Tecendo com madeira / Teca / Tectona Grandis. #tecendo #entrelace #trama #artisan #trabalhoemmadeira #trabalhoartesanal #brazilianartisan #woodworking #kolibrier https://www.instagram.com/p/CBcADu8nvtd/?igshid=2g60aj8a7z31
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Visita da tarde...tecendo histórias! 05out19
Toda arte tem suas etapas, nessa em especial, vou compartilhar cada uma com vocês, do início com uma simples correntinha, ao término uma linda e charmosa boneca💕 . . . #ateliedashanne #etapas #tecendo #amigurumi #dolls #amigurumidolls #bonequinha #bonecadecroche #lovecrochet #encomenda #amooquefaco #arte #acompanhe #maosquetrabalham #fioafio #clientesatisfeita https://www.instagram.com/p/BqWD2U6BAGW/?utm_source=ig_tumblr_share&igshid=18te2ngfa3i8a
Cabelos crespos (entre outros traços) faz de alguém um não-brancx , negrx ou pardx?
Ano passado estava eu acompanhando um debate em um grupo de militância no Facebook. O grupo foi criado com a intenção de participação apenas de pessoas negras. E isso é totalmente justificável, já que brancos cercados de seus vários privilégios poderiam “bostejar” em alguma publicação, né non? Coisas do tipo “ ah, mas isso não é racismo, vocês estão vendo racismo em tudo, e blá blá blá. Já sabemos que esse ipo de fala é um dispositivo conhecido quando brancxs veem seus privilégios jogados na cara.
Já está explicado o “porquê” de não ser permitido pessoas brancas nesse grupo de debates, empoderamento e autoaceitação. Porém, alguns negros retintos naquele grupo começaram a dizer que tinham brancxs participando daquele espaço. Acompanhando o debate todo, vi que existiam naquele grupo pessoas de pele clara com traços negros, nariz, boca grande ou carnuda e os cabelos crespos. Como eu estava no começo de meu empoderamento e descoberta de meu local social no Brasil, fiquei me perguntando, será que essas pessoas não são realmente negras de pele clara? Esse foi um momento que me incomodou um pouco, comecei a me questionar, a duvidar de minha negritude, e isso é algo muito comum aqui no Brasil, quando se trata de pessoas negras de pele clara em duvidar ou não ter certeza de sua identidade.
Não tiro a razão dxs negrxs de pele retinta. Elxs sofrem da pior forma com o racismo, pois ninguém tem dúvida que essa pessoa é negra. Tenho completa noção disso. Só penso, porquê pessoas de pele clara não podem assumir sua negritude? E, estou falando das pessoas que carregam sim traços negros no corpo, e não de brancxs que forçam a barra demais só porque tem um bisavô ou até mesmo pai ou mãe negrxs.
Estou falando de pessoas que também são frutos de um passado em comum até certo aspecto com as pessoas negras de pele retinta. As pessoas lidas como “pardas” também passaram por exclusões, já que muitos acreditam que é necessário sofrer alguma opressão para ser negrx ou não, e eu também entendo esse fator. É muito fácil ser negro e não ter seu cabelo “zoado”, ser piada entre os amigxs, ter seu cabelo crespo grande armado lido como indicativo de te fazer um suspeito, sim comparado a um bandido, já passei por essa situação. Também já recebi olhada de policiais depois que deixei meus crespos crescerem, eu nunca tinha prestado atenção nessa questão da polícia, não sei se não percebia ou se isso só mudou depois de assumir cabelos crespos. Sim, negrxs de pele retinta sobre várias vezes mais, a cor da pele pesa mais aqui no Brasil.
Além dos comentários sobre meu cabelo, também cresci na dúvida se era branco ou não.Ouvia sobre mim várias classificações: branco, pardo, sarará, amarelo empampusado (não me perguntem o que quer dizer esse ultimo rsrs). Até que em um momento falei pra mim mesmo “tá, devo ser branco então”, não era bobo, percebia as diferenças entre mim e as outras crianças. Enquanto meu colega filho de professora ( sim, isso no interior é um status social bom) fazia curso de inglês, eu estava em casa tentando aprender inglês sozinho através de um CD que minha mãe tinha comprado. Em quando meu colega de sala poderia se inscrever pro concurso de “príncipe” no programa da Xuxa, eu só poderia fazer o mesmo se desse um jeito nisso ( no cabelo crespo).
Não podia deixar meu cabelo crescer, raspava sempre, pois dava trabalho e cabelo crespo grande era feio.Quando não dava para corta-lo, por faltar dinheiro pra isso, e chegava na escola com ele grande virava piada, “olha o capacete”, “cabelo de bucha (o famoso bombril)” “cocô de rolinha” ( um pássaro, e seu cocô faz uns rolinhos), e outros nomes eram dados ao meu cabelo. Daí eu pergunto a você que lê esse post no momento, falar essas coisas do cabelo crespo é apenas uma zoeira? Isso não é vestígio do racismo? Nesse grupo que mencionei no começo vi pessoas falando que dar nomes para inferiorizar o crespo é apenas uma zoeira, e portanto as pessoas crespas de pele clara deveriam sair do grupo.
Acredito que isso não seria motivo de separar negrxs de pele retinta (pretos) de negrxs de pele clara (ou pardos). Creio que o caminho é unir para criar novas reflexões, respeitando o local de fala daquele que tem pele escura. Eu enquanto pessoa que se afirma enquanto negra e tendo a pele clara ( além dos olhos claros, já já me chamam de afro-conveniente rsrs) não quero tomar a frente de um movimento, só quero mostrar essa é minha vivência, foi por isso que eu passei e o que me fez ter noção de que a branquitude sempre me colocou no local do “não-branco”.
Tenho completa noção de que ter a pele clara me trás vários privilégios, porém existem sim processos que me fazem perder acesso a algumas coisas, só isso que quero trazer, ou queremos pois tenho vistos outrxs fazendo esse esforço de diálogo. Não queremos tomar o espaço de fala e sim falar de nossas vivências também, e poder viver o resgate de nossa negritude.
Odeio o termo “pardo”, pois remete a ideia racista do “branco sujo”. Porém no contexto brasileiro é o único termo, usado oficialmente, capaz de traduzir pessoas negras de pele clara sem correr o risco de serem acusadas de falsa declaração.
Concluindo, falei no decorrer desse texto que chegou um momento que falei para mim mesmo “tá sou branco” achando que isso resolveria minhas dúvidas, mas quando eu deixei escapar que me considerava branco, isso já no pré-vestibular, causei estranhamento em meus colegas, “E ainda se acha branco”, “Tem algo negro em você.” ale´m das risadas que deram. Esse foi o pinto que me fez parar para pensar, e foi assim que fui percebendo vários momentos de minha vida em que essa possível brancura era sempre questionada.
Criei esse blog com a finalidade exata de seu nome, criar teias de pensamentos, tecer ideias a fim de geram novas reflexões. Esse é o primeiro texto, me perdoe se tiver erros, vou revê-lo e se possível editar. Vou ganhando experiência na produção de texto, portanto tenham paciência comigo rsrs. Por aqui vou falar de vários assuntos, e espero sempre a colaboração de todxs. Ahhh! Não estou aqui como o dono da verdade, vamos juntos dialogar :)
Afrobeijos!!!!