#6 O MILAGRE DE ANNE SULLIVAN
Título Original: The Miracle Worker
Ano: 1962
Diretor: Arthur Penn
O longa de 1962 dirigido por Arthur Penn nos leva para o fim do seculo XIX e nos apresenta a infância árdua da jornalista, escritora, filósofa e ativista social Hellen Keller que desde os seus 18 meses de vida não enxerga, não ouve e não fala.
Até seus 7 anos de idade, Hellen vivia em seu próprio mundo escuro, nunca foi ensinado a ela sobre o significado das coisas ao seu redor, que tudo tinha nome e nem como viver em sociedade. O que acabou transformando-a numa garota selvagem e mimada, pois sem disciplina e sem noção do que é certo ou errado ela fazia o que queria.
Seus pais não suportando mais a situação cômoda que eles mesmo criaram, acabam cedendo e procuram ajuda. Contratam uma professora chamada Anne Sullivan, sem esperança que a filha aprenda algo. Anne Sullivan foi cega durante anos e após algumas cirurgias voltou a enxergar, aprendeu a ler, se formou e se tornou uma referência em educação inclusiva ao longo do século XX.
Neste ponto que o filme começa a ficar mais interessante. Desde sua chegada, Anne Sullivan percebe que a garota sempre foi tratada como uma criatura incapaz de coexistir, então as duas desenvolvem uma relação bastante intensa como muitos altos e baixos. O roteiro explora de forma sagaz e incrível a construção e a evolução dessa relação. Anna Sullivan além de tentá-la ensinar com linguagem de sinais, também usava métodos de cunho ortodoxo e as vezes violento, porém compreensível para a época. Apesar de endossar a rigidez que chega a ser assustadora, é notável sua preocupação e dedicação quase maternal em prol do aprendizado de Hellen.
Todas as cenas são inspiradoras. Você ri de nervoso, fica tenso, agoniado, preocupada e chora de emoção. A entrega das atrizes Anne Bancroft e Patty Duke nos papéis de Anne Sullivan e Hellen Keller são de tirar o fôlego. Principalmente na famosa cena da sala de jantar.
Ao notar que Hellen não se sentava à mesa para comer assim como os demais familiares e tateava de prato em prato ”beliscando” a comida de todo mundo, Anne decide ali mesmo ensinar a menina a se comportar e comer sentada com prato e talheres. De forma rígida a professora bota todo mundo pra fora mantendo apenas as duas e o clima de tensão se instaura na sala. Na tentativa de ensiná-la a comer com uma colher as duas começam a medir forças num clima frenético. As duas atrizes sustentam 8 minutos de cena sem nenhuma fala apenas trocando tapas, puxões, empurrões e destruindo louças e utensílios. Uma verdadeira aula de cinema!
Tamanha sintonia das duas é resultado da mesma parceria delas com a história adaptada para os palcos anteriormente. As estrelas Elisabeth Taylor e Audrey Hepburn foram escaladas para os papéis principais mas Arthur Penn fez questão de trabalhar com as mesmas atrizes da peça teatral que foi adaptado por ele também. Deu tão certo que as duas ganharam o Oscar de melhor atriz e atriz coadjuvante daquele ano e o filme ainda recebeu mais 3 indicações (Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Figurino). O roteiro ganhou mais duas adaptações, um em 1979 e outro no ano 2000.
Sem dúvidas este filme é um dos maiores clássicos dos anos 60. Arthur Penn conseguiu mostrar de forma realista e emocionante o ponto de vista tanto pedagógico quanto o olhar de superação, determinação e o modo sensível de alguém que apenas precisava e queria aprender a sair de sua própria escuridão.












