Eu. Os cristais. E Marina Abramovic. Apesar do decorrente fenômeno que se tornou a criação para o mundo de Marina Abramovic, não me pareceu que qualquer um dos detalhes pela qual meus olhos e sentidos passaram pudesse ser banal. Na contramão do materialismo o que se vê em sua obra – tanto performática quanto consistida em objetos- é uma leve aparência do que ela representa, de forma singular para cada indivíduo que se proponha à interação. Do Método até a performance Corpo Ruindo da Paula Garcia, tudo possui um significado além. Por trás de cada cristal e de cada happening há uma energia e uma reflexão de cunho pessoal. Eu poderia descrever vários pontos que me ocorreram e encontrar pontos em comum com meus amigos que percorreram o mesmo circuito, mas de certo seriam ínfimos diante de uma catarse de sensações. Acredito que este é um dos aspectos que motiva Marina e outros artistas a fazer o que fazem, acreditar que o universal se reduz ao particular de uma forma grandiosa e cada vez menos tangível. De certo, com tanta gente e com tanto barulho não é uma tarefa fácil perceber a si mesmo. Os ruídos externos são violentos e a aceitação do outro à frente de nossas vidas é um promiscuo sistema que nos trás o alívio da culpa. Atos corriqueiros e imperceptíveis que se tornaram quase inerentes aos seres humanos. O Método, sem relógio, sem ruído, sem o outro. Apenas você, mente e corpo, madeira e cristais. Aparelhos com uma capacidade de transmutar energias, de conectar e separar, uma mistura de força e suavidade. Tive já a oportunidade de estabelecer estruturas de autoconhecimento semelhantes, mas de longe essa foi a mais marcante, talvez porque sou acostumada a ver meu pai montando aparelhos radiônicos em casa e numa vez ou outra fazendo com que eu tivesse sonhos de contatos extraterrenos. Finalmente estava vendo e sentindo em grande escala, não foi apenas nostálgico, foi também a certeza da noção de importância do aqui e do agora, e de que o futuro pode esperar.