Tipo 1 - O Reformista
O Tipo Racional e Idealista: Resoluto, Dotado de Princípios, Autocontrolado e Perfeccionista.
Chamamos esse tipo de personalidade de o Reformista porque seus representantes agem como se obedecessem a uma missão que os leva a querer melhorar o mundo de várias maneiras, usando para isso todo os seu poder de influência. Eles lutam para superar as adversidades - principalmente as morais -, de forma que o espírito humano possa brilhar e exercer seu impacto, e por valores mais sublimes, mesmo que isso implique um grande sacrifício pessoal.
A História está cheia de registros de pessoas do Tipo Um que abriram mão do conforto para fazer coisas extraordinárias porque sentiam que deveriam atender ao chamado de algo superior. Durante a Segunda Guerra Mundial, Raoul Wallenberg abandonou sua cômoda vida de classe média para ajudar e proteger milhares de judeus contra os nazistas que o perseguiam. Na Índia, Gandhi deixou para trás mulher e filhos e a bem-sucedida carreira de bacharel em direito para percorrer seu país advogando em favor da independência e de mudanças sociais não-violentas. Joana D’Arc deixou sua aldeia na França para lutar pela expulsão dos ingleses e pela devolução do trono ao delfim. O idealismo desses representantes do Tipo Um até hoje vem inspirando milhares de pessoas.
“Tenho uma missão na vida.“
As pessoas do Tipo Um estão voltadas para a ação prática - elas querem ser úteis no melhor sentido da palavra. Essas pessoas sentem possuir uma “missão” a cumprir na vida, mesmo que seja apenas a de fazer o máximo para reduzir a desordem que veem em seu meio e mesmo que não estejam totalmente conscientes dela.
Embora sempre tenham em mente objetivos definidos, é comum pensarem que precisam justificar seus atos, não só para si como também para os outros. Isso as leva a passar muito tempo pensando nas consequências de seus atos e como não agir contrariamente às suas convicções. Por isso, as pessoas do Tipo Um costumam se convencer de que são apenas “cérebros“, racionalistas que se baseiam apenas na lógica e na verdade objetiva. Mas o verdadeiro quadro é um tanto diferente: elas são, na verdade, ativistas em busca de uma razão aceitável para o que sentem obrigação de fazer. São gente de paixão e instinto, que usa os julgamentos e as convicções para controlar e dirigir a si mesma e aos seus atos.
No empenho de ser fiéis a seus princípios, as pessoas do Tipo Um resistem aos impulsos do instinto, procurando conscientemente não ceder a eles nem manifestá-los muito abertamente. O resultado é um tipo de personalidade que tem problemas com a repressão, a resistência e a agressividade. Normalmente essas pessoas são vistas pelos outros como muito autocontroladas, até rígidas, embora elas mesmas não se vejam assim. É como se tivessem a impressão de estar sempre sobre um caldeirão de desejos e paixões cuja tampa tem de estar sempre fechada para que não aconteça o pior.
Cassandra, terapeuta com prática em consultório particular, relembra a dificuldade que isso lhe trouxe na juventude:
Lembro-me de que, no curso secundário, era vista como uma pessoa insensível. Por dentro, vivia meus sentimentos intensamente e, no entanto, não podia extravasá-los com essa intensidade. Mesmo agora, se discordar de um amigo ou tiver de abordar um problema, eu ensaio antes como manifestar claramente o que quero, preciso e vejo, sem ser ríspida nem lamentar a raiva que sinto, a qual quase sempre é terrível.
As pessoas do Tipo Um acham que, sendo rigorosas consigo mesmas (até por fim atingir a “perfeição”), conseguirão justificar seu comportamento diante de si mesmas e dos demais. Porém, ao tentar por em prática sua própria visão de perfeição, elas costumam criar também seu inferno particular. Em vez de concordar com o Gênesis quando afirma que Deus viu o que criara “e era bom”, essas pessoas estão inteiramente convencidas de que “não era - há certamente alguns erros aqui!” Esse tipo de convicção dificulta-lhes confiar em sua orientação interior - e até mesmo na vida. Assim, habituam-se a confiar muito no superego, uma voz aprendida na infância, para que as oriente no caminho do bem maior que tanto buscam. Quando se enredam completamente na própria personalidade, as pessoas do Tipo Um não distinguem muito bem entre essa voz severa e implacável e a sua própria voz. No seu caso, o crescimento consiste em separar-se dessa voz e ver quais os seus verdadeiros pontos fracos e fortes.
Fonte: Riso & Hudson - A sabedoria do Eneagrama Ed. Cultrix












