Santa Casa de Misericórdia, d. 1900 / Delcampe
"Em 1900, a Santa Casa de Misericórdia do Pará inaugurou suas novas instalações, inclusive uma capela mortuária - que até hoje existe - consagrada à Santa Luzia, santa padroeira daquele nosocômio.
Em 1919, foi fundado o curso de Medicina do Pará e, mais tarde, foi construído, no largo formado por aquelas artérias, o prédio que por muito tempo abrigou a Faculdade de Medicina.
Com o crescimento da cidade foram sendo construídas humildes barracas nas redondezas.
Vai daí que o vulgo começou a chamar aquele ponto de largo de Santa Luzia, nome qua caiu no gosto popular e aquelas paragens começara a ser chamadas de bairro de Santa Luzia.
Bem ali, no início da Bernal do Couto, no final da década de trinta e início dos anos 40, fazia sucesso o tacacá da Iaiá e os bondes circulares, a partir das três horas e meia da tarde despejavam elegantes moçoilas e senhoras que vinham degustar a saborosa bebida.
No largo, no dia 13 de dezembro se comemorava a festa da padroeira da Santa Casa, Santa Luzia, com arraial e tudo.
Mas o tempo que corrói o ferro e apagas as lembranças aliado a esse monstro desumano que se chama progresso acabou com tudo.
A festa de Santa Luzia, hoje em dia, se resume em uma missa rezada pelo cônego Ápio Campos dentro do mercado - iniciado por Abelardo Conduru e terminado em 10 de novembro de 1943, por Alberto Engelhard - e a procissão que percorre a avenida Generalíssimo Deodoro, Diogo Móia, Alcindo Cacela e Bernal do Couto, retornando a seu nicho no mercado. A manutenção dessa festa deve-se à sra. Zaquie Kizan Fraiha.
O largo hoje é a praça Camilo Salgado".
José Valente ~ A história nas ruas de Belém: Umarizal (1993)