Ontem parei na fila do banco e comecei a pensar sobre a vida. Que vida hein, depois que você foi embora parece que aprendi contigo todas aquelas coisas escrotas que eu odiava. Como saber ignorar, me divertir com as pessoas que se importam comigo, ser fria e todas essas suas pequenas maldades. Me perguntei se o legado do nosso relacionamento seria esse, eu ter me tornado você. Pensei também sobre o quanto eu tinha me acostumado contigo e como eu sabia lidar com teu jeito difícil, de menino marrento. Vi teu número, pensei até em mandar uma mensagem e puxar um assunto qualquer. Mas eu não sabia como fazer isso, não sabia como tentar ir atrás de ti com dignidade, porque sempre que eu fosse atrás de ti, era o meu orgulho sendo espancado. Mas até ensaiei uma conversa mental. Mas não importa o quanto eu ensaiasse argumentos e tiradas inteligentes, no fim nossa conversa sempre tinha aquele gostinho de: eu ainda estou magoada, mas te quero de volta (da minha parte) e eu te acho boba, e você não é importante (da sua parte). E voltaríamos ao nosso silêncio, até que eu sentisse a força da abstinência outra vez.
eu, saudade.












