Eu queria sair, Senhor. Não há forças, expectativas, apego, zelo, ego, amor. Aqui só habita o amargo, o azedo, o cinza. Cinza é a minha cor preferida. Vivo na dimensão do cinza. Apaguei as velas do último aniversário desejando não existir mais, mas como a incapacidade bate a porta, é claro que o pedido encontra-se a ser realizado. As próprias mãos não ousam tentar porque há medo de deixar de existir aqui, mas continuar existindo em outro lugar. Não existir é bem simples, é só desaparecer para sempre. Botão direito, excluir, lixeira, excluir do HD. Sonho com o dia da dormida que não vai acontecer o erro do acordar. O dia que nunca mais vai nascer, se Deus quiser. Porque eu já quero desde muito tempo. Odeio a palavra tempo. Não o quero, chega de farsa.