The Rise of The Commander | HEDA
by E | J | T @jiminyrizzles | man-met-ego.tumblr.com

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The Rise of The Commander | HEDA
by E | J | T @jiminyrizzles | man-met-ego.tumblr.com
I am doing this challenge!
she’s such a bad b but her heart is gold
Epílogo.
Lexa ajeitou o laço da pequena caixa que segurava e deu uma última olhada em sua aparência no espelho. As bochechas estavam coradas, o vestido era algo incomum (mas muito necessário) e alongava seu corpo e marcava os lugares certos, os olhos verdes brilhavam com felicidade e expectativa. O cabelo tinha a metade presa em uma trança que circundava a cabeça e desaparecia entre os cabelos soltos. - Lexa, a Anya está aqui! - Indra gritou do andar de baixo.
A menina revirou os olhos, Indra estava sempre gritando. Segurando a caixinha com força, Lexa saiu do quarto e desceu as escadas com cuidado. Anya suspirou assim que viu a amiga.
- Nossa, senti uma coisa gay aqui com essa visão - a loira comentou com malícia e então como se uma luz tivesse ligado em sua mente Anya disse para Indra: - Sabe, Indra, é o baile de formatura.
- E? - a tutora de Lexa perguntou enquanto avaliava a menina com aprovação nos olhos - Agora que a cerimônia já aconteceu, sei que vocês só querem se divertir.
Os olhos de Anya brilharam mais e ela sorriu: - Quanto a diversão... Depois do baile no ginásio a festa se estende para um hotel, os alunos alugaram e os casais podem levar...
- Anya! - Lexa deu um gritinho, as bochechas vermelhas de vergonha - Precisamos ir.
Indra estava olhando para as meninas com uma expressão nostálgica, Lexa tinha feito 18 anos apenas dois dias antes, sua tutora não bancaria a chata. Ao menos não naquela noite.
- Esteja de volta à 00:00, Cinderela. - a mulher ordenou - E divirta-se.
Lexa sorriu com carinho para Indra e seguiu Anya para fora da casa. Durante todo o percurso as duas cantaram com a rádio e relembraram momentos bons e engraçados que passaram no ensino médio, era simplesmente difícil de acreditar que estavam deixando uma fase para trás. Quando chegaram ao estacionamento da escola, o lugar estava lotado de limusines, meninas com vestidos de festas e pulseiras com flores nos braços, rapazes de terno e contrabandeando bebidas que não eram permitidas em baile de escola. Lexa e Anya deram os braços e se juntaram as pessoas que caminhavam para o ginásio decorado. Anya tinha comentado que o espaço estava lindo, mas Lexa tinha subestimado a amiga. Estava maravilhoso, capaz de tornar a noite mágica. Mas a morena não estava olhando a decoração por muito tempo, seus olhos buscaram o palco e a loira num terninho sexy que arrumava o microfone. Lexa sentiu o peito inflar e apertou a caixa que estava em sua mão.
Era tudo parte de um plano de Anya. A escola não permitia que qualquer um de fora participasse do baile de formatura, então Anya pediu ao diretor que contratasse essa banda The Grounders, o diretor ficou relutante porque os The Wolves já haviam se oferecido para tocar na festa, mas a loira argumentou que os alunos ficariam mais felizes com duas bandas diferente. Por fim o diretor aceitou e Anya deu um jeitinho de fingir que Bellamy era um carregador de instrumentos muito necessário e que precisava estar presente de modo que as duas amigas poderiam ter seus pares a noite toda. Lexa caminhou para perto uma Clarke distraída.
- Com licença - perguntou com um sorriso tímido - você viu a minha namorada por ai? Ela é loira e...
Mas Clarke a encarava com pura admiração. Muito ocupada absorvendo cada detalhe da beleza da garota a sua frente, para elaborar uma frase digna da brincadeira.
- Lexa... Uau. - suspirou. - Você está linda.
Lexa revirou os olhos, mas exibia um enorme sorriso.
- Você está linda, Clarke.
Clarke sorriu igual uma boba e então puxou Lexa para longe do palco e tirou uma caixinha do bolso.
- Eu não sabia a cor do seu vestido, mas queria algo que combinasse com seus olhos.
Clarke abriu a caixa e tirou o bracelete de flor mais bonito que Lexa já vira. A correia tinha detalhes verdes assim como o centro da flor, as bordas eram de um delicado tom de creme.
- Clarke, é lindo... Mas não precisava.
- É claro que precisava, é um baile afinal de contas. - as bochechas da artista ficaram rosadas - Eu queria ser um bom par.
Lexa se aproximou um pouco e roçou os lábios levemente nos dela.
- Obrigada, eu adorei. - ergueu a caixinha que segurava com a outra mão e balançou - Também tenho algo para você.
Clarke desfez o laço e abriu a caixa com cuidado, seu sorriso crescendo ao se dar conta do que estava vendo.
- Lex, isso é...?
- Sim! - Lexa explicou um tanto nervosa - Queria te dar algo que fosse tão importante para mim como você é.
Clarke olhou de novo para o presente e o retirou da caixinha, uma delicada correntinha com a palheta favorita de Lexa pendurada como pingente.
- Me ajuda a colocar. - pediu e ficou de costas para Lexa.
A morena não perdeu a oportunidade de passar os lábios levemente pela nuca da mais velha depois de prender o cordão.
- Isso é tão meigo que eu tenho vontade de vomitar - Raven resmungou.
- Rae, você precisa transar - Octavia comentou - Está muito amarga ultimamente.
- Está se voluntariando? - Raven perguntou com um sorriso de felino.
Octavia arregalou os olhos e limpou a garganta antes de falar:
- Chega de agarração, está na hora.
Chamaram Anya e subiram ao palco, as músicas não eram bem o estilo delas, era mais para dançar com par, mas o grupo estava feliz de poder cantarem juntas. Clarke fez questão de cantar Dancing Queen, tema de um filme famoso.
- Boa noite formandos da Earth High School, somos The Grounders e desejamos a vocês uma excelente Festa. - Clarke cumprimentou e recebeu gritos eufóricos em resposta antes de começarem a música.
Enquanto tocava e observava Clarke fazer sua mágica no microfone, Lexa visualizou o resto da noite e o verão que se aproximava: dançar uma música lenta com a cabeça apoiada no ombro de Clarke, beber todas no hotel e então aproveitar algumas numa suíte mais tarde, sorvete em uma calçada, ensaios no sábado, escapadas para a praia mais próxima durante os fins de semana. Sem pensar no que as aguardava depois do verão ou (por falar em definitivo) depois daquela noite, era só viver com as pessoas que amavam, fazendo as coisas que gostavam. Sem nenhuma grande lição por trás ou grandes dúvidas, por alguns meses Lexa e Clarke queriam "ser" tudo e qualquer coisa junto de Anya, Raven e Octavia sem nenhum compromisso com o futuro.
Sim, era um quadro bonito de se imaginar. Em algum momento de uma música particularmente romântica o olhar de Clarke encontrou o seu e as duas sorriram intimamente. Sim, com certeza era um quadro bonito.
We are gonna come together...
Fim.
Capítulo 22
Quase dois dias sem notícias de Lexa era demais para Clarke. A loira sabia que poderia acabar muito mal fazer uma visita surpresa quando Lexa estava tão chateada com a vida, mas ela não sabia mais o que fazer se a outra não respondia mensagens e nem atendia ao telefone. Talvez tenha dado tempo suficiente para que ela entendesse que aquele não era o fim, ainda tinham o festival e umas ás outras e todo o resto poderia ser conquistado. Não era o fim da música e por isso a menina não podia desistir de tudo. Desistir dela.
Clarke se esforçava para acreditar nisso quando respirou fundo e bateu na porta dos Ivanov.
Indra abriu a porta, parecia estar de saída.
- Clarke, é bom te ver. - a mulher sorriu.
- É bom te ver também, hã, estou aqui para ver Lexa.
Indra assentiu e se afastou da porta.
- Por favor, entre. Ela está trancada no quarto...- a mulher lançou um olhar para as escadas e suspirou - cuidado com o que conversarem, certo? Lexa pode ser... difícil nas condições atuais.
- Claro, não vou deixá-la mais chateada.
- Tudo bem, preciso ir trabalhar. Seja paciente, Clarke.
- Serei.
Indra saiu e Clarke permaneceu perto da porta por longos minutos pensando no que poderia dizer que faria seu amor sentir-se melhor, a loira sabia de suas tendências á insensibilidade e sua total inabilidade em escutar as outras pessoas e aconselhar.
Subiu as escadas fazendo o máximo de barulho que podia para deixar bem claro sua aproximação. Parou em frente a porta e bateu duas vezes antes de segurar a maçaneta, seu coração errando uma batida ao lembrar da última vez que estivera ali, pode-se dizer apenas que a situação era bem diferente.
Clarke parou na soleira da porta, incerta sobre como prosseguir. Tinha se preparado para muitos cenários, mas não para aquele que encontrou. Lexa estava deitada e super concentrada em um livro, o quarto estava completamente limpo e organizado sem nenhum fio no chão e nem cordas de violão na escrivaninha. Na verdade, não tinha sinal dos instrumentos dela em lugar algum, até o poster de divulgação de The Grounders que ela deixava na parede tinha sumido, o lugar que tinha pilhas de CD's agora possuía livros cuidadosamente organizados, or quarto perdeu seu ar musical e ganhou um aspecto silencioso e triste, em outras palavras: não se parecia em nada com o quarto de Lexa.
- Hum-hum - Clarke limpou a garganta para chamar a atenção da morena - Oi, Lex.
A mais nova se virou devagar e encarou a namorada parada na porta do quarto.
- Clarke. - cumprimentou com a voz sem emoção.
Clarke sorriu para ela e colocou as mãos nos bolsos, um esforço para aparentar estar relaxada.
- Agora você é uma estudante organizada? - disse e gesticulou para o quarto arrumado.
Lexa deu de ombros.
- Tinha tempo que Indra me atormentava para organizar tudo, imagino que ela esteja satisfeita agora.
Respostas diretas e sem humor.
- Algumas mudanças podem ser bem vindas se a gente gostar delas, você ta se sentindo a vontade assim? - a loira tentou sorrir - Eu gostava de como seu quarto era antes.
Lexa a encarou por um momento e voltou a dar de ombros.
- Eu só não queria estar perto de música agora, preciso de um tempo. - suspirou e fechou os olhos - Além do mais, acredito que não vou ficar em dormitório de universidade agora já que provavelmente vou ficar no conservatório local e dá para ir e voltar para cá todos os dias.
- Entendo, mas olha, não é tão ruim. - a loira deu um sorriso preguiçoso - Dormitórios são sujos e barulhentos, péssimos para músicos.
A reação que a loira esperou não veio.
- É, imagino que você saiba tudo sobre isso.
Clarke piscou algumas vezes, o tom de voz áspero de Lexa a pegando completamente de surpresa.
- Abandonou os pais apenas para não seguir a carreira que eles queriam, veio para este fim de mundo para estudar Artes e dividir uma casa com as amigas.
- Eu não abandonei a escola, eu só queria a oportunidade de escolher algo por mim. - Clarke falou calmamente, sabia que Lexa tentava magoa-la. Nunca imaginou que os segredos que compartilhou com a mais nova seriam usados contra ela.
- E mesmo assim Artes não toca seu coração, não é? Espera, atualmente alguma coisa toca seu coração? - Lexa perguntou com maldade.
Clarke sentiu sua força de vontade murchar um pouco, mas ergueu o queixo e tentou não deixar transparecer seu orgulho.
- Você e sua música tocaram meu coração, Lexa.
Lexa não estava preparada para uma sinceridade tão crua e a força das palavras de Clarke a fizeram piscar e passar as mãos pelos cabelos. Clarke continuou:
- Não faça isso consigo mesma, comigo e com as meninas. Temos que viajar para o festival amanhã cedo, e não vamos sem você, você nos uniu e trouxe para todas um pouco mais de alegria, você ainda tem opções de faculdade e acima de tudo tem talento, muito talento, não desista disso só porque não conseguiu o que queria.
- "Só porque não consegui o que queria?" - Lexa riu - E o que você sabe sobre ter um sonho e então ver tudo se despedaçar? Nada. Você não sabe nada, porque você não consegue desejar nada por tempo suficiente para sentir uma decepção, você não entende.
Clarke que tinha ousado alguns passos para dentro do quarto parou como se tivesse se deparado com uma parede invisível, mágoa fez seus olhos azuis escurecerem.
- Você está enganada, porque eu quis sim uma coisa com tanto afinco que me decepcionei. Eu quis você.
Os olhos de Lexa brilharam com lágrimas, sua garganta queimando com a vontade de se desculpar, mas ela ainda se sentia tão ferida... Clarke balançou a cabeça negativamente, como se tomasse uma decisão internamente.
- Vamos te esperar no TonDc amanhã, Bellamy conseguiu uma van que dá para levar todo mundo e parte dos equipamentos, esteja lá e mostre algum respeito, porque isso aqui não é só sobre você. - Sem esperar uma resposta, a loira saiu do quarto e bateu a porta.
Lexa permaneceu parada, encarando a porta fixamente e deixando que as palavras magoadas de Clarke ecoassem em sua cabeça. Que merda tinha feito?
[...]
Não demorou muito e outra pessoa apareceu para atormentar o silêncio de Lexa. A garota cogitou não atender a porta, mas não paravam de apertar a campainha e isso a deixava louca de raiva. Desceu as escadas lentamente como se desse tempo para desistirem e irem embora e alcançou a porta para abrir com a cara mais feia que conseguiu exibir.
- Ah, só pode ser brincadeira. - Lexa falou - Vieram esfregar algo na minha cara?
- Por favor, esfregar qualquer coisa na sua cara só se for maquiagem - Costia falou, o rosto vermelho de irritação.
Trenton deu uma risadinha estranha.
- Você está mesmo...ho-rrível. - ele falou se embolando um pouco e soando bêbado.
- Fala sério, o que vocês querem? - Lexa perguntou já ameaçando fechar a porta, mas Costia a empurrou e puxou Trenton para dentro da casa.
- Eu já vou explicar, eu devia ter imaginado que você estaria tão na merda quanto Trenton, mas pensei que sua namorada ia dar um jeito.
Costia conhecia a casa de Lexa, então simplesmente saiu pela casa carregando Trenton até o banheiro. Lexa a seguiu, a vocalista dos The Wolves trabalhou agilmente para tirar a roupa de Trenton e Lexa nem quis imaginar quanta experiência ela parecia ter, deixou o garoto de cueca e o empurrou para dentro do box e ligou o chuveiro.
- F-Frioo - Trenton chiou.
- Que bom! - Costia gritou - Você tem sorte de eu não jogar água da geladeira na sua cabeça. - Virando-se para Lexa ela perguntou - Ainda tem toalhas no armário do banheiro?
Lexa assentiu e correu no andar de cima para pegar uma blusa enorme do namorado de Indra e uma bermuda de dormir que encontrou nas roupas da mulher. Quando voltou, jogou as roupas para Costia e pegou as outras de Trenton para lavar e colocar na secadora, Costia deixou o garoto se vestir e foi para a cozinha.
Alguns minutos depois Lexa entrou na cozinha e encontrou uma Costia mexendo nos armários enquanto Trenton tentava secar os cabelos balançando a cabeça de um lado para o outro.
- Legal, adorei esse momento nostálgico, mas quero saber o que vocês vieram fazer aqui e então quero que vão embora. - Lexa falou ao se sentar.
Costia não a encarou enquanto coava um café.
- Não estamos aqui para relembrar o passado - a menina soou cansada e Lexa se viu prestando atenção em suas palavras - Trenton ficou na merda quando recebeu a resposta dos instituto dizendo que faltava técnica, desde então ele está bebendo por ai e repetindo como "a perfeitinha da Alexa deve ter conseguido", mas ai você não apareceu na escola e eu fui no TonDc ontem e você também não estava com suas amigas, foi fácil descobrir o motivo.
- E dai? Isso não explica vocês invadirem minha casa.
A garota serviu café para cada um e se jogou pesadamente em uma das cadeiras.
- Para com essa merda, Lexa. Eu te conheço. Você e Trenton ficam mal de verdade quando não conseguem o que querem, mas vou contar um segredo para vocês: raramente as pessoas seguem a carreira que sonham! Mas também não ficam desistindo no primeiro obstáculo, caramba, o único de nós que deve estar feliz é o Drosdov que vai fazer exatamente o que ele quer: continuar morando com os pais e sendo bancado por eles sem precisar de um diploma, porque ele estar se formando no ensino médio já é milagre demais.
- Drosdov é um idiota - Lexa resmungou.
- Um idiota sortudo - Trenton falou, o café e o banho pareciam ter clareado sua mente - Eu nem imaginava que queria tanto estudar música até não passar, é que eu fui tão arrogante que nem me inscrevi em outras escolas e agora estou preso ao destino de cursar Economia na faculdade local e seguir os passos do meu pai.
- E eu ainda posso estudar música - Lexa se ouviu falar com desgosto - Mas bem aqui, numa cidade pequena porque as outras universidades me ofereceram apenas 50% do valor e eu não posso deixar Indra com dívidas para seguir meu sonho, como posso crescer aqui? Vou acabar professora de música no mesmo colégio onde estudei.
Trenton a encarou e Lexa ficou surpresa de ver compreensão nos olhos dele, nem uma mancha de deboche.
- Ainda podem fazer algo por si mesmos, mas eu vou para Stanford cursar direito. - Costia falou com amargura.
Lexa e Trenton ficaram imóveis por algum tempo, Costia estava em uma situação pior que a deles. Sabiam como os pais dela presavam a educação e como ela os amava demais para contradizê-los. Lexa ainda estaria perto da música, Trenton poderia tentar uma formação dupla. Ambos ainda podiam fazer algo por si mesmos.
- Crescer é uma merda- Trenton falou.
Lexa riu e concordou.
- E ainda dizem que precisa ser elaborado para filosofar. - comentou, sentindo que um peso tinha sido tirado de cima dela.
O garoto sorriu de volta, Costia apenas observou. Sempre achou que Trenton e Lexa não se davam bem porque ambos tinham muita luz e não sabiam dividir o mesmo espaço sem fazer de tudo uma competição, mas ali estavam: com um objetivo em comum, não desistir.
- Eu pelo menos só fiz coisas que prejudicam a mim mesmo, e você, Alexa, o que fez? - Trenton perguntou com curiosidade sincera.
A garota suspirou.
- Falei coisas ruins para alguém muito importante para mim, abandonei as meninas quando elas estavam mais felizes e provavelmente as deixei com tanta raiva que arruinei nossas chances no concurso.
- Sempre existe a chance de pedir desculpas - Costia falou sabiamente, de repente se mostrando bem mais do que a garota superficial que todos pensavam que ela era - Você e aquelas garotas brilham quando estão juntas, acho que elas estão apenas esperando um pedido seu e então vão te perdoar.
- É verdade - Trenton comentou encarando o café - Elas te respeitam e admiram, você conseguiu algo ali... algo que eu invejo.
- Trent, não fala assim - Costia brigou - Fica parecendo que você desistiu do prêmio do festival.
Os olhos dele brilharam adoravelmente e ele sorriu com doçura para ela, Lexa se viu com uma curiosidade mórbida. Todo aquele tempo pensara que Trenton era um robô sem sentimento, mas ali estava ele se mostrando otário por Costia. Um pouco tarde, é claro, mas estava.
Conversaram e dividiram expectativas e frustrações por mais algum tempo até que anoiteceu e precisavam ir para se prepararem para a viagem. Trenton saiu primeiro e entrou no carro, em tempo que Costia ficou na porta para dizer uma última coisa para Lexa.
- Hey - Lexa chamou quando percebeu que a menina não parecia pronta para dizer nada - Você está bem?
Costia piscou algumas vezes e sorriu distraidamente.
- Estou... Eu apenas... - suspirou - Vamos ser amigas, está bem? Finalmente entendi que você está em outra, apenas se certifique de não esperar tempo demais antes de mostrar o quanto gosta dela.
Lexa engoliu secamente e assentiu.
- Amigas então, vamos fazer algo esse verão e recuperar o tempo perdido. - Costia falou um tanto apressada e se virou para sair, deixando Lexa um pouco extasiada na porta de sua casa, a morena entendeu que a outra precisava do próprio tempo para lidar com o sentimento que tinha descoberto.
Ela voltou para casa sentindo-se mais leve, seu cérebro já buscando formas de se desculpar com Clarke enquanto subia as escadas para fazer as malas.
Capítulo 21
Lexa olhou mais uma vez para o envelope lacrado em cima da mesa e franziu a testa. Como uma simples carta poderia ser tão assustadora? A morena não tinha resposta para isso. Decidindo que não teria coragem para abrir sozinha, Lexa pegou o envelope e dobrou para enfiar no bolso da calça jeans, agarrou a jaqueta que estava pendurada em uma cadeira e saiu de casa no momento exato em que Anya businou.
- Vamos Lex. - a loira apressou a amiga - Estou sofrendo de abstinência musical, não aguento mais.
Lexa deu um sorriso tenso.
- As últimas semanas foram uma loucura, mas aqui estamos: à menos de uma semana para o festival - os olhos da morena brilharam com animação autêntica - Sei que temos chance de ganhar.
- É claro que temos, garota, apenas não esqueça que nosso principal objetivo é animar o público e nos divertir - Anya deu uma piscadela para Lexa. - Precisamos aliviar as tensões e ansiedade dos últimos meses, tipo, a gente tá se formando!
Lexa soube imediatamente que sua amiga estava louca para perguntar sobre a resposta do conservatório, mas estava tentando ser discreta. A garota não conseguiu decidir se isso era um bom sinal. Quando falou, foi bem vaga:
- É meio assustador que o ensino médio esteja acabando.
Anya assentiu e continuou: - Quase não te vi nos últimos dias, ainda praticando?
Ah, a sutileza.
- Na verdade estava ensaiando, você tem passe livre por estar no comitê de formatura, mas o resto da classe da Sra. T. precisam praticar para a apresentação no baile.
Anya olhou para a amiga de esguelha e fez uma careta, resmungando:
- Coisa de nerd.
- Falou a menina que está no comitê de organização do baile! - Lexa bufou.
- Cuidado, Ivanov, isso é ingratidão no seu tom de voz? Estou prestando um favor ao mundo para que contratem Raven como DJ e talvez a gente até consiga tocar lá.
Lexa sorriu e ergueu as sobrancelhas sugestivamente.
- Olha só você, toda comprometida. Deixa eu advinhar, vai contratar o serviço de garçom do TonDc também?
- Claro - a loira praticamente ronronou - não posso sair da escola sem a experiência de pegar um ex aluno no vestiário.
As duas caíram na risada, Lexa sabia bem quem era o ex aluno. Na verdade, a própria russa estava ansiosa para o serviço de garçom do baile, sabia que ele traria Clarke. Graças as regras do colégio o baile era apenas para alunos e professores, acompanhantes de fora não eram permitidos, mas Anya adorava quebrar as regras.
A loira estacionou no TonDc e as duas saíram do carro sem cerimônia. Faziam quase duas semanas que o grupo não se reunia para ensaiar e só teriam mais duas oportunidades antes do festival, estavam afoitas. O bar estava potencialmente vazio, ainda não era horário comercial e só os donos e poucos funcionários circulavam para limpar e carregar caixas para o bar. Anya correu para o bar e Lexa sabia que o interesse da amiga passava bem longe do álcool e bem perto de um rapaz alto e do sorriso bonito. Particularmente Lexa ficava aliviada de ver que Anya tinha fisgado Bellamy, assim não morria de ciúmes toda vez que ele se aproximava de Clarke.
Ao pensar na loira, automaticamente os olhos verdes fizeram uma busca pelo local e encontraram Raven e Octavia conversando perto do notebook, a mecânica parecia mostrar alguma música para a outra. Lexa não estranhou a proximidade das meninas, sua atenção sendo capturada quase que imediatamente pela garota loira que estava perto de sua guitarra e franzia a testa para um caderninho. A morena sentiu uma fisgada em seu interior, como uma linha que a empurrava para Clarke e se aproximou sem hesitar.
-... the darkness, in the middle of... - ela cantarolava, parecia procurar o ritmo certo.
O cabelo loiro caia em cascata por seus ombros e emoldurava o belo rosto, o coração de Lexa tremeu levemente com a visão. Clarke sempre mexia com seus sentidos, mas Clarke concentrada na música deixava a garota completamente desnorteada.
A loira sentiu o olhar da outra sobre si e ergueu o rosto para encontrar Lexa a encarando com admiração, sorrindo com a língua entre os dentes e levemente constrangida por não perceber a aproximação a loira puxou a morena para si.
- Oi - murmurou contra os cabelos da outra. - Oi - Lexa sorriu em seu pescoço, sempre ficava surpresa em como seu humor mudava perto de Clarke.
Se afastaram para se encarar, mas a distância não era maior que alguns centímetros.
- Senti sua falta - Lexa suspirou.
- Eu também senti a sua. - Clarke fez biquinho, por um momento parecia que ela era a adolescente da relação. O pensamento fez a loira arregalar os olhos ao se dar conta de outra coisa - Hey, o seu aniversário está chegando.
Os olhos verdes brilharam.
- Eu sei, uma semana a partir de hoje, parece que você não vai mais namorar uma novinha.
Clarke jogou a cabeça para trás e riu, era tão bom estar perto da outra.
- Hey, que melação é essa? - Raven chiou. - Lexa e Anya chegam e nem nos cumprimentam, vão direto sugar a língua dos respectivos parceiros.
Clarke bufou e se afastou um pouco de Lexa que ria, pegou na mão da garota e foram para perto das outras.
- Exausta de falar que você precisa transar urgentemente - Octavia alfinetou.
- Acho que Anya e Bellamy tem feito de sobra para suprir a necessidade do grupo inteiro - Raven comentou com doçura.
Octavia ficou pálida e lançou um olhar mortal para Anya que se afastou de Bellamy e se aproximou das amigas tendo a decência de permanecer em silêncio e sem olhar para a cunhada. Raven sorriu com satisfação.
- Ótimo, hoje vamos usar boquinha que Deus nos deu para mais do que beijar - a mecânica começou com seu tom de general, mas os olhos brilhavam quando ela pegou algumas folhas e distribuiu para a Lexa e Anya - Vocês disseram que eu tinha total jurisdição para escolher as músicas, podem olhar, Clarke e Octavia já estão sabendo.
- Um dueto? - Lexa engasgou - Em um festival?
- Isso não está meio batido não? - Anya perguntou.
Raven revirou os olhos, mas foi Octavia quem respondeu:
- Não, com certeza não. Esse dueto é um mashup especial que Raven fez para Clarke e Lexa, as músicas são hit teen e o que vai dar nesse festival é sub 17, pode esperar.
Lexa pensou um pouco e assentou lentamente.
- Acho que faz sentido, os The Wolves com certeza vão apelar para o juvenil na hora de escolher as músicas e tenho certeza que Trentom vai abusar dos duetos com Costia, talvez ele arrisque uma música solo.
As meninas concordaram. - Por isso escolhi essas outras músicas - Raven explicou - Enquanto eles vão chamar atenção por usarem músicas que adolescentes gostam, nós vamos usar o que anima as pessoas e apenas esse dueto nos garante a mistura de duas músicas que estão no top das girlgroup hoje em dia.
- É meio brilhante - Anya elogiou.
- Verdade - Lexa sorriu para a mecânica, era brilhante. - Só fico apreensiva se vamos conseguir ficar boas com o ensaio de hoje e mais um. Sexta de manhã estaremos com o pé na estrada.
Todas exibiam expressões que variavam de ansiedade e animação extrema, mas também pareciam convictas de que estariam prontas.
- Eu nasci pronta - Anya falou enquanto checava as unhas impecáveis - o resto é com vocês.
Com o gelo quebrado e uma sequência de revirar de olhos, Clarke se manifestou:
- Vamos começar, temos um festival para ganhar no final de semana.
Cada uma tinha as folhas com as músicas e as alterações para cada instrumento, primeiro ensaiavam individualmente e depois juntavam as partes, Clarke e Lexa se afastaram para conversarem sobre o mashup.
- Acho que Raven dividiu perfeitamente - a loira comentou - Minha voz não é tão doce quanto da cantora original, mas com esse arranjo deve ficar bom.
- Vai ficar ótimo, dá última vez que cantamos juntas foi perfeito - Lexa falou e recebeu um sorriso antes de começarem.
Foi preciso alguns exercícios vocais e então muitas tentativas de sincronia para cantarem e tocar para então se juntarem as outras e ensaiarem de verdade. Quando terminaram já estava quase na hora do bar abrir.
- Puta merda! - Lexa exclamou - Está tarde, Indra vai me matar.
- Qual é, não pode ficar para a pizza? - Octavia perguntou.
- Não, preciso estar na escola amanhã cedo, são as regras do dia de semana - a menina encolheu os ombros quando as outras exibiram sorrisos zombeteiros.
- Eu levo você - Clarke se ofereceu - Se Anya não se importar.
A amiga de Lexa deu de ombros, a atenção em Bellamy.
- Tudo bem, vamos então.
Lexa se despediu das meninas e pegou seus papeis e sua guitarra para ensaiar em casa, Clarke gritou que guardassem pizza para ela e seguiu a morena para fora do bar.
Pararam perto do carro da loira e Clarke não resistiu a puxar a garota para perto e puxar seu lábio inferior levemente antes de beijá-la. As bocas formigaram um pouco com a saudade, o gosto doce passou de Lexa para Clarke e a garota se viu suspirando levemente nos lábios da morena. Quando se afastou, o azul de seus olhos estavam escuros.
- Não me deixe com saudade de novo.
- Isso é uma ameaça?
Um som sensual escapou da garganta de Clarke, fazendo Lexa rir ao entrar no carro.
- É uma promessa.
[...]
Clarke estacionou em frente a casa dos Ivanov com uma expressão triste, via a namorada com pouca frequência graças às provas de fim de semestre e seu projeto de fim de período. Aquele tempo que passavam juntas era precioso. A expressão de Lexa exibia uma tristeza diferente, não tinha nada a ver com Clarke e tudo a ver com seu futuro. A carta parecia super quente em seu bolso deixando a garota nervosa.
- Você recebeu a resposta da faculdade, não é? - Clarke perguntou delicadamente quando fez uma lista mental do que poderia deixar a menina daquele jeito. Lexa assentiu lentamente - E?
Com um suspiro a morena respondeu: - Ainda não tive coragem de abrir.
Clarke pegou a mão dela, as palavras lhe faltavam para oferecer conforto para a garota. Para ela que sempre tivera as coisas fáceis e não tinha muita expectativa era difícil entender o que a outra passava.
- Estou aqui, quer que eu abra? Ou posso apenas ficar ao seu lado enquanto você lê.
Os olhos de Lexa pareceram brilhar com lágrimas rapidamente então ela piscou e as afastou.
- Sei que pode parecer bobo... Mas estou com medo.
- Está tudo bem, não tem como você não ter passado. Aquele conservatório precisa de você - Clarke sabia que era um risco pronunciar a frase com tanta confiança, mas pareceu ser justamente algo que Lexa precisava ouvir.
Precisava de alguém que acreditasse nela. Com um inspirar forte e longe, Lexa tirou um envelope do bolso, encarou o objeto longamente e Clarke apertou sua coxa de leve, uma mensagem "continuo aqui". Sem olhar para a loira, mas super agradecida pela presença e paciência oferecida, a morena abriu o envelope e encarou as palavras impressas, assinatura do reitor do conservatório e o carimbo no final.
"Srta. Ivanov, com pesar informamos que sua audição foi arquivada, não estamos descartando seu currículo completamente e você poderá fazer outra audição no inverno para as turmas de meio do ano, mas selecionamos apenas os candidatos com habilidades acima da média. A Srta. tem um potencial incrível, não desista do seu sonho e viva a música.
Diretor do departamento dr música, Julian Jacos.
Reitor, Gabriel Havilliard.
James Madison University School of Music."
Lexa leu a carta mentalmente, não precisou percorrer olhar para o papel uma segunda vez e quando ergueu o rosto sua expressão estava tão vazia e desolada que Clarke não ousou fazer perguntas. Sem nenhum olhar ou palavra para Clarke, Lexa soltou o cinto de segurança e abriu a porta do carro e atravessou a rua sem olhar para trás.
Clarke engoliu seco, seu coração se partindo um pouco. Nunca em um milhão de anos ela estaria preparada para o olhar vazio no rosto de Lexa, aquele rosto que era sempre cheio de vida. A loira permaneceu no acostamento, encarando a porta fechada da casa da namorada por um bom tempo debatendo se ia ou não atras da menina, por fim decidiu que ela precisava de um tempo e que logo estaria bem e deu partida no carro.
Capítulo 20
Existe um momento em que tudo parece funcionar na mais perfeita harmonia. É simplesmente assim que as coisas são, uma hora elas dão errado e parece um dominó: uma peça caindo atrás da outra. Outra hora as dúvidas somem, as coisas parecem se alinhar e tudo que resta é um sorriso esperançoso e um coração leve. Ao menos Lexa estava se sentindo assim durante o penúltimo ensaio antes do festival. Anya até estranhou o seu comportamento.
- Okay, sei que sua audição era de um estresse do caramba, mas ai ficar assim tão leve depois? - ela balançou a cabeça negativamente - É estranho, pensei que você ia ficar super paranoica na espera do resultado.
- Até eu estou um pouco preocupada - Raven comentou - Clarke saiu do tom umas três vezes e Lexa nem reclamou, tipo, o que?
Octavia deu uma risadinha e fez o som de mistério na bateria.
- As duas estão estranhas porque transaram, é só aquele torpor de estar com a pessoa que você gosta.
Lexa ficou vermelha.
- O! Isso é besteira, só estou otimista com esse festival, acho que podemos ganhar - ela trocou um olhar com Clarke e sorriu - Dei meu melhor naquele teste, só posso esperar pelo melhor resultado.
- Vocês estão enrolando, - Clarke resmungou para as meninas e piscou para Lexa - esse é nosso último ensaio e não podemos ficar distraídas.
As companheiras reviraram os olhos uma sequência de vezes, era nítida a mudança no grupo. Clarke e leve estavam leves e tranquilas, nem um única tensão sobre seus ombros, era bom, mas também era estranho.
- Eu tenho um bom palpite de como Trenton vai montar a lista de músicas dele - Lexa falou - Com certeza vai cantar uma solo, dar uma solo pra Costia e então cantar uma com ela.
- Isso é inteligente, público de festival espera mesmo agitação e cantar com alguém proporciona isso. - Raven assentiu - O que faz da combinação das vozes da Clarke e da Lexa nossa melhor arma.
- Puta merda! - Anya deu um gritinho, os olhos brilhando com animação - Eu sei como podemos fazer isso, Clarke vai precisar de um treinamento vocal de última hora.
[...]
As meninas marcaram de ensaiar pela última vez um dia antes de viajarem para o festival para não atrapalhar Lexa e Anya com as provas de fim de semestre. Uma semana inteira de provas e outra apenas para visitar as outras opções de faculdade, Lexa e Clarke se encontravam durante a noite e discutiam coisas da vida e compartilhavam suas experiências. Numa noite dessas, estavam aproveitando que a noite estava mais quente com a proximidade do verão, Clarke e Lexa se acomodaram em uma rede na varanda da casa de Lexa e olhavam as estrelas. O quintal estava propositalmente mal iluminado e Indra fazia vista grossa para o encontro, dando as meninas alguma privacidade.
Clarke descansava a cabeça no colo de Lexa e olhava para o céu que começava a mostrar algumas estrelas. A loira tinha seu olhar de sempre, vago e misterioso, com aquele brilho triste ao fundo. Era uma expressão rotineira, mas ainda deixava Lexa incomodada.
- Clarke... - a morena chamou com cuidado.
-Huh? - Clarke murmurou preguiçosamente.
- Por que seu olhar é sempre tão triste e vago?
Clarke olhou para a namorada e levantou de seu colo.
- Não é triste. É só... - Desinteressado? - Lexa sugeriu.
A loira suspirou. - É... Mais ou menos.
Lexa ficou em silêncio, remoendo em sua mente o que aquilo significava. Por mais que tentasse não conseguia encontrar sentido no que Clarke falava.
- O que falta?
- Desculpe? - a loira perguntou um tanto confusa.
- O que está faltando na sua vida que te deixa assim?
- Oh. - Clarke encarou a mais nova como se ela tivesse orelhas de gato na cabeça e então endureceu - Não sei, mas também não acho que seja tão simples como "querer" ou "precisar" de alguma coisa, acho que alguns de nós simplesmente não possuem a intensidade necessária para ficar satisfeito com a vida.
- Engraçado, quando você está cantando ou pintando dá pra sentir muita intensidade.
Clarke deu de ombros, o assunto a incomodando profundamente.
- É complicado, Lex. Vejo a arte como uma forma de expressão, mas não me sinto totalmente conectada com ela. Gosto de música, gosto mesmo, estar na The Grounders é uma das melhores escolhas que já fiz, mas não tem para mim o mesmo significado que tem para você. Eu amo tocar com vocês, mas estou num caminho próprio de autoconhecimento, ainda estou procurando o que me preenche. Entende?
- Sim... Acho que entendo - Lexa deu um meio sorriso decepcionada, não entendia como alguém tão talentosa pudesse estar tão sem raiz - Tudo bem, as vezes fica parecendo que eu sei tão pouco sobre você.
Clarke se aproximou e acariciou a bochecha de Lexa e deu um sorriso.
- Não tem muito para contar, mas me diga o que quer saber.
- O que seus pais fazem?
- Minha mãe é médica e acha que ser uma artista vai me deixar pobre, meu pai é um engenheiro e apesar de nos falarmos pouco, ele me dá muito apoio.
- Por que você não fala muito deles?
- Eles estão por ai, Lex, sendo bem sucedidos enquanto eu estou aqui procurando nem sei o que. - a loira explicou com a testa franzida e um quê de frustração. Lexa percebeu que Clarke não era tão indiferente, ela era confusa, mas se esforçava muito para parecer indiferente. A mais nova não resistiu e puxou a loira para um beijo carinhoso, e um abraço a seguir.
- Me desculpe por tocar num assunto delicado, estou apenas curiosa a seu respeito.
Clarke sorriu e ergueu uma sobrancelha.
- Apenas não faça muitas perguntas, eu tenho uma reputação de bad girl misteriosa a zelar.
- Claro, tudo em nome das aparências.
Clarke riu, seus dedos percorrendo a pele exposta do braço de Lexa e os olhos escurecendo pata falar:
- Mas eu tenho uma curiosidade a seu respeito, o que você gosta de comer?
A respiração de Lexa travou na parte de trás de sua garganta com o efeito das palavras de Clarke. Decidiu brincar, afinal estavam ao ar livre e ela não tinha certeza sobre sua força de vontade.
- Eu gosto daquele Hambúrguer, X-Loirinha.
Exatamente como ela esperava, Clarke parou na metade do caminho até seus lábios e explodiu em uma risada que preencheu o espaço em volta delas, e lá estava o clima leve de novo.
Capítulo 19
Dizer que Clarke ficou surpresa quando Lexa apareceu em sua porta é minimizar a situação. A garota estava sozinha, usando um sobretudo e o cabelo solto, o rosto corado e os olhos brilhantes. Clarke teve medo de que a morena tivesse desistido do teste.
- Lexa? Meu Deus, o que está fazendo aqui? - perguntou assustada - Está tudo bem? Você não respondeu á nenhuma das minhas mensagens e eu...
- Está tudo bem, Clarke - Lexa falou com seu jeito manso e seu sotaque - Estou aqui porque preciso de você.
- O que? - a loira ainda estava confusa - Correu tudo bem no teste? E Indra sabe que você está aqui?
Lexa se conteve para não revirar os olhos, sua força de vontade murchando um pouco.
- Clarke, se acalme, o teste foi bem e Indra me trouxe aqui.
A loira pareceu aliviada.
- Ah sim, quer entrar? - perguntou já abrindo espaço para a outra passar - Nunca pensei que você soubesse onde eu moro.
- Já faz algum tempo que eu sei. - Lexa falou sem dar atenção para a bagunça de telas e tinta ao redor delas, sua atenção toda em Clarke - Veja bem, Clarke, estou aqui porque tenho uma urgência.
Clarke avaliou a menina a sua frente e assentiu, pelo brilho no olhar de Lexa ela com certeza poderia deduzir seus motivos.
- Aquele dia no TonDc... não foi porque você é mais nova - tratou de se explicar - Foi porquê eu acho que você merece a melhor forma e ambiente que eu possa oferecer.
Lexa deu um passo a frente.
- Eu não preciso de todo esse romantismo, Clarke. Só preciso de você - a morena suplicou ao dar mais alguns passos para perto da loira e se inclinar em direção aos seus lábios.
A loira ficou surpresa, muito surpresa e precisou de algum tempo para colocar as mãos na cintura de Lexa com incerteza. O beijo que começara doce estava rapidamente se transformando em algo quente e profundo, fazendo com que as duas se afastassem para recuperar algum folego. Ao olhar para aquela versão de Lexa em sua frente, Clarke pensou que a estava vendo pela primeira vez. Realmente vendo. Sem nenhuma amarra ou preconceito com sua idade.
- Lexa...
- Não. Você quer isso tanto quanto eu, meu aniversário é daqui uma semana, você quer realmente esperar?
- Lexa, eu não sei...
- Não faça isso. Eu quero, de verdade, e quero que você saiba disso. - Lexa suspirou, mas seu aperto em Clarke ficou frouxo, dando espaço para a menina se afastar se quisesse.
A determinação e compreensão em seu rosto foram um tapa na cara de Clarke, e logo ela puxava a cintura de Lexa para si e passava a distribuir beijos em seu pescoço e queixo, apenas para alcançar o ouvido da morena:
- Diga-me que você quer isso.
- Eu quero. - Lexa arfou.
Os olhos de Clarke brilharam com luxúria e ela tomou a boca de Lexa com a sua num beijo ardente, mostrando seu lado dominador. Soltando a cintura da morena e deixando suas mãos passearem pelo longo cabelo castanho e escorregando para os botões do sobretudo e abrindo. Lexa usava um vestido preto por baixo do casaco, era discreto, mas com a luxúria que dominava Clarke e a intensidade do momento ele parecia a coisa mais sexy que ela já usara.
Lexa fechou os olhos e aceitou o beijo de Clarke, adorando como a loira estava feroz e se surpreendo com a sensações que seus toques causavam em seu corpo. Seus sapatos desapareceram num instante junto com os de Clarke, suas costas foram de encontro a parede e uma de suas pernas enlaçou a cintura da loira a sua frente. Lexa choramingou um pouco quando Clarke soltou sua respiração no decote de seu vestido, mas não deu a devida atenção para aquela parte do seu corpo, sua mão descendo para a coxa enquanto a outra segurava estava em meio as madeixas castanhas.
Só os beijos já não eram suficientes e Lexa empurrou Clarke de encontro ao sofá, mas logo teve a posição invertida e foram seus joelhos que encontraram o estofado, um gemido logo ecoando pela sala quando a loira tomou seus lábios impiedosamente. Onde aquela Clarke se escondia?
Clarke guiou as mãos de Lexa até a barra de sua blusa e a morena puxou, relevando sua barriga curvilínea e os seios firmes. Os dedos trêmulos da morena explorando com avidez, seus lábios acariciando os ombros da loira. Clarke podia estar tão dominada pela luxúria quanto Lexa, mas seus movimentos era fluídos pela prática, facilmente encontrou o zíper do vestido da morena e não hesitou em puxá-lo, adorando o som que fazia. Deslizou o tecido pelo corpo da russa e o observou cair no chão antes de empurrar a garota para o sofá e se deitar sobre ela. Lexa usava um conjunto de lingerie simples, nada particularmente sexy e que ainda abraçava seu corpo maravilhosamente.
- Você é linda. - murmurou enquanto passava os lábios por toda a extensão da barriga de Lexa até seus seios.
Clarke gostaria mesmo de não estar com tanto desejo que pudesse apreciar o sutiã deixando o corpo da morena lentamente, mas não estava naquela condição. Tirou a peça com habilidade e jogou no chão, tomando um dos seios com a boca e outro com a mão sem hesitar, deixando que o gemido de Lexa fizesse seu ventre esquentar. A morena se perguntou diversas vezes como era possível ela estar tão molhada e ainda não ter gozado, então, apesar da avidez dos movimentos de Clarke, foi Lexa quem levou as mãos até o cós da calcinha e tirou a peça um tanto desajeitada, já que Clarke estava sobre seu corpo.
- Oh, alguém está com pressa. - Clarke ronronou.
- Merda, você está comigo com essa tortura. - Lexa choramingou quando os dedos loira testaram sua pele macia entre suas pernas.
Finalmente Clarke a tocaria onde ela queria, num lugar que oferecia algum alívio.
A mão da loira fez movimentos circulares na área mais sensível do corpo de Lexa, arrancando suspiros da menina e fazendo-a erguer o quadril em busca de mais. Clarke estava hipnotizada e apesar de sua vontade de brincar, precisava sentir mais de Lexa e sabia que se não buscasse logo a menina gozaria antes que ela estivesse dentro dela. Graças aos fluidos de Lexa e do movimento de seu quadril, o dedo de Clarke escorregou facilmente para o seu centro. As paredes de tecido forçando-o um pouco e arrancando um gemido de ambas, não precisou nem um pedido para que Clarke começasse a fazer movimentos reais. Sua boca buscou a de Lexa ao passo que as mãos da morena buscaram suas costas e seios. A sala estava ecoando gemidos de êxtase e de excitação, palavras desconexas eram proferidas por ambas garotas, os corpos já cobertos com uma fina camada de suor se buscavam mais e mais até Lexa estar tremendo e respirando com dificuldade. Clarke, tomada pela intensa onda de prazer que sentiu ao levar sua garota ao orgasmo, rangeu os dentes e apertou Lexa enquanto um orgasmo psicológico sacudia seu ser.
Se olharam longamente, a cabeça pesando um pouco, mas o corpo pedia para fazerem de novo. Com calma agora. Não tinha ocorrido á elas antes, mas tinham todo o tempo do mundo agora. E todo ainda seria pouco.
Lexa ergueu uma sobrancelha e se aproveitando do estado de fascionio de Clarke, trocou de posição com ela e cravou as unhas no cós de seu jeans.
- Tenho uma nova urgência. - disse com seriedade.
- E qual é? - Clarke perguntou cinicamente.
- Te deixar nua.