No olhos da lua a gente é mansa fúria
A lua lá bem alta vem de mansidão numa fúria mansa cobrindo os cortejos abrindo os jeitos pra vida aqui passar seguindo a vereda por vis vias estreitas caminhos tortos ruelas becos sermões e luz prata quem disse que disse que disse passou de boca em boca caiu em más línguas rolou em amassados lençóis deu voltas e mais voltas nas curvas da orelha para se fincar na ponta da língua morta língua torta viva língua prosa a gente não se entende a gente se desencontra nas pontas, margens e guias e como uma avenida longa que vai desaguar na beira mar nos encontramos no encontro do caos, do embate, da peleja de uma doce água corrente com uma salgada água revolta a lua lá bem alta vai de imensidão numa mansa fúria assistindo todo cortejo sorrindo com jeito e piscando o olhar como quem se reconhece como quem se reencontra como quem não sabe onde tudo isso vai dar mas se arrisca se lança de peito aberto mente aberta coração estraçalhado de amor e fúria. - Uma cabeça de vento














