Como se conta uma história?
A chuva caia, fazendo meus cabelos grudarem na minha testa e dificultarem minha visão, eu os afastava calmamente de meus olhos fazendo o possível para não perder a alvo que se movia devagar uns vinte metros abaixo de mim. Preparei a mira de minha arma, um único tiro resolveria o problema. Não hesitei nem por um segundo, e o corpo desabou no chão, em um beco qualquer, silenciosa e discretamente eu me retirei, qualquer outra coisa não fazia parte do meu trabalho. Disquei o numero de sempre, em menos de dois toques ouvi a voz de alguém do outro lado da linha.
- Sim?!
- Serviço realizado.
- Testemunhas?
- Nenhuma.
- Bom trabalho, retire-se dai com discrição.
Desliguei o telefone, colocando o de volta a minha mochila juntamente com minha arma, levantei o capuz e me esgueirei como uma sombra de volta ao meu apartamento. Tudo estava exatamente como eu deixei e o silencio e a escuridão me acolhiam como o abraço de uma mãe. Comecei a retirar minhas roupas encharcadas no meio da sala mesmo, ansiosa por me livrar daquela sensação fria.
- Nossa! Agora eu tenho direito a show particular? – ouvi uma voz arrastada pronunciar atrás de mim. Em segundos eu empunhava minha pistola apontando para a escuridão – Você anda malhando não é Agatha? – Disse ao se aproximar do centro da sala e se deixar mostrar pela luz do luar.
Abaixei a pistola.
- O que quer há essa hora Sebastian? – perguntei, voltando ao exercício de tirar a roupa molhada, ignorando seus olhares maliciosos, já tão comuns.
- Vim te ver. Não posso? – Perguntou esparramando-se no meu sofá sem nenhuma cerimônia.
- Você nunca vem aqui por nada. Do que você precisa? – Rebati, olhando-o de esguelha enquanto seguia para o quarto em direção ao chuveiro.
Tomei um banho quente e demorado, deixando a agua relaxar meus músculos tensos, depois de alguns minutos, enrolei-me no roupão e me dirige a sala para atender meu convidado indesejado. Ele me estendia um envelope pardo, que eu peguei e abri ao me sentar no sofá da frente cruzando as pernas. Apos analisar seu conteúdo guardei tudo novamente e lhe devolvi o envelope.
- Dispenso.
- Por quê? É bem o seu estilo. – resmungou ele, sem se abalar recolhendo o envelope.
- Não sou mais uma freelancer! – Respondi com um sorriso irônico estampado no rosto.
- Estou sabendo. Agora é uma feliz funcionaria da Prisma. – Riu ele – A quem está querendo enganar Agatha, você nunca fez o tipo que se reporta a alguém, por que está brincando de trabalho em equipe?
- Isso não diz respeito a você, diz Sebastian?!
- Como quiser. Vou procurar alguém para fazer o serviço, mas se mudar de ideia, me procure.
- Como se eu fosse conseguir te encontrar. – Eu disse, me deitando no sofá e fechando os olhos com a intensão de adormecer ali mesmo.
- Vai dormir no quarto criança, assim vai acordar com dor nas costas! – Disse ele empurrando minhas pernas de forma implicante.
- Deixe me em paz Sebastian, a anos que não preciso que cuidem de mim! – Respondi sem ao menos abrir os olhos para encara-lo.
- Velhos hábitos não morrem! – Respondeu ele, antes de sumir na escuridão, da mesma forma que apareceu.










