⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀ ⠀⠀𝗧𝗛𝗘 𝗕𝗢𝗡𝗙𝗜𝗥𝗘
❪ᅟ𝐓𝐑𝐈𝐆𝐆𝐄𝐑 𝐖𝐀𝐑𝐍𝐈𝐍𝐆ᅟ❫ ━━━ TW: Menção de violência contra animais & mutilação.
TASK #001
⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀ ⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀ 06 de fevereiro. Academia Avalon.
Poucos eram os animais selvagens que ainda existiam no mundo atual, se comparado ao período antes da terceira guerra. E, ainda mais raros, eram as criaturas inteligentes e mágicas que se expunham à crueldade do homem depois dela.
Os panserbjornes, por exemplo: uma espécie de ursos grandes, racionais e com polegar opositor, que muitos acreditavam ser apenas parte de uma lenda, pois era extremamente mais incomum do que a sua existência encontrar algum homem vivo que tivesse visto um deles a olho nú.
Aqueles gigantes ursos brancos viviam a maior parte de suas vidas solitariamente, se reunindo em grupos apenas em situações especiais, escondidos em buracos secretos espalhados por todo o círculo polar Ártico.
Em resumo: eram difíceis de achar e ainda mais de caçar.
Devido às origens de sua patrona, Gaeul teve convivência com a prática da caça desde que suas pernas infantis conseguiram sustentar bem o peso do próprio corpo. O pai dele apoiava a atividade, escolhendo instrutores capacitados para adicionar e aprimorar essa habilidade no filho do meio.
Entretanto, apesar de toda a sua experiência, caçar aquela oferenda tinha sido o maior desafio que Gaeul enfrentou até então. Foi uma tarefa longa e árdua de ser executada, mesmo com a ajuda de armas fortes e um número de súditos-militares lhe auxiliando.
Ao final, saiu de lá manchado de vermelho e quase sem um dos braços, uma vez que teve o ombro direito dilacerado pela criatura. Mas, por sorte, sendo um Scion protegido de Kumino, conseguia se recuperar de coisas assim mais rápido do que o considerado normal, levando apenas alguns dias para que a ferida se fechasse completamente; ossos, artérias, músculos e pele tinham se recomposto, restando apenas uma cicatriz rosada que a cada dia ficava mais fina e muito breve desaparecia por completo.
Seja como for, tenha sido o preço que precisou pagar, colocando não apenas a sua vida em risco mas a de muitas pessoas, Gaeul havia concluído a missão dada por sua patrona com sucesso e agora tudo aquilo seria apenas mais uma conquista entre tantas em sua linha de vida.
A oferenda gigante tinha feito todo o trajeto até Avalon junto a ele. Protegida em um imenso baú refrigerado, como se fosse um tesouro divino que ninguém poderia sequer cogitar questionar o que havia ali dentro e muito menos barrá-lo.
Era arrepiante demais.
“Limpem a oferenda o melhor que puderem e depois enviem a pelagem para o meu pai. Ele vai adorar usar de tapete.” Se ouviu dizer horas atrás para os cozinheiros da Academia, como um eco vivido em sua cabeça agora, conforme seguia pacientemente a fila dos estudantes Scions em direção a imensa fogueira de oferendas.
Gaeul estava logo atrás das irmãs mais velhas, obedecendo a linha de nascimento deles, ou seja, com a herdeira Noeul na frente, Haneul no meio e ele no fim. Tinha Bora ao lado da sua panturrilha, acompanhando-o e esperando a vez deles com ansiedade. Afinal, o evento estava sendo televisionado para todo o globo e, num rápido olhar aos arredores, Gaeul percebeu que as oferendas dos outros, em suma, eram jóias ou comidas suntuosas; A dele estava longe de ser qualquer uma dessas, mas ao mesmo tempo poderia ser classificada como ambas.
Se tivesse um pouco mais de sorte, e as mãos dos cozinheiros da academia fossem habilidosas como a coordenação prometia, aquilo não viraria um bafafá na mídia e nem repercutiria na história.
Assim que chegou a vez de suas irmãs darem um passo à frente e oferecerem seus presentes, Gaeul ficou observando os metros de chamas avermelhadas que bruxuleava ainda mais forte a cada vez que algo era jogado dentro delas. Nesse tempo, sentiu um leve cutucão no braço e virou para encontrar dois serviçais carregando, cada um, um grande saco de lona, que pareciam ter tamanho o suficiente para esconderem um corpo de homem adulto e robusto.
Sua oferenda estava ali, finalmente.
Gaeul pegou um dos sacos primeiro. Apoiou a alça pesada no ombro e só conseguiu tirar do chão na segunda tentativa de levantar todo aquele peso, recebendo a ajuda da daemon raposa, que sustentava um pouco da oferenda por baixo também. Entretanto, os poucos passos ainda foram difíceis quando carregaram aquilo em direção a fogueira e precisou de um pouco mais de força para lançar o saco com carne nas chamas.
Quando concluiu a entrega da outra metade da oferenda, Gaeul tinha gotículas translúcidas de suor refletindo o vermelho das chamas em sua testa, rosto e pescoço. Respirou fundo, buscando ar para conseguir recitar algumas palavras de louvor a sua deusa antes de se curvar respeitosamente em direção ao fogo. Sentido um baforejar quente em sua nuca e um cheiro suculento invadindo seus pulmões.
Aparentemente, a entidade tinha ficado satisfeita com a sua oferta. E, Gaeul podia jurar, enquanto se afastava e seguia junto das irmãs até o salão de jantar, que Kumino havia lhe sorrido com presas pontudas e sanguinárias por entre as chamas, ansiosa por saborear aquela vida preciosa que fora retirada apenas para atender mais um de seus caprichos.










