The end is where we begin | Salazar x Eillela (Sallela)
Caos. A única palavra que poderia descrever, com maestria, a situação que Ishtar enfrentava naquela noite preconcebida como festiva. A prova de tal constatação estendia-se pelas ruas de Mystras: o povo que anteriormente divertia-se no tradicional festival, corria sem rumo, tentando salvar suas próprias vidas; soldados ishtaunianos caminhavam para o combate, determinados em abater os inimigos de sua pátria; sangue inocente sendo derramado sem qualquer tipo de pudor.
Salazar jazia sob uma das cabanas montadas para a família real, uma prostituta nua em seu colo, as vestes que cobriam seu tronco no chão, quando um dos soldados da Guarda irrompeu o local, trazendo as notícias: a cidade estava sendo atacada pelos tyranos e, a realeza, evacuada de volta para o castelo. Já irritado pela inoportuna e mal-educada interferência do homem a sua frente, Arkauss teve sua ira emergida ao escutar o que o outro tinha a dizer. Tudo o que passava pela cabeça do ex-príncipe era como o rei tyrano tivera a ousadia de invadir as suas terras.
Num ato bruto, o homem de cabelos castanhos e olhos profundos empurrou a messalina de seu colo, fazendo-a encontrar o chão antes de pegar sua espada, vestir o restante de suas roupas, e sair da barraca sem qualquer proteção, acotovelando o mensageiro para lhe dar passagem. Um feito impulsivo como este não era nada comum para o interior meticulosamente calmo e calculista de Salazar; apenas a raiva exorbitante o fazia agir de tal maneira.
Com o peito desprovido de uma armadura, Arkauss dirigia-se para o castelo em passos duros, sendo escoltado pelos soldados do rei em meio aos gritos de desespero e ao som de metal contra metal. As engrenagens de seu cérebro trabalhavam tanto, que fora impossível prever o que aconteceu em seguida. E tudo ocorrera muito rápido.
Em uma falha na formação da Guarda, já em frente ao castelo, um soldado tyrano penetrou seu interior, encontrando-se frente a frente com Salazar, que um segundo mais tarde já havia desembainhado sua espada e chocado-a com a de seu oponente. Algumas investidas foram trocadas antes do inimigo rasgar a veste de Arkauss, causando-lhe um corte abaixo das costelas. Enfurecido por ter seu sangue derramado, o Conselheiro Real disferiu um golpe transversal no tronco do indivíduo, fazendo com que suas tripas escorregassem para fora de seu corpo enquanto este encontrava a morte. Em seguida matou, sem pensar duas vezes, o soldado mais próximo, a fim de castiga-los pelo erro que poderia ter custado sua própria vida.
Adentrando o castelo, Salazar notou que o caos não se instaurara apenas do lado de fora; criados corriam de um lado para o outro, socorrendo seus feridos, enquanto os membros de sua família eram cercados pelos encarregados de seu socorro. O homem permaneceu distante, com o intuito de não ser notado, apenas os observando. Faltava, entretanto, uma pessoa ali. – Onde está Eillela? – Questionou em tom autoritário para a idosa que havia chegado para tratar de seus ferimentos, limpando-os rapidamente. – A princesa está em seus aposentos, meu lorde, banhando-se. Matou um homem hoje. – Em um sutil tom de reprovação, a mulher, que claramente sentia-se intimidada com a presença de Salazar, finalizou. Este, por sua vez, não esperou pelo curativo.
Naquele dia, pela manhã, o Conselheiro teve uma reunião particular com o rei que, como soberano e irmão, clamava a ajuda do mais novo para com o desafio de casar sua primogênita. Com o plano já em mente, Salazar introduziu-se aos poucos no conteúdo da conversa, levando o rei a tirar as conclusões certas para o seu sucesso: casar sua filha com alguém de confiança, seu próprio irmão, era a saída perfeita para seu problema. Dessa forma, o homem convenceu o rei que deixasse a situação por conta dele, que ele mesmo convenceria Eillela de que casar-se com seu tio seria a melhor alternativa para Ishtar. Athanasius, conhecendo os dons de Salazar, sabia que este a convenceria, mas avisou: não seria uma tarefa fácil. Ele sabia que não.
Enquanto Arkauss dirigia-se para o corredor onde os aposentos da princesa ficavam localizados, este só conseguia imaginar que não havia melhor momento para dar continuação aos seus planos. Além da cidade tão amada pela mulher estar sob ataque, Eillela matara um homem. Mesmo sendo forte como o ex-príncipe sabia que era, estaria certamente desestabilizada. Afinal, Leela era boa, e Salazar duvidava que a morte pelas mãos delicadas não a causaria danos. Portanto, quem estaria amparando-a naquele momento de confusão, seria ele.
Fechando os dedos sobre as palmas de suas mãos, o homem bateu três vezes na porta da primogênita Arkauss.