[chanbaek] quem tem olhos para ver
A tarde não estava tão quente quanto o começo do verão, a brisa fria já começava a soprar, ainda que fosse insuficiente para acender alguma lareira e se aquecer com chá quente e mantas de tecido grosso. Enquanto caminhava calmamente por entre as árvores que cercavam a floresta, arrancava as pétalas de uma flor que pegara no começo do campo, sibilando "mal-me-quer, bem-me-quer" a cada pétala retirada do miolo e jogada a grama, percorrendo o caminho tão conhecido e decorado, sentindo o coração acelerar um pouco mais quando pode finalmente ouvir o barulho da cascata d'água caindo no lago ali presente, bem escondido pelos troncos. Ergueu o rosto após retirar a última parte do lírio, escondendo-se atrás da árvore próxima enquanto observava a figura mais bela já desenhada pelo Soberano todo poderoso, retirando a túnica branca com calma e paciência, deslizando o tecido fino pelos ombros e tronco, deixando-a cair aos seus pés, expondo-se completamente para ele.
Baekhyun singelamente percorreu o olhar pelo local, sorrindo minimamente quando viu apenas a cabeleira castanha e encaracolada do maior, mordendo o inferior carmesim com o canino, voltando em seguida sua atenção para a água que se banharia. Ele sabia que estava sendo observado, sempre no mesmo horário, a cada três dias e não se importava nem um pouco com o fato de ter um par de olhos escuros zelando por cada movimento que fazia, na verdade gostava ainda mais de saber desse detalhe, da pessoa que o observava, amava se exibir com o quadril largo, as coxas grossas, a bunda arrebitada, passando os dígitos por cada parte da pele imaculada enfeitada por pintinhas espalhadas aleatoriamente por todo o corpo. Chanyeol costumava pensar que se ligasse cada uma delas formaria uma bela constelação. Baekhyun era um universo inteiro.
Continuou ali meio escondido, fazendo o que sabia de melhor, exaltar Byun de longe, pedindo perdão aos céus toda vez que descia o olhar até às partes mais íntimas do rapaz, desculpando-se com o Divino por desejar tanto aquilo que não poderia ter para si. Respirou fundo, deitando a cabeça no tronco meio úmido, atento a cada mínimo movimento do menor, sentindo o peito acelerar quando um sorriso desenhou os lábios bonitos e revelou a fileira de dentes brancos e bem cuidados enquanto o corpo balançava dentro da água em alguma coreografia que aprendera nas aulas de ballet que frequentava escondido, com o corpo meio coberto pela água. Os fios loiros, pela mistura de leite e camomila, desprendia um aroma doce de frutas vermelhas que teve a oportunidade de sentir um dia quando se trombaram na feira, em uma cena vergonhosa e jamais esquecida, ansiava pelo dia que trocaria mais do que um pedido de desculpa e alguns milésimos de segundos com o corpo miúdo nos braços.
O baixo ventre repuxou quando foi flagrado pelos olhos selvagens presos ao seu, em uma troca de olhar intensa onde mesmo tendo conhecimento que o menor sabia que ele era espectador de cada ato dele naquela cachoeira toda as vezes, não evitou sentir-se envergonhado e levemente arrependido por praticar algo tão errado que era participar de um momento tão íntimo como aquele. Todavia, as bochechas ficaram rubras no momento que Baekhyun sorriu maliciosamente em sua direção, com um olhar tão carregado de luxúria que fora inevitável não sentir a guinada que seu pau sofreu. Estava tão ferrado quando fosse para o juízo final.
Contudo, as expectativas foram ao chão quando se encolheu ainda mais atrás da árvore a fim de se esconder quando ouviu passos mais próximos, sentindo o coração doer um pouco quando observou Sehun se despir e acompanhar Baekhyun em seu banho, fazendo tudo que Park sonhava fazer com Byun. Tocava-lhe a pele, beijava-lhe o pescoço e a boca, juntava os corpos nus e sentia o calor desprender dele enquanto, mais importante que qualquer outra coisa, tinha não só a permissão do loiro, como os suspiros de prazer e o sorriso mais travesso. Escondido no mesmo lugar, Chanyeol bebeu dos gemidos e expressões deleitosas de Baekhyun, sendo cúmplice de mais uma tarde de sexo entre o casal, sentindo o peito apertar a cada jura de amor trocada pós-sexo. Desejava mais do que tudo morar no abraço e no coração do caçula dos Byun.
Quando o casal foi o embora juntos, Park se permitiu caminhar até a beirada do lago, franzindo o cenho quando observou uma caixinha de metal largada perto das grandes pedras, abrindo-a com cuidado pela mão que carregava a aliança de noivado, e observando o lenço decorado que Baekhyun costumava usar no pescoço nas noites de festa na vila, junto de um pedaço de papel mal dobrado o qual tratou de abrir quando a curiosidade falou mais alto do que a inconveniência, sentindo um leve frio na barriga ao observar a caligrafia desenhada preenchendo o papel branco.
"Quem tem olhos para ver e ouvidos para ouvir, se convence que os mortais não podem ocultar nenhum segredo. Aquele que não fala com os lábios, fala com as pontas dos dedos: nós nos traímos por todos os poros."
— BBH
história: sarah
















