Queria estar fazendo a torre eiffel com os gyucheol
queria gabaritar o kamasutra com esses dois
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AS “TORRES GÊMEAS” E SUA INFÂMIA
De uns anos para cá, o planejamento urbanístico de Recife ficou um tanto peculiar - se é que ele existe de todo. A cidade cresce sem controle, e a arquitetura, sem regra. Um exemplo um tanto polêmico disso, é a construção dos Edíficios Pier Maurício de Nassau e Píer Duarte Coelho.
Apelidados de "Torres Gêmeas" pelos recifenses, os dois edifícios de luxo tem 42 andares cada, e estão situados no Cais de Santa Rita, no bairro São José - onde a desigualdade social é grande, a arquitetura ainda adota o estilo antigo, e a paisagem é uma das mais bonitas da cidade.
Os prédios, que destoam fortemente do resto do bairro, nascem do mesmo tipo de especulação questionável do Cais José Estelita, ou da que deu a orla da praia de Boa Viagem uma cara nova, construindo inúmeros arranha-céus residenciais em detrimento de prédios recheados de história e charme, como o já demolido Edifício Caiçara, que ali já estavam muito antes da praia ser dominada pela especulação imobiliária.
Antigamente, o terreno onde atualmente estão as Torres Gêmeas era ocupado pela Mesbla Veículos. A empresa teve que fechar as portas por conta de dívidas trabalhistas, e perdeu o terreno em uma disputa jurídica questionável. A área foi a leilão sem que a empresa fosse sequer notificada.
Quanto ao leilão, duas construtoras demonstraram forte interesse, a Moura Dubeux e a Queiroz Galvão. O leilão foi marcado para o dia 24 de março de 2003, às 12h30. No entanto, novamente sem aviso oficial prévio, o horário foi antecedido e apenas a Moura Dobeux compareceu, vencendo assim a disputa e iniciando o projeto dos dois edifícios.
Ocupando o espaço de uma antiga área portuária e linhas férreas, as Torres prometiam modernidade. Um ar original e novo na estética antiga - e histórica - do centro do Recife. O que elas trouxeram, na verdade, foi a consolidação da especulação imobiliária, um verdadeiro roubo de paisagem, a vontade de uma elite muito parca e a cultura de dar as costas às próprias raízes urbanas e à miséria que nos entorna.
Resultado: graças a essas construções, temos hoje a nossa versão grosseira da Torre Eiffel: de vários ângulos, podemos avistar dois prédios que chamam atenção pela sua grandeza, solidão e, nesse caso, completa falta de sentido.
Torres Gêmeas de Curitiba
Só para lembrar que ontem fez 14 anos desde o acidente nas torrer gêmeas
DESARMÔNICO 2
“A sombra do futuro, a sobra do passado, assombram a paisagem.”
Por: Kamila Ataíde