Tratamento
Ao longo das semanas introduzimos o tema: “Consumo de Álcool e Sofrimento Psíquico”. Na segunda semana fizemos uma “pequena” (des)Construção dos Transtornos ligados ao Alcoolismo. Na terceira semana falamos sobre o Processo de Diagnóstico. E na quarta semana, devido à pedidos, falamos sobre a Saúde Pública com relação à essa temática. Hoje fechamos o primeiro ciclo sobre o Sofrimento Psíquico e o Consumo de Álcool falando sobre o tratamento do cliente alcoolista, tanto por um ponto de vista comportamental, quando por um ponto de vista medicamentoso.
O etanol atua como um antagonista dos receptores NMDA (N-Metil–D-Aspartato), um receptor do tipo excitatório do SNC (Sistema Nervoso Central). Com o uso crônico do álcool, a substância acaba por reduzir as a capacidades de transmissão de cálcio nos canais de cálcio, diminuindo a atividade elétrica dentro do neurônio. O tratamento medicamentoso do alcoolista geralmente consiste no uso de antidepressivos, como a imipramina, agindo nos receptadores da noradrenalina e da serotonina. O uso do mesmo tem como função o alívio dos sintomas de abstinência e a prevenção de crises de ansiedade provocadas pela abstinência do Etanol. Este medicamento também traz consigo algumas contraindicações, como por exemplo o uso de Cloridrato de Imipramina (substância ativa) é contraindicado no período de recuperação de infarto agudo do miocárdio, gestantes, diabéticos, pessoas com ideias ou intenções suicidas, lactantes; também é contraindicado o uso de veículos durante o tratamento. O uso ou não de medicamentos será prescrito após um diagnóstico multidisciplinar (CASTRO, et al. 2004; LARANJEIRA, et al. 2000; MORENO et al. 1999).
A abordagem Analítica Comportamental tem como seu principal enfoque as relações do indivíduo e o ambiente e como essas relações funcionais alteram o comportamento do indivíduo. Dito isso e levando em consideração a ação reforçadora que o consumo de álcool produz, não é simples remover ou sobrepor esse comportamento do repertório do indivíduo, levando em consideração que o comportamento em questão, nesse caso, tem o agravante de estar diretamente ligado à uma substancia química que causa mudanças, não só comportamentais mas também bioquímicas, levando assim à uma necessidade do psicólogo trabalhar uma estreita relação interdisciplinar com o psiquiatra (BRITTO, et al. 2014).
O tratamento com um psicólogo comportamental se realizará de maneira diferente dependendo da demanda. O que o analista comportamental faz durante o tratamento é analisar quais fatores contingenciais levam o indivíduo a emitir o comportamento de ingerir álcool, sejam essas contingências sociais ou ontológicas (história de vida do sujeito). Depois de adquirir esse conhecimento, o psicólogo comportamental trabalhará junto ao sujeito maneiras de extinguir o comportamento de beber, usando do conhecimento teórico-prático, através da realização progressiva de atividade voltadas para a implementação do seu repertório comportamental (PINHEIRO, R. M. 2008; COSTA e MARINHO, 2002).
Referências desse artigo:
BRITTO, I. A. G. D. S. et al. Sobre o comportamento de consumir e depender de substâncias. Vox Faifae: Revista de Teologia da Faculdade FAIFA, Goiânia, v. 4, n. 1, p. 24, jan. 2012. Disponível em: <http://www.faifa.edu.br/revista/index.php/voxfaifae/article/view/56>. Acesso em: 28 abril 2018.
CASTRO, L. A.; BALTIERI, D. A. Tratamento farmacológico da dependência do álcool. Rev. Bras. Psiquiatr., São Paulo, v. 26, supl. 1, p. 43-46, maio de 2004. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462004000500011&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 28 abril 2018.
COSTA, S. E. G. C.; MARINHO, M. L. Um modelo de apresentação de análise funcionais do comportamento. Estud. Psicol. (Campinas), Campinas, v. 19, n. 3, p. 43-54, dez. 2002. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-166X2002000300005&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 02 maio 2018.
LARANJEIRA, Ronaldo et al. Consenso sobre a Síndrome de Abstinência do Álcool (SAA) e o seu tratamento. Rev. Bras. Psiquiatr. São Paulo, v. 22, n. 2, p. 62-71, junho de 2000. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462000000200006&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 25 abril 2018.
MORENO, Ricardo Alberto; MORENO, Doris Hupfeld; SOARES, Márcia Britto de Macedo. Psicofarmacologia de antidepressivos. Rev. Bras. Psiquiatr., São Paulo, v. 21, supl. 1, p. 24-40, maio 1999. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44461999000500006&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 21 abril 2018.
Pinheiro, R. M. O alcoolismo na Perspectiva da análise do comportamento: a importância do autocontrole. Brasília, 2008. 41p. Monografia (Graduação) – Centro Universitário de Brasília, 2008.












