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Adequação e inadequação linguística
Por: Nadine Russo
A comunicação é a base da vida em sociedade. Ao comunicar-se com outra pessoa e para que seja feito de maneira eficiente, é necessário realizar uma adequação da linguagem. Você dialoga com seus amigos da mesma forma em que se expressa em uma entrevista de emprego um tanto quanto importante? É provável que a resposta tenha sido “não”, pois adequamos nossa linguagem de acordo com o contexto de comunicação que estamos envolvidos. Portanto, quando utilizamos o código, que é a língua portuguesa, envolvemos inúmeras operações mentais que nos levam a escolher o vocabulário e até mesmo o jeito mais apropriado de se comunicar, sendo assim podemos variar de acordo com a determinada situação em que somos expostos.
Somos poliglotas, mesmo quando dominamos uma única língua. Possuímos a grande capacidade de adaptarmos a linguagem em diferentes contextos de acordo com a necessidade do momento, podemos optar por dois diferentes registros da língua portuguesa, seja ele a variedade padrão ou a variedade popular, também conhecida como linguagem coloquial, fazendo usos diferentes de um mesmo idioma. Entretanto, vem a adequação linguística.
Contudo, durante muito tempo, buscou-se uniformizar a linguagem, consequentemente, tudo o que fugia da gramática normativa era considerado erro e deveria ser evitado, havia uma maneira “certa e errada” de utilizar a língua. O principal objetivo era fazer com que a fala fosse uma transcrição fiel da escrita na norma padrão. Atualmente, com o avanço dos estudos na área de linguística, os conceitos de “certo” e “errado” deram lugar aos conceitos de “adequado” e “inadequado”, essa mudança tem a principal característica a visão de que a linguagem (processo de interação comunicativa) não é homogênea e a língua é viva e adaptável as situações de uso. (Mikhail Bakhtin)
Dentro de uma situação de comunicação há vários fatores que interferem diretamente na maneira em que o diálogo é construído, tais como o grau de formalidade de um assunto, o nível de relacionamento entre os interlocutores, a bagagem cultural que cada participante do discurso traz consigo, o ambiente em que ocorre a situação comunicativa, a intenção comunicativa, entre outros.
Entretanto, pode-se afirmar que em uma conversa entre amigos, por exemplo, o uso da linguagem coloquial e de gírias está completamente adequado, segundo o grau de informalidade da situação, a intimidade construída pela amizade e a descontração do ambiente. Porém, em uma conversa entre funcionário e patrão em um ambiente corporativo, fazer o uso da linguagem coloquial (e até de gírias) é considerado inadequado segundo a formalidade do local, a relação de subordinação entre os falantes e o tema do assunto.
O linguista José Luiz Fiorin nos apresenta seu ponto de vista, na obra Introdução a Linguística Vol.1 Objetos Teóricos, no qual aconselha a troca da ideia de “erro linguístico” (imposto pela gramática tradicional) pela ideia de adequação/inadequação linguística. Nota-se que Fiorin não acredita na existência do erro linguístico, ou seja, um falante nativo sempre sabe falar sua própria língua, mas ele defende a existência do erro extralinguístico, social. Ao dizer adequado/inadequado ele manifesta-se a favor de que há situações comunicacionais nas quais o aspecto social deve ser observado e há momentos onde a norma formal é exigida, assim como há momentos que pedem uma variação informal ou coloquial da fala ou escrita.
Outro linguista de extrema importância, Marcos Bagno, também descontrói a ideia preconceituosa de que somente quem fala de acordo com a norma culta, fala a nossa Língua Portuguesa, em sua obra “Preconceito Linguístico, o que é, como se faz”.
Portanto, o “erro” precisa deixar de ser visto como incapacidade linguística, pois há diferentes formas de falar e escrever. Sendo assim, deve-se saber qual é o contexto em que estão inseridos no momento da comunicação e se pode utilizar uma linguagem formal ou informal adequada a situação comunicativa.
Referências:
*SEED: Oralidade e escrita. Disponível em: <http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/18-4.pdf> Acesso: 16/09/2017
*FIORIN, José Luiz (org.). Introdução à Linguística. Vol. 1 Objetos Teóricos. São Paulo: Contexto, 2017
*Decifrando a Língua: Adequação e Inadequação. Disponível em: <
https://decifrandoalingua.wordpress.com/2013/02/28/adequacao-e-inadequacao/
> Acesso: 14/06/2017
*Conversa de Português: adequação e inadequação linguística. Disponível em: <
http://conversadeportugues.com.br/2015/11/adequacao-e-inadequacao-linguistica/
> Acesso: 16/09/2017
*BAGNO, Marcos. “Preconceito linguístico”. 49° edição, ed. Loyola, São Paulo, 2007.
Cacofonia
Cacofonia. A palavra em si já não é muito agradável em ser pronunciada, certo? No entanto, isso não a torna mais interessante? Como pode uma simples palavra definir outras, sua classe fonética e afins?
É considerado um vício da linguagem, ou seja, erro gramaticais cometidos por descuido e até hábito, como também o arcaísmo, o pleonasmo, o estrangeirismo, entre outros. A cacofonia forma expressões com sons desagradáveis, outras vezes ambíguas, e muitas vezes com baixo calão.
A etimologia dessa palavra é grega e se explica assim: kako + phóne, respectivamente, caco + fonia, que então pode ser traduzida como malsonância, ou melhor dizendo, som que soa mal, e o melhor exemplo disso é a palavra sicrano, que muitos pronunciam ciclano achando ser a maneira correta, mas não é.
No entanto, os exemplos mais conhecidos de cacofonia, são os trava-línguas, como esse: "Num ninho de mafagafos tem seis mafagafinhos. Quem os desmafagafizar bom desmafagafizador será."
Mas cuidado, como citado acima, o baixo calão aparece e é das formas mais simples possíveis:
Dei um beijo na boca de (ca+ dela = cadela) Ela tinha uma bolsa de couro. (la+ tinha= latinha) "Ela te tinha contado..." = (tetinha)
REFERÊNCIAS
Significado de Cacofonia: >https://www.significados.com.br/cacofonia/ https://www.figuradelinguagem.com/cacofonia/> Acesso em 07.11.2017
Vícios de Linguagem: >https://www.estudopratico.com.br/vicios-de-linguagem/< Acesso em 07.11.2017
Conceito de Cacofonia: >https://conceito.de/cacofonia< Acesso em 07.11.2017
De onde vem os termos Fulano, Sicrano e Beltrano: >https://exame.abril.com.br/carreira/de-onde-vem-os-termos-fulano-beltrano-e-sicrano/< Acesso em 07.11.2017
Aprendemos a nos comunicar, ou nascemos sabendo?
Por Késia
''Só passamos a ter conhecimento da linguagem quando entramos na escola'': Mentira.
A aquisição da linguagem de cada pessoa se dá desde seu primeiro dia de vida, pois a linguagem é tudo aquilo que está a nossa volta. Podemos demorar para soltar nossas primeiras palavras, mas isso não quer dizer que não entendamos o que nos é falado antes de disso. Um bebê, por exemplo, sabe muito bem quando está sendo chamado, mesmo que ele próprio não fale, e isso é um claro exemplo de que sim, adquirimos a linguagem muito cedo.
O que passamos a ter conhecimento na escola é a gramática, normativa mais precisamente, pois como diz Chomsky, já possuímos a gramática interna. A criança sabe que não se deve falar ''você vou'', mas ela não sabe o porquê, e é escola que explica isso.
Ao crescer, falamos jeans, funk, TV, entre outros, que nada mais é do que a aquisição natural de uma língua estrangeira, no caso, o inglês. Portanto, podemos ter a aquisição da linguagem como algo natural, que acontece sem nem mesmo percebermos.
Interferência ou acréscimo de conhecimento?
Por Késia
Que a mídia interfere, muitas vezes, no nosso vestir e em nossas posses não é novidade para ninguém. Mas alguém já parou para pensar na interferência verbal? Sim, ela ocorre, mas de maneira sutil. Quem nunca se pegou falando um bordão usado por uma personagem de uma telenovela?
No início nos anos 2000, Mara Manzan (28 de maio de 1952 — 13 de novembro de 2009) fez todo mundo pegar sua famosa frase, dita na novela O Clone, "Cada mergulho, um flash!" e usar como expressão, como frase de efeito. Assim como também Eliane Giardini fez todo mundo chamar aquela “inimigazinha"de Naja, depois de sua icônica palavra ao se referir à sogra de sua personagem assim na novela Caminho das Índias.
Mas quem disse que isso é ruim? Através desses meios de entretenimento acabamos adquirindo coisas boas, além de apenas entretenimento, pois adquirir conhecimento de uma linguagem nova nunca é demais, e muitas novelas nos impulsionaram a isso. A autora Glória Perez foi sempre lembrada por escrever novelas com novas culturas e linguagens, o que, para os mais espertos, ampliou seu conhecimento. E aí, você lembra de alguma frase ou a palavra que falava por ter aprendido na TV
Variação Diacrônica
Por: Nadine Russo
Os jovens de hoje não costumam usar vocábulos e até mesmo gírias que seus pais usavam, como seus pais também não usam os vocábulos que seus avós e bisavós usavam. Contudo, dizer que a língua muda de geração para geração e isso ocorre devido a muitos motivos.
Sendo uma das dicotomias do grande filosofo e um dos mais importantes linguistas, Ferdinand de Saussure, coloca a diacronia como explicação dos fenômenos linguísticos, sociais e culturais através do tempo. Segundo Saussure, a língua deveria ser estudada como algo autônomo (sincronia – fatos históricos de determinado período), sem que fosse comparada com outros períodos (diacronia).
A variação diacrônica apresenta uma mudança linguística histórica, aos diferentes estágios pelos quais qualquer língua passa no decorrer do tempo. No caso do Português Brasileiro, percebemos, analisando textos de outras épocas, o quanto o português contemporâneo é distinto do português arcaico. Determinadas expressões e palavras deixaram de ser usadas dando lugar a novas formas. A variação histórica de uma língua ocorre de maneira lenta e gradual e muitas vezes há uma etapa de transição até que se consagre a nova forma linguística.
Em relação à variação diacrônica, vale a pena conferir um fragmento do texto “Antigamente”, de Drummond:
Antigamente
Carlos Drummond de Andrade
“Antigamente as moças chamavam-se “mademoiselles” e eram todas mimosas e muito prendadas. Não faziam anos: completavam primaveras, em geral dezoito. Os janotas, mesmo não sendo rapagões, faziam-lhe pé-de-alferes, arrastando a asa, mas ficavam longos meses debaixo do balaio. E se levavam tábua, o remédio era tirar o cavalo da chuva e ir pregar em outra freguesia.
As pessoas, quando corriam, antigamente, era para tirar o pai da forca, e não caíam de cavalo magro. Algumas jogavam verde para colher maduro, e sabiam com quantos paus se faz uma canoa. O que não impedia que, nesse entremente, esse ou aquele embarcasse em canoa furada. Encontravam alguém que lhes passava a manta e azulava, dando às de Vila-Diogo….”
As mudanças diacrônicas podem ocorrer:
—> no som/pronúncia; —> na flexão e na derivação; —> nos padrões de estruturação da frase; —> ao nível dos significados; —> pela introdução de novas palavras (como o estrangeirismos).
Sendo assim, podemos entender que a língua é um sistema em aberto e está sempre em elaboração e se inclinando conforme os moldes dos seus falantes. A língua não é um produto nem um instrumento: É uso. É falada por indivíduos de regiões, profissões e posições sociais diferentes, situações diferentes — e épocas diferentes.
REFERÊNCIAS:
*FIORIN, José Luiz (org.). Introdução à Linguística. Vol. 1 Objetos Teóricos. São Paulo: Contexto, 2017
*Linguística em Foco: Variação diacrônica. Disponível em: < https://linguisticaemfoco.wordpress.com/2013/10/27/variacao-diacronica/> Acesso: 26/10/2017
*Ministério das Letras: Variações linguísticas. Disponível em: < http://misteriodasletras.blogspot.com.br/2009/09/variacoes-linguisticas.html> Acesso em: 10/10/2017
*Variações da Língua. Disponível em: < http://brasilescola.uol.com.br/gramatica/variacoes-lingua.htm> Acesso em: 02/11/2017
“CERTO” OU “ERRADO” – ADEQUADO SÓ PARA AS ATITUDES!
Por Túlio Roberto
A sociedade está mergulhada no mar das acepções erradas em todos os campos que englobam a vida humana. Círculos e círculos se fecham cada vez mais, impossibilitando debates. E isso é estarrecedor porque, de certa forma, pensando no âmbito do ser humano como um ser totalmente social, uma única palavra de ordem não vai conseguir calar a sua voz. Basta vermos os grandes movimentos tanto fora quanto dentro do nosso país.
Trazendo esta ótica para a linguística, os falantes de língua portuguesa que, consequentemente não tiveram acesso a um ensino de qualidade, começaram a criar meios para comunicarem entre si, já que o “falar chique ficou apenas para os ricos” (dito popular). Aí entram também os neologismos, gírias e alternância de fonemas. Então, devemos ter um olhar mais compassivo, perante a realidade brasileira, para os falantes das diversas regiões do pais. Não é “feio” ou “ridículo” a maneira como o outro se expressa verbalmente. É cultura, pois cada variação regional carrega consigo uma bagagem cultural imensa.
Outro fato que me indigna são as pessoas que, por inúmeras razões (talvez as mais tolas possíveis) se acham no pleno direito de corrigir as pessoas. E, o ápice desse ato se dá na internet. Marcela Tavares, youtuber, viralizou com seus vídeos intitulados de “Não SEJE burro”, com uma série de assuntos do português que presenciamos todos os dias. Ora, youtuber, porque você não se auto educa? Pegue os livros de Ferdinand de Saussure ou Marcos Bagno e entenda que para a língua, “certo” ou “errado” são atitudes. “Adequado” e “inadequado” é que são para a fala. Mas, de nada valerá se a massa que a acompanha continuar nessa onda de preconceito. É hora de pormos um ponto final nessa história. Chega de fazer pessoas sofrerem por que você, com a velha concepção de gramática na cabeça, menospreza o outro. Chega de pôr estigmas em seus seguidores que, nas ruas, chamam de “burro” o primeiro que fala chicrete, preda, vrido, drento, yourgute. Ajude a melhorar o cenário brasileiro, ajude formar cidadão preocupados com a educação brasileira. E com a valorização das variações também.
https://www.youtube.com/watch?v=JDVHQlQfHeM
Referências:
BAGNO, Marcos. “Preconceito Linguístico – o que é, como faz”, 27ª ed. 2003, Edições Loyola, São Paulo.
“Não Seja Burro #4 “, Por Marcela Tavares. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=JDVHQlQfHeM
VARIAÇÕES REGIONAIS II
Por: Rebeca Souza A variação de linguagem na Língua Portuguesa do Brasil, não é um erro, é uma consequência das marcas deixadas por outros idiomas que entraram na formação do português brasileiro. Idiomas como: europeu, africano, asiático, entre outros.
Essa miscigenação contribuiu com o Regionalismo, que é marcada pelo sotaque e dialeto. Afinal, o falar do ser humano é carregado de personalidade e identidade da sua comunidade.
Falares da cidade de Cajati
Cajati é um município Sul Paulista, fundada em 1991, conta com mais de 28 mil habitantes, segundo o IBGE (2010). Sua economia é através da agricultura e extrativismo mineral. As atrações turísticas são desde cavernas, cachoeiras, janela espacial noturna oferecida aos amantes de astronomia, até a Serra do Guaraú - é considerado um dos melhores pontos do Estado de São Paulo para a prática do voo livre.
A proposta é apresentar algumas expressões usadas na região e conhecer um pouco sobre essa variação. Desse modo, entrevistamos o Márcio, um novo morador da cidade que ficou surpreso com o sotaque e linguagem dos cajatienses, e se dispôs a explicar os dialetos mais usados por lá.
Glossário
Disc, é usado no fim da frase:
“Maria foi à Serra do Guaraú, disc”
“Disse que Maria foi à Serra do Guaraú”
Né que é, usa-se para confirmar uma frase:
“Palmeiras e São Paulo empataram no jogo de ontem” - “Né que é!”
Uhuhu, espanto de alegria:
“São Paulo ganhou no jogo” - “Uhuhu”.
Pois o que, usa-se no começo da frase:
“Pois o que, conversei com José ontem”
Pense que, usa-se para contar uma novidade:
“Pense que, José ganhou na loteria”
Em Cajati, não é usado o artigo (a/o), por exemplo: “Eu fui à Serra do Guaraú com Maria”, também: “Esse livro é de José”. O detalhe é que nunca usa o e com som de i. E algumas expressões como: “Maenga do Céu!”, conhecido em alguns lugares como, “Meu Deus do céu”, ou então, “Orroi”, conhecido como “Nossa!”.
Dentre os oito mitos que Marcos Bagno apresentou em seu livro Preconceito Linguístico, o primeiro mito: “A língua portuguesa falada no Brasil apresenta uma unidade surpreendente”, é uma crítica ao ensino da língua nas escolas, que impõe ao aluno uma gramática normativa sem apresentar as variações de linguagem dos falantes brasileiros. Que existe um idioma oficial e se modifica em cada região.
Referências Bibliográficas
IBGE Disponível em: <//cidades.ibge.gov.br/xtras/perfil.php?codmun=350925>
Uol Disponível em: <https://educacao.uol.com.br/disciplinas/portugues/variacoes-linguisticas-o-modo-de-falar-do-brasileiro.htm#fotoNav=3>
Disponível em: <http://www.cajati.sp.gov.br/novo_site/index.php?nivel=0&exibir=secoes&ID=79>
Variação linguística – A língua em movimento. Uol. Disponível em: <http://portugues.uol.com.br/redacao/variacao-linguistica-lingua-movimento.html>