Às vezes é tão estranho se sentir pela metade. É quase como andar por aí faltando um pedaço, um pedaço perdido ou um pedaço que nunca se teve?
Um pedaço invisível, meio indefinido, quase insensível?
Talvez o meu problema é não saber conviver com tanta coisa vazia ao redor, essas coisas desalmadas, sem sentido, fúteis. E é perceptível que tentar me encaixar nisso e fingir que está tudo bem é o pior mal que faço por mim.
São essas coisas ocas que me sugam, essa falta, essa consciência de que a aparente imensidão por fora é sempre tão minúscula por dentro.
Aí a gente vai se perdendo, se triturando, se doendo, até tenta se mesclar pra tentar sobreviver e quando vê já se transformou em uma casca morta do que antes tentara evitar.
E dói, como dói se dar conta de que no meio do tumulto todo, do vem e vai, do conjunto ambulante de estrelas sem brilho, você está ali infiltrado, respirando o mesmo ar mórbido e perdendo o que antes costumava ser.
Não que você seja diferente, nem nada, mas é que a sua miudeza se torna menor ainda no meio disso, sabe?
E a gente acaba ficando surrado, desesperançoso, saturado. É como uma vela que vai se apagando aos pouquinhos, é como os míseros minutos no final de uma canção que logo dará lugar ao silêncio.
O pior é nunca saber se isso sempre vai ser assim, se no fim todo esse sentimento de deslocamento vai acabar e a plenitude enfim chegará.
E é isso… esperar. Esperar pelo fim ou pelo recomeço? Desesperar? Não. Esperar demais? Não. Esperar… o pior ainda é que isso sempre me pareceu o problema.