metáfora sobre o amor
penso numa criança que sonha em ganhar um brinquedo específico de natal. o dia 25 de dezembro chega, o pacote está debaixo da árvore. ela, então, se aproxima e o toca. com as pontas dos dedos começa, lentamente, a pressionar a ponto de fazer um furo. com ele, as mãos se movimentam e rasgam o papel, numa aposta que debaixo dele está o presente. mas ainda não há como saber, pois ainda não é possível saber o que está ali.
é assim que me sinto agora. estou com algo em minhas mãos, com uma expectativa que me acompanha de tudo que vivi até aqui, mas tentando também abrir espaço para a calma, o tempo, a construção. vamos, com calma, rasgar o papel e ver o que está debaixo dele.
essa última frase poderia se tornar uma espécie daqueles mantras que as pessoas escutam em modo repetição.
há o desejo, há também uma expectativa. mas o tempo é tão necessário. controlar aquilo que habita em mim que busca por fechar. fechamos por hoje? não, deixamos por hoje. apenas deixamos. e então voltamos. e continuamos. e caminhamos, sem saber onde se vai chegar, pois caminho se faz caminhando.
então, tento criar em mim o espaço para o deixar. se fechar logo, vira efêmero demais. e eu ando tão cansada disso. tenho medo e me sinto assustada com o que possa significar o deixar, porque não descobri ainda. estou descobrindo. é preciso tempo.
calma.








