~the road to my heart is paved with paw prints~ parte II DaeMarc
@thestupidfrench
Era horário de almoço e Hyungdae estava de volta em casa após uma manhã inteira organizando entregas. Felizmente, a mostra de um artista revelação na sua galeria havia sido um sucesso e clientes interessados pelas obras não paravam de chegar. O trabalho sempre o mantinha com a mente ocupada, porém, para seu azar, assim que entrou em casa, avistou algo que trazia memórias não muito boas. Sobre uma mesinha de canto estava uma coleira vermelha, que Mignon usava quando o encontrara. Enquanto estava fora, a faxineira limpara os quartos e a sala, então provavelmente encontrara o objeto perdido embaixo de algum móvel. O galerista lembrou que tirara a coleira do gato na sua visita ao veterinário, colocara no bolso e desde então se esquecera completamente dela. Não tinha nenhum pingente com informações sobre o dono, então por mais que soubesse que o gato não era de rua, não havia como saber pra quem devolvê-lo. E, claro, não demorou muito para que se apegasse ao pequeno, deixando totalmente de lado qualquer vontade de retorná-lo à sua casa original - até ser afrontado diretamente pelo verdadeiro dono.
Os dias de Hyungdae após a devolução do Mignon não foram mais os mesmos. Chegar em casa sem ser recepcionado com miados na porta, escrever contratos de compra e venda sem uma companhia no seu colo, almoçar sem olhos pidões implorando por um pedacinho de carne… Talvez lá no fundo, por trás de pilhas intermináveis de trabalho e responsabilidades, o marchand se sentisse sozinho. Ele era bom em falar com pessoas - quando fosse conveniente -, mas terrível em mantê-las por perto. Tinha dificuldade em entender os sentimentos dos outros, muitas vezes julgando-os como drama desnecessário o que, juntamente com seu ego desproporcional, conseguia transformar pequenos desentendimentos em uma bola de neve. O único que conseguia entendê-lo e aceitá-lo verdadeiramente era o gato Mignon, que agora devia estar com seu dono em um apartamento qualquer do condomínio.
Segurando a coleira, pensou que aquela poderia ser uma desculpa para rever o bichano, nem que fosse apenas por alguns minutos. No entanto, não fazia ideia de onde ele estaria, e não queria pedir ajuda para o vizinho que o havia entregado. Suspirou ao pensar que seu plano havia falhado antes mesmo de entrar em prática, porém logo em seguida se deu conta de um pequeno detalhe: todas as informações sobre Mignon e seu dono estavam naqueles pôsteres que ele havia arrancado. Fazia apenas alguns dias desde o incidente, alguns papéis ainda deviam estar colados pelo condomínio. Sem pensar duas vezes, saiu de casa a pé, algo raro, ainda vestindo camisa social e sapatos, sua roupa de trabalho.
A área dos prédios era distante das mansões, muito mais que parecia quando estava de carro. Quando finalmente passou em frente aos blocos, já sentia sua pele grudando de suor, algo que considerava extremamente desagradável e fez com que sua testa se franzisse de nojo. Pelo menos seu esforço não foi em vão, pois andando por ali logo encontrou um dos cartazes que restara. “Bloco C, hm?”, falou consigo mesmo ao arrancar mais aquele papel, ainda que desta vez fosse sem más intenções. Olhou ao redor, o prédio em sua frente era o A, então não devia estar muito longe.
Chegando ao sétimo andar, assim como indicado no cartaz, parou por um instante em frente ao espelho no corredor para dar um jeito na aparência. Limpou o suor do rosto e ajeitou a camisa antes de prosseguir, pois apesar de tudo nunca podia perder a pompa. Com isso, tocou a campainha e aguardou, nervoso, até que alguém atendesse. Realmente esperava que o rapaz morasse sozinho, pois seria vergonhoso explicar a situação para outra pessoa.












