Night Changes - Champoudry e Lancaster
Aquele horário era tão bom para pensar... Ian adorava sair do treino de boxe depois das dez horas da noite durante a semana. A CRU parecia tão vazia e calma, bem diferente das sextas feiras dali, onde dez horas eram simplesmente o inicio da bagunça. O ar gelado o fazia querer cada vez mais um banho para tirar o suor de seu corpo e pedia também uma cama desesperadamente. Apesar de tudo, não estava com cheiro de suor... Sempre andava com um bom perfume em sua bolsa de boxe: Ferrari black. Quando era um atleta de verdade, nas competições, entrevistas, medalhas, muitas vezes não dava tempo de tomar uma banho para seguir para uma entrevista ou algo parecido, então adquiriu o habito de andar com um perfume que encobrisse o cheiro ruim com um cheiro melhor e que fosse sua marca registrada. Depois que descobrira aquele perfume, nunca mais trocara de fragrância e sequer revelara pra quem pedira para procurar o mesmo cheiro. Respirou profundamente sentindo o cheiro da noite, estava meio frio e com ameaça de chuva, Lancaster odiava tempo assim. Gostava de calor, de tempo ensolarado, de sentir literalmente o gosto do verão num sorvete de chocolate ou sentar numa praia igual fazia em Sidney com os colegas de luta quando ganhavam alguma competição.
Apertando o passo, Ian queria chegar na ômega o mais rápido possível, para que não pegasse a chuva que provavelmente castigaria todo o campus e deixaria o dia seguinte aquela preguiça geral de todos irem para suas respectivas classes. Tinha certeza que pelo menos metade da ômega acordaria atrasada e veria os irmãos correndo entre cozinha, banheiro e para fora da fraternidade para seus prédios, tentando pegar ainda o começo do primeiro período. Aquilo não era definitivamente um problema para Lancaster. Estava acostumado com a rotina de acordar muito cedo independente do horário, sempre acordava umas cinco da manhã para correr pelo campus, voltava para ômega, tomava um banho, tomava seu café da manhã bem balanceado e seguia para aula. Nunca chegara atrasado a nenhuma aula em sua vida e não seria agora na CRU que se atrasaria. Virou a esquina de onde encontraria as fraternidades e irmandades quando notou algo que não parecia normal. Não que casais na rua das fraternidades... Mas aquilo parecia tão forçado. Ian apertou o passo se aproximando do casal, discrição nunca fora seu ponto forte, não tentaria ser agora. Estava estranhando como a loira parecia estar nervosa, mesmo que o australiano visse ainda somente a distancia. Foi então que notou quem era a loira: Fleur.
Pelo que Lancaster sabia, o namorado de Fleur estava na França, não? A menos que fosse o tal namorado da francesa ali, tinham duas alternativas: ou a garota estava traindo (o que sinceramente Ian achava do fundo de seu coração que aquilo não era possível para uma garota tão inocente e delicada) ou ela estava em sérios problemas pela cara dela de nervos. – o que tá acontecendo aqui? – perguntou forte com a sua melhor carranca de mal encarado, se aproximando, nessas horas Lancaster não se importava de ser grosso ou de parecer um idiota. Devia ser por isso que tantos não gostavam dele, ele era intensou quando sentia que algo não estava certo e muitas vezes se saia como um besta quando a situação era só um engano. – Fleur, tá tudo bem? – perguntou soltando sua bolsa no chão, colocando a mão com força no ombro do cidadão que estava com a loira. Só queria ter certeza que a francesa estava bem, caso contrário poderia socar a alma daquele retardado para fora de seu corpo se estivesse fazendo algo que não deveria com alguém tão pura.














