Eu nunca fui de ficar fazendo planos pro futuro em meus relacionamentos, meus planos eram simples: fazer faculdade, comprar um apartamento, uma moto, viajar pro mundo. Ali naquela sexta-feira de julho em meio a tanta gente ela me escolheu e eu percebi que um semana antes eu tinha conhecido a pessoa que podia me completar na dose certa.
-"Amor, onde ce tá?"
-"no terminal"
minutos depois
-"amor, vem me buscar aqui no ponto de ônibus"
-"Estou chegando"
Apaguei meu terceiro ou quinto cigarro, peguei o capote e fui buscar a menina que só percebi ser realmente meu amor quando a vi de cabeça baixa, coberta de vergonha, com a amiga do lado, o beijo que ela me deu ali na frente de todos foi só um complemento pra eu não deixar ela pegar o primeiro ônibus que passasse ali e ir embora eu nem sabia onde era a casa dela.
Andamos até a catedral, falamos sobre coisas ja ditas no Whatsapp, trocamos olhares milhões de vezes, o mundo pra mim naquele momento era só eu e ela.
Ela queria sair de todas aquelas pessoas e eu queria fugir com ela de todos que viessem falar comigo.
Ali naquele banco eu tive certeza de como o beijo dela se encaixa no meu perfeitamente.
Meu primeiro beijo com aparelho, ela também.
Meu primeiro beijo na chuva, ela também.
A chuva... Aí aí aquela chuva, ela teimava à colocar o casaco que eu mandava ela colocar para não ficar doente. E foi ali que eu vi que posso ser feliz de novo, naquele beijo, naquele abraço, eu senti finalmente depois de anos o que pode sim ser definido como amor.
Duas pessoas em meses ruins, signos opostos, não queriam nada demais, na hora errada, no lugar errado, se encontraram.
E hoje eu me pego pensando: um cachorro, um gato, eu, ela, dois filhos, a gente só não decidiu se vamos morar numa casa ou em um apartamento, por conta do espaço, mas isso veremos próximo fim de semana.