Parents of a non-born child | Heather & Dimitri | Past x Present
O som das batidas frenéticas da música que tomava o Secret Night Club tornava-se quase ambiente no camarote VIP do lugar, lotado pelas pessoas de maior influência nos Hamptons. Dentre tais, a falta de entusiasmo parecia atingir apenas uma: o loiro de olhos claros sentado na mesa mais distante do aglomerado da alta sociedade. Ciente ou não deste fato, naquele momento Dimitri Everglot era observado por alguém com quem compartilhava não apenas um número extraordinário de conta bancária, mas anos de história.
Heather Walken não fazia, em nada, o tipo paciente; desta forma, pediu licença à garota com quem conversava sobre os bastidores dos desfiles da Victoria’s Secret, dando uma longa tragada em seu Insígnia antes de equilibrar-se em seus Louboutins na caminhada direcionada ao homem que seus olhos preocupados encontraram diversas vezes naquela noite.
– Não acho que essa seriedade estampada no seu rosto seja apropriada para o ambiente. – analisou a mulher com um meio sorriso no rosto, enquanto sentava-se na cadeira paralela a dele, cruzando suas pernas e queimando seu cigarro como se não fizesse ideia do que incomodava o rapaz. A realidade, entretanto, era que sabia muito mais do que gostaria.
OITO ANOS ATRÁS
Um elevador nunca havia demorado tanto para chegar ao seu destino como naquele dia. A cada andar que o visor eletrônico anunciava, a adolescente de olhos extremamente verdes soltava um suspiro sôfrego, implorando para qualquer Deus disposto a ouvi-la contribuísse para que o 24° chegasse logo.
Diferente de todos os dias comuns, o uniforme da escola não havia sido trocado por nenhuma das grifes favoritas de Heather; muito pelo contrário. De vestes ineditamente amarrotadas, a garota segurava com força um pequeno objeto branco com dois risquinhos cor-de-rosa pintados, como se dissessem que o inferno existia e que para lá Walken iria.
As portas do elevador se abriram lentamente, fazendo a brisa fresca das grandes janelas da cobertura do primogênito dos Everglot adentrasse o cubículo como um furacão.
Heather não queria ser mãe aos dezessete anos; talvez por ser apenas uma adolescente, por sua carreira de modelo estar só começando, ou simplesmente por morar num lugar onde a sua vida era da conta de todos. Por um destes ou todos eles, a garota não aceitava o que aquele teste significava.
Desesperada, a morena quase correu para dentro do apartamento do - não gostava nem de pensar no título - pai de seu futuro filho, caminhando em passos perfeitos e decididos até encontrar o mesmo. No segundo em que o viu, Heather espalmou no peito do rapaz o teste de gravidez, tão frágil quanto a dona das mãos trêmulas.
– Eu não quero isso! – histérica, disse mais alto do que esperava, enquanto seus olhos já marejados escorriam em confusão.









