Pensando sobre música na igreja
Apesar de considerar essencial a membresia na igreja e a frequência às reuniões congregacionais, C.S. Lewis confessou que não gostava da música na igreja que ele pertencia. Ele a considerava poemas de quinta categoria com música de sexta categoria. Lewis não estava falando dos coros de adoração contemporâneos, aqueles que muitos de nós gostamos de criticar (às vezes, com razão). Não, ele se referia a hinos que se encontram em nossos hinários e que hoje, como se fosse um revival, são elevados ao nível de suprassumo da hinologia e o alvo a ser alcançado em termos de música numa igreja madura e bíblica.
Há 500 anos, Lutero percebeu que não somente a Bíblia, mas também a música cristã precisava falar a linguagem das pessoas. Por isso Lutero usou música popular de sua época para transmitir a mensagem da Reforma, de modo que um de seus detratores considerou que suas composições musicais causaram mais danos para o catolicismo do que seus sermões e escritos teológicos.
Creio que tanto a confissão de Lewis sobre a pobreza estética dos hinos como a ousadia de Lutero em usar da música popular como veículo da mensagem deveriam nos levar a pensar um pouco sobre contexto, cultura, linguagem e comunicação na adoração comunitária. Como já expressei, letras em harmonia com o ensino das Escrituras são inegociáveis. Todavia forma, estética, estilo, volume, etc., são expressões culturais e o que menos desejamos é cair no erro missionário do passado de confundir evangelização com colonialismo.
- Sandro Baggio











