É estranho perceber que hoje eu sou, o que seria perfeito, para alguém que já nao está mais aqui.
Vivemos descompasso.
Desde o nosso encontro.
Foi lindo a troca de carinho, de olhares, a vontade jovem de viver junto para sempre. Até que veio a realidade: a vida nos dando portas a escolher sem saber o que estaria por trás te esperando.
Houve um momento em que tivemos a opção de falar "vamos" e optamos (e percebemos) que ali não dava para ser. Decidimos confiar no futuro e, a cada movimento que o ponteiro do relógio faz desde aquele dia em diante, a gente se afasta mais.
Outra cidade. Outra realidade. Prioridades distintas. Interesses distintos. Mas convenhamos, sempre foi assim. Porque diabos confiamos no tempo, no destino ou futuro, para resolver algo que já começou troncho?
É muito fácil deixar de lado algo ou alguém que não faz sentido naquele momento na sua vida, ao menos para mim, eu sofro pelo que eu consigo mudar. Sofro por uma decisão que está ao meu alcance. "Direita ou esquerda? Decidi agora!" Isso sim, me trava.
Eu acredito muito no "diminuir o estrago". Não dê esperança. Não diga que ama. Não acredite no amanhã. Ou pelo menos guarde este sentimento para você. Corte laços. Arranque as raízes, se preciso. Não cultive um amor que você não poderá viver. Não alimente um sentimento que pode machucar, você ou o próximo.
É mais fácil arrancar o curativo com um grito, do que sofrer por LONGOS minutos arrancando fio a fio.
"Não dê ao outro, o que você nao gostaria de receber." Minha mae sempre dizia.
Não ligo de ser vista como a seca, a dura, insensível. Já fui chamada de coisa pior. Não me importo de ser odiada, o ódio faz doer menos, então que me odeie, fique com raiva de mim.
Mas não odeie a vida, por mim. Não odeie o sentimento ou o se relacionar. É tão bom viver, é tão bom amare se sentir viva, mesmo que não comigo, mesmo que não contigo. Todos merecemos o melhor, mesmo que não seja com quem o idealizamos.
Como pode duas pessoas que cultivam tanto amor e cuidado, não passar disso?











