hoje a gente existe. tudo carnes e toques e risos e carícias. mas também dizeres, olhares, manias e ruídos.
eu tô aqui pra contemplar tudo isso. pra guardar e não obstante contar pra ti tudo o que muitas vezes penso sem te dizer, penso quando tô perto e longe, penso e falo pela metade ou só penso sem pensar muito.
mas penso de ti. e de nós.
fica avisado que pode ser um pouco confuso ou difícil de alinhar um sentido, tal como abrir uma portinhola na minha cabeça e ter tudo quanto é balão de fala girando ao teu redor. é mais um reflexo do que tu faz comigo, do quanto tudo chacoalha aqui dentro quando o assunto é tu. mente; e corpo também.
não vou me propor a mencionar como aconteceu, mesmo em meio às intempéries que quase afogaram a possibilidade de nós dois, porque essa história tu bem conhece. a gente já repassou tantas vezes — e eu amo isso. eu amo que a gente repassa e relembra e revive, elaborando e acolhendo acontecimentos e sentimentos envolvidos. o que tu não sabe bem é do ardor que me atravessa quando teu olhar pousa no meu, e de como teu toque acalenta qualquer caos dentro de mim, e tu já deve ter percebido a incapacidade de não sorrir que me acomete quando eu tô contigo. tu me faz feliz, coisinha. mas não só isso. tu me faz melhor. tu não me é apenas inspiração de como ser gente, de atuar melhor dentro desse corpo de humano, é também condução nova na motriz que é evoluir. a relação que hoje a gente constrói é, em completude, o encaixe que eu nem sabia que faltava e só descobri quando tu chegou e ficou e fez morada. se hoje a gente existe, e como existe, é porque tu foi e é muito além do que eu poderia desejar. com tuas características por inteiro, das piores às melhores, o melhor ser humano que esses meus olhinhos já viram e que minha mente já conheceu.
quando penso que essa jornada na qual a gente se meteu tem poucos meses, e que oficialmente eu te reconheço meu parceirinho, mais que tudo, meu namorado, há um mês, bate um negocinho estranho no peito. um medo pequeno, mas medo, de tudo isso que tá acontecendo se esvair. aí tu vira e me diz “colocou eterno no título por quê?”. ora, pergunte não.
mas quando eu digo aidios/aei, admirando a beleza das palavras, o significado que letrinhas podem possuir, e em perfeição, a eternidade da coisa; eu penso em nós. estampados nesse espaço-tempo — e tomara que em tantos outros — deixando nossa marquinha um no outro que vai nos seguir vida afora, eternamente. então o medo existe porque eu e tu somos eternos hoje. mas, entenda, eu quero é que sejamos eternos para sempre.
meus olhos veem um futuro contigo de ações e sensações nunca vividas antes, como tem sido desde o início. coisas que vivo hoje nunca vivi antes, e outras nunca nem mesmo desejei viver e agora quero, bem do teu lado. nossas conversas me remetem tantos pensamentos sobre nós e poder partilhar tudo contigo é de uma singularidade até então desconhecida por mim. eu vejo e clamo nosso futuro, a evolução de andrei, larissa e ambos. como indivíduos e como combo de dois também. tu sempre surpreendendo sendo do jeito que tu é.
e é engraçado, porque nesse tempinho que mais parece um tempão que estamos juntos, aprendi tanto sobre tu, mergulhim, sempre dando meu máximo pra compreender e acolher quem tu é da melhor forma. ainda assim, é surreal o quanto ainda não sei e quero tanto saber. o quanto a cada dia tu aprende e, portanto, há de aprender sobre ti. mas também a quantidade de coisas que tu viveu que te encaminharam até aqui, moldando o ser, que na perfeição, tu se mostra.
eu amo poder dizer que te amo sempre que sinto vontade, mesmo com medo de que eventualmente tu enjoe e não me queira mais. aliás, de medos eu sou cheia, mas procuro sempre deixá-los de lado e ser totalmente eu quando estou contigo. torço que tu também seja totalmente tu quando está comigo. e viver por completo a experiência que é ser tu e eu. porque a gente sabe a raridade disso tudo, e me emociona. o que eu sinto por ti me emociona, o privilégio de ser nós dois me emociona. emociono pois tu adivinha meus pensamentos e eu os teus, emociono quando a gente diz ao mesmo tempo uma besteirinha qualquer e quando tenho a oportunidade de te fazer companhia nos momentos ruins além dos bons, de te acariciar em meio à dor e te puxar cada vez mais pra dentro de mim até que tudo de ruim passe. porque eu sei que tu é gigante e se vira só, mas se precisar eu sou fortaleza inteira, muros e espinhos por fora, a te proteger do que vier a te atormentar. ai, amor. emociona dentro e fora e até meu corpo quer falar e transborda. eu me tremo só de lembrar. lembro e amo tuas texturas, teus sons, a maciez da tua pele, a especificidade que tem o teu toque, a tua voz. eu poderia te sentir até o infinito. te ouvir, voz, suspiros, grunhidos, gemidos e respiração. contemplar a vida que exala de ti a toda hora, todo momento. o vigor quente da tua pele, o vivaz da tua cor, o encostar do teu corpo no meu que ao primeiro toque eletriza tudo aqui dentro.
eu quero ser nós sóis e luas adentro, sentindo o vento bater sentados na praia ou pernas e braços entrelaçados deitados na cama, inspirando e exalando a vida nossa, nessa troca de sons e ar e toque e alma. eu quero ser nós álcool e luzes e músicas altas e risos e festas, dois corpos flutuando se esbarrando e desencontrando sem nunca se perder, dançando e falando e falando e falando. porque a gente nunca para de falar. mas quando para, quero ser nós silêncio e calmaria, enfrentando reflexões que virão à tona como alavanca puxada abruptamente, deixando jorrar pensamentos diversos ao conhecimento do outro. ou só ser nós no silêncio de cada um exercendo suas próprias funções, olhando cá e lá um pro outro, com um sorriso nos lábios que vira beijo, esse que por sua vez vira eu te amo, que vira sorriso novamente. eu quero ser nós gargalhando alto de alguma coisa muito besta, se contorcendo em risos e cócegas e mãos e pés. eu quero ser nós sendo um só, suor e dentes e fluidos e baques, tremor e arrepio e dois corpos grudados por inteiro. mas também quero ser nós nas tragédias do dia-a-dia, nos tropeços que a vida traz e nas lágrimas que surgirem. quero ser nós na íntegra, na unidade de dois seres, iguais que diferem, na plenitude de existir como nós dois.
lembra que eu te amo hoje, que eu te amo sempre. e que todo dia eu te amo mais, até que eu exploda de amor e só exista a ideia de mim, vou continuar te amando mais e mais. ad infinitum.