Um dia frio
O despertador tocou, desliguei. “Só mais cinco minutos”, pensei; e nas cobertas me enrolei.
O despertador tocou novamente: -Mas que droga! Só mais dez minutos. - E desliguei de novo, e de novo, de todas as formas e vezes possíveis.
A única opção era levantar para a vida que tinha construído aqui. Sentada na cama, meus pés no chão, frio, meus dedos congelavam mas não sentia a dor. Pensamentos inundavam minha mente cansada, que só queria ficar ali, no silêncio das 05:30 da manhã como observadora de uma natureza incrivelmente linda, de pessoas correndo e perdendo seus sonhos, uma selva de pedras sendo coberta pela chuva; na companhia de meu único amigo e amor: o café.
Infelizmente, ou felizmente, já sentada na parada de ônibus, com um livro aberto em frente ao rosto e com os olhos por cima dele, observava encantada mais uma vez a selva de pedras que se agita a cada hora e ano que passa.
I.G.
















