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Aqui, pensando.
De um lado a escrita como símbolo, como discurso.
Do outro, o inconsciente real a encena-la.
O inconsciente real tem como braço a pulsão de morte.
Essa tem como intuito a ele devolver o símbolo de sua desgraça (objeto jamais existido).
Vagando de lá para cá, entre afetos perdidos, objetos imaginários a serviço da voz e do olhar.
Corpos são lugares que tentam direcionar esses afetos, ligam o inconsciente real a estrutura do discurso.
A letra abriga os corpos.
Amigo, valeu a dica!
Estou com a matraca solta, já devem ter reparado (...) e não suporto nem mais olhar para pia, X14 e fogão (...)
Assisti “Acima das nuvens” de Olivier Assayas.
Filme lindo.
Juliette Binoche, Kristen Stewart e Chloë Grace Moret ARRASAM!
O filme fala da relação do feminino com o tempo.
Para as de meia idade, ou mais, melhor assistir com uma garrafa de vinho ao lado.
No meu caso, que há muito fiz as pazes com o tempo e entendi que sempre serei uma gatinha, fiquei de boa.
Na trilha sonora, Pachelbel.
Como pano de fundo, Sils Maria e uma formação de nuvens a serpentear nossas ideias.
Me deliciei com o filme.
Eduardo, vez ou outra me olhava, de rabo de olho, para medir meus ânimos.
Zero perturbada.
Num determinado instante da narrativa a personagem de kristen diz: “o texto é um objeto e depende de um ponto de vista”.
Posto, colocado.
A personagem de Juliette está na casa dos quarenta e sente-se velha.
Embora entendendo sua dor, pois já a experimentara, estive a maior parte do filme identificada com o ponto de vista das demais personagens.
Estarei louca?
Fazer o quê?
O tempo quando bate na trave retorna renovado.
Tenho trinta e cinco anos e pronto.
Se é assim que me vejo é assim que sou, não?
Todo o clima, as cenas, os diálogos, são profundos e nos arrebatam.
Uma cena, no entanto, (e, talvez, ela possa pontuar meu bem estar) cortou-me da narrativa.
Qual?
Quando Enders leva Valentine para observarem juntas o fenômeno da “Maloja Snake” e ao olhar para trás a última não está mais lá.
UÉ?
Lá, onde?
Quem?
Helena ou Sigrid?
Cansada dessa quarentena insuportável, tempo em que tive que deixar de lado meus sonhos de menina sex ( sou de sessenta)!!
Estava adorando emagrecer, me arrumar, comprar bijus, fazer tratamento de pele, enfeitar-me!
De repente, estou aqui sem fazer unha há três meses... nenhuma mulher merece isso/
Às vezes, só Lacan me salva.
Estou lá em 14/06/1967/
“O fantasma é, de uma maneira bem mais estreita ainda que todo o resto do inconsciente, estruturado como uma linguagem.”
O fantasma está representado por uma frase, por uma estrutura gramatical que indica a sua lógica, à saber, a articulação entre o sujeito do enunciado e o sujeito da enunciação.
É a estrutura gramatical que lhe possibilita movimentar-se, através da fala, pelo discurso.
A relação do sujeito do enunciado com o sujeito da enunciação prende-se a uma lógica econômica.
Do lugar da verdade essa estrutura gramatical reside dividida entre dois tempos verbais (um que fora e um outro a ser, que seria).
Impossibilidade digna de fantasma.
Tal divisão fantasmática, assustadora, é sustentada pelo gozo de um dizer que, desprendido da colocação de sua própria impossibilidade (posta no discurso), viabiliza o deslocamento do fantasma através da suposição de um saber.
O gozo viabiliza a fala (a ser) que sustenta um dito (morto).
Um corpo torna-se vivo quando o sujeito subverte-se diante do desejo e pela via do sintoma apropria-se de seu fantasma.
A partir daí, loucura total: o que o fantasma diz, o sintoma fala.
A economia?
O inconsciente é chistoso!
O fantasma protege o sujeito da pulsão de morte sem dar a César o que é de César, ou seja, a única coisa que, de fato, lhe pertence: o desamparo.
Então amanheceu de novo e eu mais uma vez tive que dormir.
Do sono ao sonho é um passo; ainda mais quando uma molécula transparente, mas cheia de verrugas, protagoniza nosso pior pesadelo: a única certeza que temos é a distância que nos separa.
Bom, mas, agora, já é de tarde, tempo de plena quimera, e eu estou feliz com os “Outros Escritos” na mão.
Eu, lendo o Discurso de Roma?
O que seria “tomar o ar da cidade e sem nela se sentirem bárbaros demais”?!
A causa como o ar que se respira e a cidade como a letra de Freud e Lacan?
É a causa como respeito a vida que pulsa, que nos enlaça.
A causa é um patrimônio comum!
Qual seriam os interesses humanos que a análise carrega?
Desejo e (lugar do sujeito) saber.
O sujeito como efeito, surgindo no espaço da diferença sexual, impedindo a devastação e garantindo as escolhas, efeitos desse enlaçamento?
Qual a significação desse discurso?
A importância da pressa porque o tempo (que não se mede) é curto, pede urgência “desde sempre”.
Desde sempre fora o amor que enlaçara a pulsão de morte, essa, eternamente, a serviço do narcisismo das pequenas diferenças.
O saber não tem tempo a perder frente a finitude que um dia, sem mais, o carcera.
O saber só não se arrefece diante das experiências que brotam de sua relação com a verdade.
Mas, como saber e verdade se relacionam?!
Por transferência do afeto que os categoriza como operadores de uma humanização em curso, que insiste apesar dos limites de sua biologia.
Se a pulsão de morte nos norteia, a pulsão de vida, ao resisti-la, ao nos confundir, nos garante.
A caminhada é cega, mas cheia de ouvidos jovens, ávidos por escutar o batuque da mudança.
“O que pode acontecer de efetivo entre dois sujeitos, dentre os quais um fala e o outro escuta? Como pode uma ação, tão intangível naquilo que se vê e naquilo que se toca, atingir as profundezas que presume?”
Não seria, apenas, do lugar da verdade que o saber poderia tocar, escutar o ruído que se sobrepõe ao gozo?!
Não somente em psicanálise, especulações baseadas na função do irracional na produção de saberes fizeram desmoronar misérias intrínsecas a toda sorte de laias conceituais.
São os efeitos do ato que autorizam a presunção!
O afeto que sintoniza o saber com a verdade está na enunciação, está na fala.
A fala para ser ouvida precisa de um outro que por ela se deixe tocar, se deixe engravidar.
Esse outro seria um corpo, à saber, um lugar vazio (de fala), um texto, que seja, que a ela empreste seu testemunho e se deixe, mais uma vez, vazar, ecoar.
É a ação da fala que funda o homem em sua autenticidade: desde sempre, fale!
Que entendamos o quanto antes: não há Outro do Outro porque o Um ainda não está!
Lalingua veio como um veio que, do nada, surge, sem alvoroço, e brota, feito água, em parede dura, infiltrada.
Inundou-me os ouvidos e embaçou-me o olhar.
A voz está lá, mas encharcada.
De meus pequeninos ombros, lalingua tirou-me o peso do Nome, essa coisa insuportável de me saber grafada.
Virei gozo.
Fico, ali, pingando, incomodando uns, deliciando outros, sem descer pelo ralo.
Suspensa por enigmáticos afetos, vazo gotículas equivocadas.
Já transformei em amor trágicas tempestades.
Mas, não quero ser isso nem aquilo: quero circular sem tela nem filtro, fugir do ponto e das vírgulas.
Reta final não me alcança porque jorro do acaso.
Do acento gramatical fico com as altercações.
Sempre, sempre, seguirei desencaixada do abrigo das línguas.
Da água, marejando, faço poças de arco íris e, longe, brilho ou apago, dependendo da força do sol.
Sou heróica diante da imposição cronológica da letra, que não para.
Sim, estava ouvindo a última live do Quinet//
Muito interessante.
Estou, aqui, ouvindo, o Quinet, e pensando... [estou, quem(?), eu, ouvindo, de plateia, lá, na terceira pessoa (com meu olhar), o Quinet (sua letra) enunciar-se do lugar (de voz)]?
Por isso o monte de vírgula, lá, em cima, para dividir a oração em tempo, em lugar.
Tempo e lugar como variáveis sujeitas a ocupação dependendo do desejo como causa.
Eu acho que é o seguinte (dei até uma parada na live para não me perder, para não perder “a voz”: a voz e o olhar como objetos reais, do desejo, sem representação significante, estão sujeitos ao tempo e ao lugar, a enunciação e a escuta.
A voz e o olhar são objetos que circulariam em tempo, no lugar de corpos vivos.
Algo da ordem de se dizer que uma enunciação só o é em tempo, se do lugar, da escuta, um outro está.
Corpo, aqui, obviamente, subjetivo, aquele que extrapola a pele e cuja vivacidade não termina em nenhuma lápide significante.
Isso faz pensar no que seria o tempo e o lugar na escuta psicanalítica.
No discurso psicanalítico as quatro paredes não importam, a cama está fora da cena, o olhar e a voz estão separados pela escuta do analista, escuta que, do lugar da verdade, faz o sujeito enunciar-se.
O tempo de quem ouve a voz de quem o diz é um tempo vivo que independe da materialidade física dos objetos que parecem sustentá-lo.
Não é disso que se trata.
A cena inconsciente não dá as caras, a substância que dá vida a letra, que suporta o amor transferencial é da ordem do gozo, está para além das palavras.
A letra se faz enunciar pela voz que a escuta, operação causada pelo desejo que tem o poder de resgatar, em tempo, o olhar desde sempre perdido.
O olhar é escutado, é uma cena inconsciente mantido pela letra (em movimento).
É o ritmo musical da letra que convoca o ato analítico.
Isso ficou bom heimm (?)
Vou, lá, terminar de ouvir a live.
Perguntei pro senhor Que porra de vida é essa que expressa tanto sentimento e dor