Uma das pessoas que deu o seu testemunho ao Ganhem Vergonha decidiu realizar uma investigação por conta própria. Partilhamos, em seguida, o resultado:
“Depois de ter partilhado a minha breve experiência na Trabuca, uma empresa de marketing que angaria fundos para ONGs, apercebi-me de que existiam vários pontos por esclarecer e que o meu testemunho, por si só, não bastava. De Maio até ao momento presente, fui reunindo alguns dados adicionais que permitissem deslindar o nível de envolvimento da Unicef com a empresa de marketing que me tinha recrutado – os esclarecimentos agora divulgados foram obtidos graças à colaboração da Pledge Manager da Unicef, Ana Lopes de Castro:
1. Não havendo em Portugal uma empresa especialmente vocacionada para a angariação de fundos (fundraising), em 2010 a Unicef Portugal contratou a empresa espanhola International Fundraising para fazer esse trabalho (contratação viabilizada por um orçamento – reduzido, como me foi explicado – para despesas administrativas);
2. A Unicef declara que os formulários preenchidos na campanha de donativos regulares são controlados pela própria ONG e que são integralmente direccionados para as causas que os Amigos da Unicef decidem apoiar. Em suma, esse dinheiro não é usado para pagar aos angariadores, aos líderes ou aos gerentes das empresas de marketing, nem é usado pela Unicef para fins administrativos;
3. Todas as empresas portuguesas de fundraising respondem, não à Unicef, mas à empresa espanhola. Como tal, a Unicef não participa nem acompanha directamente o recrutamento e a proliferação das empresas portuguesas, nem têm capacidade para responder àquela que continua a ser a minha grande questão: como é que os angariadores ganham dinheiro e quem é que lhes paga (uma vez que não é a Unicef e que as empresas de marketing portuguesas não atribuem salários nem têm despesas com recursos humanos)?;
4. A Unicef dá formação regular às pessoas que têm posição hierárquica superior dentro da International Fundraising e aos “captadores” (serão os gerentes das empresas portuguesas?), mas, pela “elevada rotatividade”, explicam que nem sempre é possível darem formação directa aos angariadores e aos líderes;
5. A Unicef reconhece que o facto de existirem várias empresas com diferentes nomes, na mesma morada, tem levantado problemas e que é uma questão que pretendem resolver. Garantem que isso não é sinal de falta de honestidade, mas a regularização dessa questão é exigida por “questões do mundo empresarial”.
A par destes pontos, acrescento duas informações adicionais:
1. Fui contactada pela Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) porque, na sequência da minha denúncia, se dirigiram à Rua Duque de Saldanha, nº 293, no Porto, e encontraram as instalações permanentemente encerradas. A denúncia foi arquivada;
2. Uma das gerentes da Trabuca (Capital Prodigy, Free Style, entre outras) enviou-me o nº de contribuinte para que eu pudesse passar o acto isolado referente às angariações que fiz, e esse NIF corresponde a uma empresa chamada Dragão Marketing.
Acho importante que as empresas, independentemente do seu cariz e do tipo de serviços que oferecem, exponham claramente os seus propósitos e as condições que oferecem aos candidatos: horários de trabalho reais, ritmo de trabalho, rendimentos, tipo de contratos. As empresas devem ser transparentes quanto às relações com as entidades que representam e deixar claro toda a hierarquia existente (neste caso com a Unicef e com a International Fundraiser). E isto é o mínimo dos mínimos.”
Vanessa













