símbolos e de sua letra corrida; ela finalizou o pequeno tutorial falando sobre como era importante assistir ao nascer do sol e como a purpurina devia ser bem aplicada para que pudesse desfazer-se na luz solar, além do pequeno cântico que era, sem dúvidas, um dos preferidos da garota. “The shadows will never find me.”
Com um sorriso mínimo, porém ainda assim existente, a coreana fechou seu livro das sombras, a mão sendo chacoalhada para livrar-se do leve desconforto que fazia-se presente após escrever com muita precisão. Ao olhar em volta, percebeu que o jardim encontrava-se praticamente vazio; não era nada anormal que Suke perdesse a noção do tempo quando concentrada em seus estudos wicca. A garota levantou-se rapidamente, alongando os braços ao cruzá-los em cima de sua cabeça; a sensação entorpecente na coluna logo fez-se presente, comum ao permanecer muito tempo sentada de forma não convencional, e com aquilo, referia-se ao fato de ter ficado sentada debaixo de uma árvore por boas duas horas.
Um zumbido irritante tomou conta do silêncio do ambiente, e Suke não tardou a verificar que o mesmo vinha do bolso de seu cardigã, o celular tocando insistentemente; de forma embolada, uma de suas amigas pediu por socorro, por ter esquecido suas roupas no quarto e ter ficado no banheiro, ou pelo menos fora aquilo que a mais velha entendera nos flashes da conversa. Correndo, deixou o lugar, acudindo a amiga e levando uma muda de roupas para a mesma; feito aquilo, decidiu ir para o refeitório, já que a fome fazia-se presente com os ruídos inconstantes que seu estômago fazia, devido o fato da coreana não ter comido a tarde inteira. Seguindo rapidamente em direção ao seu destino, a mesma sentiu seu sangue gelar ao perceber que havia esquecido seu livro das sombras nos jardins, enquanto corria para salvar a colega; ela não queria nem mesmo pensar no que aconteceria se alguém encontrasse aquilo, alguém talvez não muito aberto a novas religiões.
Em passadas rápidas, o caminho em direção aos jardins voltou a fazer parte do campo de visão da morena; não antes da mesma tropeçar em uma perna perdida no meio dos corredores, fazendo com que quase caísse. Após recuperar-se do choque, pronta para xingar o culpado ou apenas pedir desculpas, sentiu seu corpo inteiro tremer ao se dar conta do que o desconhecido segurava; seu livro das sombras. Suke abaixou-se lentamente, uma expressão enigmática formando-se em seu semblante, pronta para tomar o livro das mãos do garoto e sair correndo.
A competitividade velada de Sukeun estava começando a atingir níveis críticos. A cólera intolerável de ver sua casa em segundo lugar transformara a garota em uma máquina programada para treinar, estudar, treinar, e estudar de novo; ela precisava provar, não só para si, mas para o resto daquela escola, que as integrantes da Blue Owl eram tão capazes quanto os outros. A casa era uma das boas e plausíveis razões pelas quais a coreana aguentava arduamente seu último ano na Saint Francis; certas provações que haviam sido colocadas em sua vida teriam se mostrado intensamente difíceis, se não fosse pela paciência admirável da garota, e por sua necessidade de ver os adversários no chão, que instigava sua mente em níveis inimagináveis.
Foi por aquele mesmo motivo que a garota não se delongou ao convocar uma de suas melhores colegas, Tsukihi, para que as duas pudessem treinar as jogadas de vôlei, mesmo que fora do horário; a rivalidade existente entre as duas nunca fora nenhum segredo de estado, mas mostrava-se curiosamente fraca nos últimos meses, o suficiente para que Suke não sentisse nenhum remorso ao mandar uma mensagem para a mais nova avisando que estaria na quadra depois de seu treino de taekwondo, sem se importar se a outra gostaria ou não da ideia; elas precisavam treinar, e Senjougahara sabia daquilo. O mesmo instinto infernal de proteção para com a casa também habitava a japonesa, e Suke era facilmente capaz de perceber tal coisa.
Com a bolsa esportiva largada sobre o ombro, e os pés irritantemente rápidos levando a garota em direção à quadra, não demorou para que um sorriso presunçoso habitasse a face da mesma. Ela não deixaria time algum ganhar de si, e mesmo que suas deduções se mostrassem uma grande perda de tempo no final, ela não se importava; o fato de estar jogando em prol de algo maior já enchia sua cabeça com pensamentos bons o suficientes para afastar quaisquer outras preocupações. E foi naquilo que Suke pensou ao finalmente adentrar a quadra de vôlei deserta, a iluminação forte mostrando-se necessária enquanto o dia caía; soltando a bolsa esportiva com um baque, a garota alongou-se superficialmente, o sangue ainda fervente por causa dos inúmeros chutes e golpes executados no taekwondo. Após terminá-los, os olhos negros buscaram avidamente por uma bola de vôlei boa o suficiente para executar seus saques, o corpo encontrando seu caminho até a linha que fazia limite com a quadra, posicionando-se ali de uma forma silenciosamente concentrada. O braço esquerdo levantou a bola, içando-a no ar por poucos segundos; segundos estes que precederam o golpe violento da mão direita espalmada, lançando a bola a metros de distância, sobrevoando a rede de vôlei com uma leveza sobrenatural.
As desavenças entre Suk-Eun e Victoria haviam começado da forma mais inimaginável possível; com uma simples discussão em classe.
A morena não se lembrava, e nem sequer se dava ao trabalho, de tentar puxar em sua mente o real motivo da pequena briga ter sido iniciada; com o curto tempo de convivência, já era capaz de perceber o quão instável era sua colega de quarto, explosiva no menor dos casos e tão irritante aos olhos de Suke que a fazia querer perturbar a colega, apenas para ver qual seria sua reação. Porém, ela sabia o quão impactante seria a dor de cabeça que a brincadeira lhe daria, e daquela forma, apenas observava os pequenos surtos alheios calada e terrivelmente aturdida.
Foi em uma sexta-feira terrivelmente longa que tudo desandou. Enquanto um assunto avulso era debatido em classe, Victoria se achara no direito de questionar a opinião de Suke sobre o mesmo, resultando em uma discussão ferrenha sobre qual era o melhor argumento. No fim da aula, nenhuma das duas havia conseguido chegar em um consenso, e a briga perdurara até a noite, enquanto ambas encontravam-se sozinhas em seu quarto; em sua postura defensiva de sempre, Suke defendia seu ponto, a raiva efervescente cegando-lhe para o resto do mundo, completamente concentrada em derrubar a arrogância crescente de Victoria, que não dava trégua. Naquele caso, era perfeitamente possível perceber que as duas possuíam o mesmo gênio forte; e o fato de serem obrigadas a dormirem no mesmo quarto não lhes impedira de continuar o duelo verbal, que poderia até mesmo ter passado para o físico, se não fosse o auto-controle mantido por ambas.
Daquele dia em diante, as duas garotas buscaram arduamente motivos para iniciar brigas, mesmo que insignificantes, para que pudessem continuar a bateria de raiva que sentiam uma pela outra; Suke sempre fora uma fã fervorosa da habilidade de manter uma relação destrutiva com qualquer outra pessoa, e a colega se encaixava perfeitamente naquele quesito. Ela se divertia imensamente em suas batalhas contra a mesma, mesmo que aquilo lhe custasse sua paz; cada dia naquele dormitório era um inferno diferente, e completamente pior que o anterior. Mas aquele era o preço que pagava por defender com unhas e dentes uma opinião, mesmo que tão rasa; ela nunca deixaria de lutar por seu direito de se expressar.
Aquilo ia contra todos os seus mantras e pensamentos seguidos arduamente na religião wicca; Suke sempre fora uma exímia praticante da paz e da paciência selada. Porém, a situação em que se encontrava não poderia lhe deixar mais irada; limpando a sujeira de outra pessoa, esforçando-se para apagar os rastros de algo que não fora ela que realizara. Sua alma justiceira gritava a cada pincelada dada nas paredes do colégio; a tarefa dada pelos inspetores não poderia ter sido pior. Mesmo que a cor branca lhe acalmasse, a turbulência em seus pensamentos lhe dizia o contrário, e sempre o contrário.
A única coisa que animava a garota naquele momento eram os planos recentes combinados com o amigo, Sunwoo. Não era difícil juntar-se ao mesmo para cair na noite, rodando por bares e por todas as baladas possíveis; porém, naquele mesmo fim de semana em que o crime das pichações ocorrera, o privilégio da saída dos Sábados lhes fora retirado. Aquilo despertou um furor jamais visto pelos corredores da Saint Francis; todos, ou quase todos os alunos sempre tinham algum plano importante para suas noites de Sábado. E não era nada diferente para Suke e Sunwoo; a necessidade de encher a cara e se acabar em uma boate corroía a alma de qualquer um. E, daquela forma, o espírito rebelde adormecido despertou na garota, que decidiu combinar o mais brevemente possível com o amigo sobre uma fuga no Domingo; eles sairiam daquele inferno, nem que utilizassem os piores meios já vistos.
Quando o céu começou a mostrar seus primeiros relances do fim da tarde, Suke levantou-se de onde estava. Ela escolhera uma área particularmente remota da escola para pintar; daquela forma, não seria interrompida por ninguém enquanto seus fones de ouvido estouravam seus tímpanos e as letras das músicas violentas eram cantaroladas por ela. Não foi necessário muito além de uma simples mensagem para Sunwoo, comunicando que a hora era aquela; não acreditava que os dois teriam muitos problemas, afinal, o período de castigo já estava em seu fim. E foi com aquele pensamento que Suke saiu de seu posto e embrenhou-se nos jardins da Saint Francis, onde sabia que seria possível fugir; ela e o amigo sempre escolhiam aquele exato lugar para pontos de encontro e rotas de fuga.
Suk-Eun retirou o macacão que utilizava para não se sujar com um sorriso enviesado. Por baixo, as costumeiras roupas pretas eram visíveis, intactas; ela estava pronta para sair e fazer o que bem entender. Não seria escola alguma que lhe tiraria seu direito de divertir-se fora daquele inferno.