Desabafo Súbito**
De repente, eu senti uma vontade de chorar. Não foi um aperto no peito, não foi um nó na garganta—foi algo mais profundo, como se meu corpo já não aguentasse mais ser um continente para tanta dor. E as palavras vieram, uma após a outra, cada uma trazendo um desejo: o desejo de sumir, de ser abraçado até deixar de existir, de sentir algo que não fosse esse vazio mastigando meu interior.
Isso é muito forte. Forte demais para quem já está cansado de carregar o próprio peso. Forte demais para quem só quer dormir e nunca mais acordar. Eu gosto de algo que me toque assim, mesmo que seja a dor, mesmo que seja a escuridão—porque pelo menos isso prova que ainda estou aqui, que ainda consigo sentir. Mas e quando nem a dor faz mais sentido?
As lágrimas não caem. Elas ficam presas, como se eu não merecesse o alívio de deixá-las escorrer. O silêncio ao meu redor é ensurdecedor, e eu me pergunto se alguém notaria se eu simplesmente evaporasse. Será que sobraria algum traço de mim, ou seria como se eu nunca tivesse existido?
Eu não quero mais tentar. Não quero mais fingir que está tudo bem. Só quero que algo—alguém—me segure antes que eu desabe de vez. Mas sei que, no fim, vou continuar aqui, engolindo o choro, sufocando os gritos, até que meu próprio coração se canse de bater.
E então, talvez, eu finalmente encontre paz.










