Tipo 6 - O Partidário
O Tipo Dedicado, Que busca a Segurança: Encantador, Responsável, Atencioso e Desconfiado
Chamamos este tipo de personalidade o Partidário porque, dentre todos os tipos, ele é o mais leal aos seus amigos e às suas convicções. Seus representantes não abandonam o navio prestes a afundar e mantêm-se fieis aos seus relacionamentos muito mais que os demais tipos. Além disso, são fieis a ideias, sistemas e convicções - inclusive à de que todas as ideias e autoridades deveriam ser questionadas. Com efeito, nem todos eles concordam com o status quo: suas convicções podem ser rebeldes e anti-autoritárias, até revolucionárias. De qualquer modo, essas pessoas sempre lutam mais por suas convicções que por si mesmas e defendem a família ou a comunidade antes de tudo.
A razão de serem tão leais aos outros é que essas pessoas não querem ser abandonadas nem perder o apoio de que dispõem - seu Medo Fundamental. Assim, o problema crucial das pessoas do Tipo Seis consiste numa falha de autoconfiança: não acreditando possuir recursos interiores para enfrentar sozinhas os desafios e caprichos da vida, elas passam a recorrer cada vez mais a estruturas, aliados, convicções e arrimos exteriores, no intuito de obter orientação. Quando não existem estruturas adequadas, elas procuram criá-las e mantê-las.
O Tipo Seis é o tipo primário da Tríade do Raciocínio, o que significa que ele é o que mais tem dificuldade em entrar em contato com sua própria orientação interior. Por conseguinte, seus representantes não confiam em seu próprio raciocínio nem em seus julgamentos. Isso não significa que não pensem. Pelo contrário, pensam - e preocupam-se - muito! Além disso, tendem a recear tomar decisões importantes, embora, ao mesmo tempo, resistam à ideia de deixa que alguém as tome em seu lugar. Eles querem evitar ser controlados, mas têm medo de assumir responsabilidade de modo a colocar-se na frete da linha de fogo. (O antigo provérbio japonês “Grama que cresce demais acaba sendo cortada” tem relação com essa ideia.)
As pessoas do Tipo Seis estão sempre conscientes de suas ansiedades e sempre buscando formas de construir baluartes de “segurança social“ contra elas. Quando acham que têm respaldo suficiente, elas seguem em frente sentindo-se mais seguras. Mas quando isso falha, elas tornam-se ansiosas e duvidam de si mesmas, o que desperta seu Medo Fundamental. (”Eu estou só! O que vou fazer agora?” Assim, uma boa pergunta para elas é: “Como posso saber que disponho de segurança suficiente?” Ou, para ir direto ao ponto, “O que é segurança?” Sem a orientação interior Essencial e sem a profunda sensação de apoio que ela traz, as pessoas do Tipo Seis estão sempre lutando por encontrar terreno firme para pisar.
Elas tentam construir uma rede de confiança sobre um fundo de instabilidade e medo. Veem-se presas muitas vezes de uma ansiedade difusa e então querem descobrir ou criar motivos para ela. Na tentativa de sentir algo de firme e concreto em sua vida, elas podem aferrar-se a explicações e atitudes que visam explicar sua situação. Como a “crença” (confiança, fé, convicção, posições) é para elas algo difícil de atingir - e como também tão importante para sua noção de estabilidade -, essas pessoas não costumam questioná-la nem deixar que os outros o façam. O mesmo se aplica àqueles em quem adquiriram confiança: quando isso acontece, elas são capazes de muita coisa para manter relações com eles, pois funcionam como conselheiros, mentores, ou reguladores de seu próprio comportamento e de suas reações emocionais. Portanto, fazem tudo que estiver ao seu alcance para manter essa afiliação. (”Se não confio em mim mesmo, preciso encontrar alguém no mundo em que possa confiar.”)
Apesar de inteligente e realizada, Connie ainda luta contra as dúvidas a seu próprio respeito, características do seu tipo:
Agora que minha ansiedade está sob controle, o mesmo acontece com minha necessidade de ficar tudo com meus amigos. Eu precisava sempre da aprovação de milhares (brincadeira!) de “autoridades“. Quase todas as minhas decisões passavam por um comitê de amigos. Eu geralmente ia perguntando de um a um: “O que você acha, Mary? Se eu fizer isso, então pode acontecer aquilo. Por favor, decida por mim!” (...) Ultimamente, restringi minhas autoridades a um ou dois amigos em quem tenho mais confiança e, às vezes, eu mesma tomo minhas decisões!
Enquanto não têm acesso à sua própria orientação interior, as pessoas do Tipo Seis ficam como bolas de pingue-pongue: vão de um lado para o outro, conforme a influência que bate mais forte num determinado momento. Por causa disso, não importa o que dissermos a respeito do Tipo Seis, o oposto geralmente também é verdade: seus representantes são, ao mesmo tempo, fortes e fracos, temerosos e corajosos, confiantes e desconfiados, defensores e provocadores, doces e amargos, agressivos e passivos, intimidadores e frágeis, defensivos e ofensivos, pensadores e empreendedores, gregários e solitários, crentes e céticos, cooperadores e obstrutores, meigos e hostis, generosos e mesquinhos - e assim sucessivamente. É a contradição - o fato de serem um feixe de opostos - a sua “marca registrada“.
O maior problema das pessoas do Tipo Seis é que elas tentam criar segurança no meio em que vivem sem resolver suas inseguranças emocionais. Porém, ao aprender a enfrentar suas ansiedades, elas entendem que, apesar de o mundo estar sempre mudando, e ser por natureza incerto, podem ter serenidade e coragem em todas as circunstâncias. E podem atingir a maior dádiva de todas, que é a sensação de paz interior a despeito das incertezas da vida.
Fonte: Riso & Hudson - A sabedoria do Eneagrama Ed. Cultrix








