Minha família nunca fora das mais normais, eu era fruto de uma relação proibida, meus pais faziam parte de duas famílias que a muito tempo eram cheias de intriga entre si, mas então como nesses contos de fadas ridículos meus pais se apaixonaram e me tiveram. No começo minha avó queria que eles fugissem, mas eles resolveram ficar e enfrentar os problemas, tive mais 2 irmãs após isso e as famílias hastearam a bandeira de paz.
Minha avó era uma nobre senhora que tinha herdado de seu pai uma enorme fortuna de terras e plantações de uva, ficando famosa então pelos seus vinhos e assim a família virou um centro de referência para todos. Ela criara uma tradição a partir da minha primeira tia, todas frequentariam um internato para que aprendessem a ter boas maneiras e não a causar nenhum constrangimento, mas eu nunca fui um exemplo muito bom e acho que nunca serei.
Quando pequena eu era responsável por toda e qualquer bagunça que acontecesse na enorme mansão em que morávamos, minha avó mandava os mordomos e empregadas me caçarem pela casa mas eles nunca me achavam, mesmo com a ajuda de Brutus, o enorme cachorro babão do meu avô. Quando atingi a adolescência os problemas só se intensificaram, costumava fugir pela janela para conhecer os garotos da mansão vizinha e irmos tomar banho no lago não tão longe dali. Então como a primeira da família eu fui a mais jovem das mulheres a ir para o internato, minha avó queria que eu aprendesse disciplina, mas eu tava mais interessada em sair dos beijos e abraços com Michael, meu vizinho.
No meu segundo ano no internato meu avô morreu e eu pude ver minha avó vulnerável, ela ficou fraca e sem forças para exigir que todos seguissem suas regras, por pouco não a perdemos também, mas ela era durona e se manteve viva.
Minha mãe fez sua primeira visita no internato no meu 3º ano aqui, antes do ensino médio, ela chegou e me disse que eu precisava me comportar, que ela não estava nas melhores das condições de cuidar de um império tão grande e que eu seria a responsável assim que saísse daqui.
“Você deve estar louca”, eu pensei.
Mas minha mãe nada me disse, só me alertou que eu era o futuro da família, nenhuma mãe diz isso pra uma adolescente que mostra sinais claros de rebeldia. Eu namorei alguns garotos do internato, mas tudo bem discreto, ninguém acabava sabendo pois geralmente era os garotos do último ano e eles logo iam embora. Perdi minha virgindade na sala da diretora com um dos professores substitutos, ele era loiro e malhado e tinha enormes olhos verdes que me deixavam hipnotizada, depois disso um rumor surgiu que ele tinha um caso com uma aluna e ele foi despedido. Até hoje recebo suas cartas e emails melosos.
Minhas férias se baseavam em encontros chatos com outras famílias influentes e sermões dos meus pais, minhas irmãs Lucy e Ivanna estavam crescidas e eu gostava de passar um tempo com elas, “levando-as para o lado negro da força” como diz o meu pai. Os únicos momentos em que eu realmente me divertia era quando eu cavalgava entre os pomares em um dos muitos cavalos que ganhara durante a vida e nessas férias um novo empregado que cuidava do estábulo tinha chegado, ele era moreno e tinha olhos azuis como o mais escuro lago. Transamos em cada centímetro daquele celeiro, mas acabamos sendo pegos pelo seu chefe e ele acabou sendo despedido.
Muitos acham que eu sou fútil, mas eu me vejo vivendo meus últimos segundos de liberdade antes que é vire uma megera como minha avó. Com a chegada de Theo no instituto eu vi algo mudar, ele é algo novo, interessante e céus como é gostoso. Mas quando eu penso nele eu penso num futuro e isso me dá medo. Eu nunca fui daquelas garotas que se apaixonam como a patética da Cassie, eu era a garota com quem você poderia beber e rir de filmes idiotas que todos fingem gostar.
- John, você não tem que se preocupar, o Theo já deve ter chegado - Digo enquanto sentamos na cantina para comer o almoço -
- Ele não retorna minhas ligações - John faz bico e eu reviro os olhos -
- Você parece uma garota apaixonada - Digo -
- Eu só sou um amigo prestativo - Ele rebate - Veja! - Ele se levanta e aponta para a porta do corredor onde Theo passava com um olhar carrancudo -
- Ele chegou! - Exclamo e começo a andar em sua direção com John ao meu lado, mas depois que ele passa na porta eu vejo algo indo atrás dele e paro no meio do caminho -
- O que foi? - John pergunta -
- É a Cassie - Digo - A vadia já está com ele -
- Quem é a namorada ciumenta agora? - John zomba -
- Vai se ferrar, babaca - E me viro para a mesa enquanto John ri e vai em busca do seu amigo -.
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