Sobre nunca soltar sua mãozinha com nosso avô nunca soltou a minha. Te amo. ♥️
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Sobre nunca soltar sua mãozinha com nosso avô nunca soltou a minha. Te amo. ♥️
Eu sempre disse e vivi no sentido de: "o trabalho dignifica o homem". Mas quando a gente trabalha por trabalhar, vive escravo do sistema.
Um dia eu achei que viver era curtir e viajar os fins de semana e férias, até notar que isso também é ser escravo do sistema.
A bênção é ser feliz no ordinário, no cotidiano, no dia a dia do trabalho. Eu aprendi que a vida é também sobre trabalhar com propósito, é viver o seu propósito de vida no trabalho.
Cada abraço de uma criança, cada sorriso de um adolescente, cada mensagem de carinho que recebo, cada riso que dou na sala com os meus colegas de trabalho... estou vivendo o meu propósito. É bênção, é amor, é cuidado de Deus em minha vida.
Meu avô sempre foi uma das minhas pessoas favoritas do mundo. E eu tenho muito orgulho disso. Também sinto quando falam de alguma semelhança nossa e meus olhos brilham quando me contam histórias dele.
Meu avô era incrível, era amoroso, era divertido e, acima de tudo, era humano.
Fico fascinada com as montagens que o chat faz, porque meu coração aquece quando vejo nós dois juntos, pq ele viverá sempre aqui dentro.
Lendo Rubem Alves, peguei-me a pensar em meu avô, e em como ele entenderia a minha loucura, e em como a beleza do mundo no salva a vida. A beleza que Alves tanto fala, que pode ser capaz de amenizar as dores do mundo. Porém, fiquei a pensar se meu avô parou de ver a beleza, se o terceiro olho dele se fechou e não pôde mais ver tudo que havia de belo ao seu redor, e aí eu comecei também a perceber como sempre estive em segundo plano já aí. Não é egoísmo falar disso diante das circunstâncias, mas entender o que sinto e como isso me impacta.
Meu pai sempre nos colocou em segundo plano, o primeiro era a mãe dele e seus irmãos. Minhas amigas da escola sempre me colocaram em segundo plano, e isso criou uma baixa autoestima que foram preciso anos para curar. Meus avós sempre me colocaram me segundo plano, pois só vieram me amar muito depois de eu nascer e uma até hoje não. Mas meu avô Fernando, esse sim me colocou em primeiro lugar, até eu sentir que não, quando ele se foi sem se despedir, quando ele se foi e eu fiquei sem entender, aí eu me senti em segundo plano também. No final, tudo isso me ajudou a ter pesadelos sobre ser quem eu sou, a segunda, sempre. E talvez por isso torcer pro Vitória e para a Argentina seja tão confortável, porque ambos tem a história de ficarem em segundo. Talvez os relacionamentos que tive influenciaram isso, por eu sempre me manter em segunda posição, sabendo que eu o era e aceitando, pois eu já sabia como viver nesse lugar. Talvez aí venha a minha queixa, fugir da primeira posição, nunca me esforçar o suficiente para ser a primeira em tudo, pois estou acostumada a ser comparada, a ser esquecida, a ser colocada em outro patamar. O que vem agora outro ponto, minha vida pessoal, sempre buscando cuidar do outro, colocar o outro como primeiro plano, seja um romance, seja meus pais, meu trabalho, nunca eu, nunca meu eu. Sim, sempre tudo em segundo porque é mais fácil escolher o que a gente já conhece do que o novo.
Não mais, vamos quebrar esse ciclo, vamos voltar a ser a primeira fotógrafa, vamos voltar a ser a primeira filha, a primeira neta, a primeira escolha em um relacionamento, que os outros lutem por mim e não eu por eles. Vamos pegar o protagonismo da vida, pois ela é uma só e tá passando muito rápido.
Hoje meu pai me enviou um vídeo, sem falar nada, apenas um vídeo do tiktok.
Abri, observei, do que se trataria?
Era um vídeo de um padre famoso na internet que falava de que muitas pessoas nos odeiam apenas por nós sermos nós mesmos e nos comparava ao Chaves que mesmo sem ter absolutamente nada, era regado da inveja do Kiko.
Eu chorei, sozinha na sala do meu trabalho, eu chorei. Tenho passado, vivido tanta coisa. Tantos golpes contra mim sem eu ter feito nada. Aquilo foi um consolo, foi um abraço. Foi meu pai me entendendo. Ele não sabe falar em muitos momentos, ele não sabe abraçar em alguns outros. Mas ele foi certeiro no que fez hoje e eu me senti especial. Obrigada meu pai, obrigada meu Pai.
Ontem o padre disse na homilia: "Bem aventurado você que acreditou neste momento de dificuldade"
Mas eu não posso dizer isso, porque até aqui o Senhor me sustentou, porque até aqui eu estou sendo guiada por Ele.
Não posso dizer que acredito sem ter visto, pois o vejo em cada detalhe da minha vida.
Obriagda, Deus. Obrigada, meu Pai.
Eu durmo pra sonhar, mas hoje, especificamente, não desejo sonhar com nada. Me sinto um poema de Adélia Prado.
Benicio disse que não precisa sentir medo porque o senhor está cuidando dele.
Aah, vô, eu sei que cuidas de nós. Como eu sigo te amando. 🥹💖