𝐏𝐀𝐍𝐈𝐂 𝐒𝐓𝐀𝐓𝐈𝐎𝐍 eris & ezzy
a única coisa que eris não queria era desapontar aslan e foi exatamente o que ela fez. anos de espionagem não tinham lhe ensinado nada? que tipo de gente não aceita intimidação? será que deveria ter usado de suborno? sequestrar a filha de alguém e exigir que a pareassem com um dos yeager? sua cabeça era um emaranhado de possibilidades de como deveria ter agido para que seu objetivo fosse cumprido como o chefe esperava. agora era tarde e por mais que sempre preferisse pensar em soluções invés de problemas, ela não tinha ideia de como consertar aquilo.
talvez fosse um exagero da sua parte pensar daquela forma. talvez aslan não ficasse tão frustrado com seu desempenho patético como ela pensava... ou talvez ficasse e a destituísse de sua função. ela seria uma miserável sem trabalho. e mesmo se tomasse medidas mais extremas, ainda assim, ela pensou, não seria pior que seus anos na casa de vittoria. nada nunca seria pior do que as mãos passando pelo seu corpo. os sussurros e suor enquanto ela parecia estar em outro mundo, completamente alheia, mas sentido cada célula do seu corpo querendo apenas deixar de existir.
eris se encostou na parede. não sabia porquê estava agindo daquela forma. ela tinha escapado e se tornado alguém que jamais deixaria aquele tipo de coisa acontecer novamente. tentou segurar uma das pistolas (fate), mas ela não estava lá. certo, tudo aquilo era um shitshow. então se concentrou em lembrar das armas que ainda carregava consigo. duas pequenas lâminas escondidas no sapato e na joia que adornava seu braço não faziam eris se sentir menos despida. odiava que não importava o quanto treinasse, os litros de sangue nas mãos, no final ela acabava com a única sensação que desejava nunca mais sentir: vulnerabilidade.
respirar ainda era difícil, mas ela continuou andando até achar uma fonte. para completar sua vergonha, sequer tinha coragem de aparecer na frente de aslan daquele jeito, então era melhor que voltasse ao normal. sentou na beirada do monumento de provavelmente mármore. eris ouviu alguém se aproximando e quando levantou o olhar, quis se afogar na fonte.
se acreditasse em deus, ela teria ficado muito puta. era como que alguém invisível estivesse rindo da cara dela naquele momento. poderia ter ignorado a presença dele, mas então ficaria óbvio que as ultimas semanas que estivera se fazendo presente na vida dele eram apenas encenação. ❛ hey coronel ❜ forçou um sorriso na direção dele, mas seus olhos vagavam sem conseguir focar no homem.
eris pouco tinha notado a vizinhança enquanto andava, agora que começava a prestar mais atenção. todas as casas eram iguais, tudo muito limpo e organizado, um ótimo lugar para crianças. eris deveria estar morando na mesma casa ridícula daquele indivíduo, ter filhos de cabelos pretos e olhar intenso. provavelmente seriam altos e espertos, feitos para o exército como ambos eram. ela tentou se imaginar grávida, dando à luz uma criaturinha, mas não conseguiu. ❛ feliz com o pareamento? claro, tirando o fato que agora você está preso com trabalho de mesa invés da parte divertida ❜ ela sabia que essa era uma das coisas que mais o frustrava com o projeto matrimônio. esperava que @ezyeager estivesse pelo menos 50% tão miserável quanto ela.









