ncentineo: world, meet valhalla. valhalla, meet the world.
seen from Canada
seen from Netherlands

seen from United States
seen from United States

seen from United States
seen from Hungary
seen from China
seen from United States

seen from United States
seen from Taiwan
seen from Russia
seen from Russia
seen from Hungary
seen from United States

seen from Malaysia
seen from China

seen from Brazil

seen from United States

seen from Malaysia
seen from United States
ncentineo: world, meet valhalla. valhalla, meet the world.
NOME: Haymitch Nikolaevna.
IDADE: 28 anos.
GÊNERO: Cisgênero masculino.
CURSO: Mestrando em Arquitetura Clássica na Universidade Valhalla.
IRMANDADE: -
EXTRACURRICULARES: Fotografia
DIVINDADE: Phobos (mitologia grega).
FACES CLAIM: Aneurin Barnard
+ GOSTOS: Música clássica, arte, literatura, calmaria e solidão.
- DESGOSTOS: Ambientes lotados, pessoas rudes, lembranças da Rússia, calor e histeria.
❝ biografia ❞
A primeira coisa que sentimos quando nascemos é medo. Um sentimento que nos assombra pelo resto da vida, medo do escuro, medo do bicho papão, medo daqueles que não conhecemos, medo daqueles que não lembramos… Medo de viver, de ser esquecido, de morrer. O medo é o que nos move o que nos deixa vivos o bastante pelo medo de não sobreviver. Sentir medo não é um sinal de fraqueza, só quer dizer que se é humano, que algo pode lhe atingir, por minimo que for, há rachaduras em sua armadura e isso é bom. Ou deveria. Crianças deveriam ser ensinadas que está tudo bem sentir medo, desde que saiba que há alguém lá para te proteger. Haymitch Nikolaevna não teve a sorte de ser ensinado como deveria.
Nascido em Moscou, em uma família que sempre confundiu família com obrigação, sendo filho único de um casamento disfuncional, Haymitch nunca teve uma base familiar concreta e forte, tudo que tinha eram exemplos de pessoas com quem deveria parecer, a quem deveria admirar, pessoas fortes, mentirosas, sádicas…Tudo que havia de ruim os Nikolaevnas conseguiam ser, não era culpa deles, é claro que não. Um dia eles tiveram o poder correndo em suas veias, as coroas pesando em suas cabeças, mas um dia isso acabou e não havia mais nada além do orgulho ferido e do ego esmagador, tudo que restara para a família era correr atrás de redenção e esta veio com o tempo, com o sangue em suas mãos, com o dinheiro conseguido de forma suja, a riqueza e o orgulho sendo restaurado a cada geração, mas também os corações sendo endurecidos a cada prole bem sucedida.
Não seria diferente com o pequeno garoto dos cabelos negros, quando era apenas uma criança seus pais o impuseram os próprios medos sem pudor algum, sem pensar no que faria para o psicológico do menino. A mãe o super protegia, compreensível já que era seu único filho depois de diversas tragédias que haviam deixado-a desesperançosa com a ideia de um ter um herdeiro, no entanto Haymitch por muito tempo foi ensinado a ter medo até de respirar de forma errada e pegar uma pneumonia. O pai o negava a cada suspiro, tudo que a criança fazia era errado e Ioakim passava ao filho o medo de nunca poder deixar a família nas mãos de Haymitch. Com o tempo os medos dos pais começaram a deixar o organismo do pequeno enquanto este crescia e desenvolvia seus próprios medos. Todos diziam que ele teria, deveria, ter medo de não ser bom o bastante, mas a verdade era que ele não era bom o suficiente. Ele sabia. Ele aceitava isso. Havia tantas outras coisas para se ter medo, porque perder tempo tendo medo da verdade?
A verdade se mostrou ainda mais implacável quando o pai trouxe para casa um trabalho de caridade, um favor para um velho amigo morto, um favor que custaria muito mais do que parecia. Ele era mais velho que Haymitch, cinco anos a mais eram suficiente para colocá-lo como o herdeiro se recebesse o sobrenome Nikolaevna. Haymitch tentara odiar o órfão, afinal era o que todos esperavam dele, que o odiasse e ultrapassasse as expectativas para finalmente se tornar um grande líder, no entanto o que aconteceu foi que Haymitch apenas se entregou aos deleites de receber ordens do mais velho, era mais fácil e para ser sincero, ele tinha um pouco de pânico toda vez que olhava para o mais velho. Mais uma vez ele era um fracasso diante dos olhos de seus progenitores.
Não foi surpresa para Haymitch ser mandado aos Estados Unidos quando os primeiros sinais de problemas começaram a surgir em sua personalidade, ele não era quem deveria ser. Seus olhos continham uma escuridão que nem mesmo a mão conseguia amar, suas falas continham um melancolismo que causava tremores nos colegas e seus gestos pareciam tão perversos e maliciosos quanto dos maiores sádicos da família. Ele foi. Calado. Acompanhado pelo “irmão”, mas seus pensamentos continuavam na Rússia, continuavam atados a seus erros, talvez se ele fosse um mentiroso melhor Ioakim realmente acreditaria que ele era normal, mas ele não tinha sido um bom mentiroso e normal não era algo que se encaixava em suas características. Os motivos eram claros. Claros o suficiente para a tentativa de suicídio não ser questionava e sim esperada.
Ele tentou em uma noite silenciosa como a mansão em que havia sido criada, na água tão fria quanto os olhos azuis dos Nikolaevnas, na banheira, sozinho, com a porta trancada, ele não se cortou. Não, tinha medo de sangue e achava que a dor o faria recuar, não tentou remédios, afinal tinha medo que estes não funcionassem e o deixassem apenas vegetativo. Então durante seu banho ele tentou se afogar, era estranhamente ensurdecedor estar debaixo d’água, seus pensamentos pareciam mais altos ainda e ainda mais alto era o medo. Medo de morrer. Medo do que vinha após a morte. Medo por aqueles que ficavam, o que aconteceria com a mãe se perdesse o único filho? Ele seria, novamente, um fracasso se continuasse ali embaixo, no entanto a ideia de continuar a viver…Esta o amedrontava na mesma proporção. Uma batida na porta, firme e exigente, foi o necessário para fazê-lo sentar na banheira, ofegando. Vivo. Infelizmente.
Ali para frente a vida passava como uma obrigação. Ele tinha que estar vivo. Então ele viva. Estudava, acordava todos os dias, comia, dormia e a rotina continuava incansavelmente. Haymitch acabou por se formar em arquitetura, não por amor ou paixão à arte, mas sim por a pressão de precisar se formar em algo e de todas as opções arquitetura era a que menos lhe causava tédio, por ventura veio a se apaixonar pelo curso e decidido a não continuar em Valhalla, na companhia do irmão, começou seu mestrado.
❝ Características ❞
+ Criativo, prestativo, educado, observador e compreensivo.
- Mentiroso, perverso, depressivo, submisso ao irmão e sádico.
❝Poderes ❞
Escuridão psiquica: A capacidade de liberar o lado escuro da personalidade de uma pessoa, quer fazê-los parecer mais difícil ou o mal de qualquer maneira.
NOME: Agnes Cassandra Borgia.
IDADE: 22 anos.
GÊNERO: Cisgênero feminino.
CURSO: Medicina na Universidade Valhalla.
IRMANDADE: Kappa Tau Gamma.
EXTRACURRICULARES: Clube de Leitura
DIVINDADE: Minerva (mitologia romana).
FACES CLAIM: Kaya Scodelario
+ GOSTOS: Filosofia, música indie, gatos pretos, History Channel, veludo vermelho, feminismo, vestidos.
- DESGOSTOS: Agulhas, festas, bebidas alcoólicas, desonestidade, répteis, maus-tratos, romantização.
❝ biografia ❞
Luísa Castellano e Felippo Borgia casaram-se muito cedo. A vinda de mais um novo membro para ambas as famílias não fora tão desejada como costumavam apresentar para os demais de fora que não faziam a mínima ideia de como a tensão preenchia os dois lados. Luísa precisou desistir da faculdade de Medicina. A gravidez para si apresentou-se ser de risco; suas pernas inchavam, sua pressão caia constantemente e apesar dos enjoos serem raros, quando viam, eram intensos e constantes no determinado dia que viesse. Já Felippo não precisou desistir de sua carreira acadêmica. Continuou e concluiu com sucesso o curso de administração para poder em fim tomar conta da tão sonhada empresa de sua família. Durante todo o tempo de gestação, Agnes, como fora nomeada pouco tempo depois após a descoberta do seu sexo já vinha como toda a vida organizada. Seus pais já haviam articulado boa parte de sua infância, desde de onde iria estudar, quais seriam suas atividades extracurriculares e quem seriam suas babás. Seu poder de escolha até certa idade fora pouco escasso. Todas essas medidas foram tomadas como uma forma de ambos os dois evitarem a menina. Luísa nunca demonstrou sentimento nenhum por Agnes. Logo após seu nascimento, negou a pequena criança ao leite de peito ou qualquer outra assistência que uma mão daria para sua criança. Felippo fez diferente. Mesmo que seu tempo dentro de casa fosse muito pouco, sempre que podia, o rapaz doava-se por completo a sua filha, desenvolvendo ali desde o inicio um laço muito forte entre pai e filha.
Sua infância ocorreu relativamente bem. Mesmo com o desprezo de sua mãe, Agnes soube muito bem ocupar a falta materna com a presença das avós e as várias mulheres que eram designadas a cuidar dela. Mesmo que aquilo a incomodasse de algum jeito, Agnes aprendeu a não dar tanta importância, pois sabia que se transmitisse aquele tipo de coisa, alimentaria mais ainda aquilo que sua mãe sentia por si. Logo após terminar o ensino fundamental, Agnes destacou-se como uma das melhores alunas do ensino médio do colégio onde estudou. Suas notas eram as melhores, seus trabalhos escolares eram excepcionais e sua entrada na Universidade ficava um pouco mais próxima a cada passo certo que dava. Tendo grande maioria de pessoas torcendo e desejando sempre o melhor, sua mãe ainda estava ali maculando a sua desgraça. Luísa sentia inveja de Agnes, sentia tal coisa pois havia perdido a maior chance de sua vida para cuidar da própria saúde e a de outra vida a qual não desejava e notar que sua Agnes estava mais próxima de realizar também seu sonho pela Medicina era uma tortura para a mais velha que precisou desistir de várias coisas para entrar na vida materna. E foi a partir desse momento que Luísa decidiu tomar a pior decisão de sua vida. Vendo Agnes como sua rival e não como filha, Luísa não pensou duas vezes quando envenenou sua comida. Infelizmente, algo mais trágico aconteceu. Agnes não almoçou em casa naquele dia; havia desistido de ir para casa no horário do almoço para ficar no colégio para estudar mais um pouco com amigas, decisão esta que salvou sua vida.
O pobre infeliz que teve o infortúnio de comer da refeição envenenada foi Philippo que agonizou sozinho dentro de casa sem qualquer opção de ajuda. Ao encontrar o marido morto por conta de suas próprias ações, Lúcia acabou por desejando o mesmo fim: provando duas colheradas daquilo que havia sido destinado para a filha, a mulher acabou falecendo também, arrependendo-se de suas ações, abraçada ao homem ao qual jurou amor eterno apesar dos obstáculos que formavam-se na vida dos dois. Ao descobrir do acontecido, Agnes não deixou-se abalar um momento sequer pela morte dos país, pelo menos, visivelmente. Por dentro, a garota sofria e tudo para si parecia desmoronar. Tentando não focar-se no luto, numa tentativa de sair daquela tensão e toda aquela depressão que cercava a todos, Agnes dedicou-se por completo nos estudos, conseguindo por fim a tão clamada vaga no curso de Medicina, dedicando-a para o pai e ironicamente para a mãe. Antes que pudesse por fim planejar-se para sua entrada na Universidade, a Borgia decidiu reunir o dinheiro que tinha como herança para viajar um pouco pelo mundo, colocando em prática e em ação seus desejos pela história ou qualquer outra coisa que lhe ajudasse a adquirir conhecimento que de algum modo fosse útil algum dia. Ao entrar na faculdade, Agnes viu aquilo como oportunidade perfeita para poder desligar de tudo e todos e finalmente, poder focar em si mesma. Decidida a ser a melhor no que irá fazer, Agnes não poupara esforços para se manter no status que sempre manteve durante toda a sua vida.
❝ Características ❞
+ Positiva, adaptável, realista, extrovertida, criativa.
- Sarcástica, impulsiva, sensível, controladora, egoísta.
❝Poderes ❞
Enciclopédia : Agnes, literalmente, tem todo ou quase todo o conhecimento existente dentro do seu cérebro. Além de toda a informação ilimitada, seu poder abre abas para que ela desenvolva e adquira competências e desenvolvimento motor, como por exemplo, construção de máquinas, invenções inusitadas e etc.
NOME: Tomislav Dragonov.
IDADE: 52 anos.
GÊNERO: Cisgênero masculino.
CARGO: Chefe da segurança na Universidade Valhalla.
IRMANDADE: -
EXTRACURRICULARES: -
DIVINDADE: Amon (mitologia hebraica).
FACE CLAIM: Mads Mikkelsen.
+ GOSTOS: Vodka russa, fogo, violência, escuridão, neve, mecânica, fumaça.
- DESGOSTOS: Toque, falhas, cruzes, leitura, muitas roupas, desistentes, ser observado.
❝ biografia ❞
Em idade precoce, foi inserida no cerne de um pequeno Tomislav a ideia de que seu país era o melhor. O maior, o mais poderoso, o que estava sempre certo. Alienado pelo que a mãe o ensinava constantemente e a imagem do pai que constituía apenas uma lembrança na sala de casa — um homem resumido a um retrato emoldurado com uma placa metálica exibindo medalhas de um soldado caído em prol da defesa de sua pátria mãe —, Tomislav crescia para ser um legítimo cidadão russo, honrado e respeitável. Apesar dos sete irmãos mais velhos e o frio desapiedado, a fome ameaçando suas existências constantemente e a rigidez que foram obrigados a desenvolver desde berço para evitar o abuso de transeuntes não tão inocentes, ele amava a União Soviética de todo seu ser. Orgulhosa do comportamento exemplar de seu caçula, Tomislav acabava sendo alvo das atenções e poucas demonstrações de afeto da progenitora constantemente, para irritação dos irmãos. Não que ele acreditasse no fundo cruel que as brincadeiras violentas escondiam, apenas entendendo que os irmãos estavam lhe ensinando mais sobre como o mundo realmente era — em fato, nem os próprios irmãos sabiam exatamente a razão de reterem tanta mágoa do garotinho que deveriam proteger, e não conseguiam entender a necessidade de machucá-lo. Eles apenas conseguiram fazê-lo quando cresceram um pouco mais e Tomislav mostrou ser uma aberração.
Tomislav tinha dez anos quando ele e seus irmãos — nesta época já eram seis ao invés de oito crianças na casa, duas delas tendo morrido devido o frio e a fome — iniciaram campanhas sangrentas contra os que ousavam ameaçar sua família. Sempre com as roupas esfoladas, punhos doloridos e dentes sanguinolentos, o mais novo acabou revelando talento para a violência. Tinha raiva fluindo em suas veias como fogo líquido, algo incompreensível. Necessitava apenas de um segundo para assumir comportamento irascível e avançar em seus oponentes como um lobo faminto. Ele nunca matava, porque a fé cega implantada em seu coração para com a Igreja Ortodoxa Russa não o permitiria, mas deixava danos físicos consideráveis em suas vítimas. Em pouco tempo, Tomislav não era mais o doce irmãozinho da família Dragonov. Ele era o cão de guarda, que permanecia escondido por trás dos irmãos, tão pequeno que mal sabiam de onde vinha tanta fúria apaixonada, até mandarem-no atacar, como uma besta descontrolada.
Foi também nesta idade que passou a frequentar a igreja de fato, firmemente agarrado à mão materna, olhos de pássaro agitado procurando ameaças ao redor e músculos tensos como se prontos para iniciar uma fuga, indicando a criaturinha arisca que era. As visitas iniciaram devido problemas dentro da própria casa, pois todas as cruzes com as quais seus dedos entravam em contato quebravam imediatamente, por mais que não fizesse coisa alguma para provocar o prejuízo. Na sala do padre superior, enquanto Oksana conversava sobre os acontecimentos estranhos com a prole, Tomislav estendeu uma mão para tocar a pintura de uma santa na parede mais próxima. Ao passo que o sangue começou a jorrar dos olhos da imagem e o padre automaticamente começou a entoar cânticos em eslavo eclesiástico, o garoto afastou-se e observou a beleza estética da cena. Como sua mãe diria alguns anos depois, Tomislav sempre gostou de observar o circo pegar fogo.
O caso do garoto que fazia pinturas chorarem sangue e quebrava cruzes acabou sendo encaminhado ao bispo daquela eparquia, quase chegando ao Patriarca de Moscou. A partir daquele momento, as memórias do jovem Dragonov se tornaram um borrão, pois fez questão de apagar os flashes mais perturbadores. Contudo, ainda hoje poderia descrever com detalhes os rituais de exorcismo pelos quais foi obrigado a passar e os horrores que chocaram sua mãe. Suficientemente traumatizado, por mais que fizesse o possível para esquecer, o rapaz nunca mais chegou perto de sacerdotes em outros momentos de sua vida, também acabando por ter problemas em adentrar igrejas, monastérios e outros locais sacros sem se sentir extremamente desconfortável — ofendido até, com uma dor tão grande em seu peito que quase transponha a barreira emocional e se tornava física. Finalmente, sua mãe convenceu que o sofrimento da progênie não valia isto — nesta época, já eram apenas quatro irmãos e ela queria proteger as crias que restavam.
Com dezoito anos, ingressou no Exército Vermelho na primeira oportunidade. Agarrou-se com unhas e dentes à perspectiva de um futuro melhor para os poucos parentes que o inverno havia deixado para trás. Suas economias eram enviadas à mãe sem hesitação, enquanto se engajava com prazer em todos os projetos militares que ofereciam. Por menos disciplinado que pudesse ser em seu passado, era um ótimo soldado. Não via problemas em seguir ordens de seus superiores e se esforçava em cada mínima tarefa, atingindo resultados exímios. Seu destaque no regimento lhe rendeu mais do que medalhas, mas participação na primeira direção-geral da KGB, atuando na área de serviços sujos como assassinatos, atentados, sequestros e bombas. Era bom no que fazia e não precisava de muito para realizar seus serviços. Lutou, ao lado de seus companheiros, até o regime soviético cair, participando da última guerra propriamente dita do Exército Vermelho, a Afegã-Soviética.
Com a já reunida influência entre outros militares de patentes mais altas, foi incluído como Sargento-Major nas novas Forças Armadas Russas, e em pouco tempo já estava galgando os degraus para a subida de patente. A partir de 1993, integrou o Destacamento de Reconhecimento Regimental, que mudou completamente sob o comando do Capitão Khrushchyov, ao qual Tomislav foi submetido dois anos após sua chegada. Dentro deste Regimento, eram treinados para operações de ação direta e exploração de campo. Entretanto, ainda assim contavam com equipes de três ou quatro soldados especializados em reconhecimento, capazes de sobreviver por dias atrás das linhas inimigas. Com a chegada do Capitão, o grupo se tornou ainda mais elitizado. Duas equipes de cinco pessoas foram selecionadas para um treinamento ainda mais intenso e sigiloso, que nos registros contavam apenas como encontros para aprimoramento. Na prática, as missões deles e o nome de cada membro dessas equipes nem entravam nos relatórios. O slogan era: 'um inferno por semana’. Treinavam com o SAS, com a Delta, com os Sayeret Matkal… Até incursões em favelas brasileiras fizeram, que foi uma aula de reconhecimento de território. O objetivo era simples: estar preparado para agir em qualquer tipo de terreno, em qualquer horário, em qualquer circunstância, mas ainda diferente. Diferente porque um soldado deste Regimento era capaz de carregar outro nas costas por horas sob fogo inimigo, só que o Capitão Khrushchyov queria transformá-los em uma espécie de “super esquadrão”, com homens capazes de sobreviver sozinhos uma missão, mesmo que os outros fossem eliminados. Em meio ao processo geral e não relatado, o Capitão estava treinando duas unidades de cinco selecionados que deveriam ser capazes de rastrear um campo inimigo, realizar uma ação direta e voltar com as informações… Em vinte minutos.
Vinte minutos. Esse era o tempo de ação após o reconhecimento. Se basearam em uma operação da marinha russa, quando o petroleiro foi interceptado por piratas somali ao seguir para a China. A equipe enviada resolveu a missão em vinte e dois minutos, mas eles queriam ser melhores. Ainda possuíam reforço, é claro, uma equipe de soldados de prontidão para ser enviada como reforço de combate convencional contra os homens que Tomislav se acostumou a chamar de monstros. Monstros porque eles tinham seus próprios códigos: o alvo era o monstro; o reforço era SD, os soldados-demônios; para a organização criminosa ou extremista usavam Império. Cada missão era chamada de um episódio. Cada episódio deveria durar até vinte minutos. Era impossível definir um padrão de tempo tão curto para missões com esse perfil, os próprios soldados também acharam… Mas mudaram suas opiniões quando isso começou a funcionar. A unidade de Tomislav era chamada de Flashmen, porque eram rápidos, e a outra de Maskmen. Juntar ambas em uma missão era chamado de crossover. E quando o primeiro crossover aconteceu, bem, a vida de Tomislav teve fim.
Tudo começou quando Tomislav completou 35 anos. O Capitão passou um briefing da missão com a denúncia anônima do esconderijo de monstro da semana: um traficante de armas do Paquistão chamado Fadel Afridi, que abasteceria uma célula do Afeganistão. Ao fazerem o reconhecimento da área, admitiram que um episódio não seria o suficiente para acabar com a missão, aumentando o tempo para quarenta minutos — estas situações eram chamadas de 'episódio duplo’. O reconhecimento de atividade ilegal e a movimentação de uma tropa hostil foi suficiente para dar início à incursão e eles tomaram o galpão. A mente de Tomislav, atualmente, pode passar como o trailer de um filme com cenas fragmentadas as imagens vistas durante a invasão: comandos militares para snipers, corridas, códigos de rádio, batimentos cardíacos, explosões, tiros, correrias, morte e fogo. Eliminaram toda a atividade hostil, pois um único sobrevivente poderia indicar um incidente internacional por estarem invadindo uma fronteira sem permissão, mas apenas encontraram a artilharia — coisa pesada, incluindo material radioativo. Foi necessária toda uma temporada — como chamavam um conjunto de ações — para encontrar o maldito paquistanês… Apenas para descobrir que ele não queria apenas negociar armas. Ele queria fazer uma denúncia em rede nacional, a denúncia de um traidor que estava negociando tecnologia militar com o próprio comando russo, revertendo a própria tecnologia soviete. Ele iria denunciar em rede nacional seu fornecedor, e por isso o 'super esquadrão’ de Khrushchyov foi enviado na missão de prioridade máxima.
O esquadrão colocou Khrushchyov contra a parede, pelo rádio mesmo, e ele lhes contou tudo. Se, diante disso, ele ordenasse a ação ainda assim, seria como assinar uma confissão de culpa. Khrushchyov, encurralado, passou a seus homens uma rota de encontro com o resto do Regimento, sob o falso pretexto de que a missão havia sido mudada com as devidas circunstâncias impostas. Aflição. Era como se iniciavam as memórias constantemente revividas na mente de Tomislav. O pássaro os levou até o local e seguiram as orientações superiores… Primeiro, uma calmaria dentro da aeronave de asas rotativas. Depois, a floresta de aveleiras e pistácias, povoada por cabras, faisões e ovelhas caracul sonolentas. A caminhada pela mata escura, a visão otimizada pelo infravermelho. As instruções gestuais. O deslocamento obedecendo um padrão de operação militar. Quando chegaram ao local indicado da rota de encontro… O primeiro tiro. E o segundo. No terceiro, a escuridão e um sobrenome argentino morrendo nos lábios do russo, como uma prece jamais respondida.
Quando Tomislav abriu os olhos novamente, estava em uma cama de uma aldeia afegã. Havia sido salvo por um criador de ovelhas caracul de um povo conhecido como pashtun. Por mais que estivesse arriscando o próprio pescoço por mantê-lo em sua residência, aquele povo seguia um senso de honra próprio chamado pashtunwali — significa respeito, respeito por aqueles que batem na porta, pedem ajuda ou precisam ser protegidos. O russo se regenerou rapidamente a partir do momento em que retornou à consciência, processo que muitos diziam ser responsabilidade de sua incrível força de vontade. E tal força, por sua vez, descendia dos poucos momentos solitários nos quais Tomislav vasculhava os bolsos de seu colete arruinado para apanhar a fotografia marcada de um rapaz de olhos cerúleos e óculos tortos. O homem se tornou alvo do Talibã por causa de Tomislav. Mataram seu irmão, explodiram seu carro e queimaram sua casa. Ele e seus três filhos levaram o soviético para uma caverna e depois para um hospital, onde foi internado com as roupas que deram à ele. Em tais momentos, o Dragonov aprendeu muito com o simpático criador de ovelhas, como a julgar inimigos pelos atos e não pela bandeira.
Levaram dias para que Tomislav fosse encontrado pelas forças americanas em mais um golpe de sorte do que qualquer outra coisa. Foi assim que descobriu que seu regimento estava morto, emboscados em uma killzone armada por seus próprios compatriotas russos, e ele já não era bem-vindo no país. A pátria que tanto amara, pela qual havia dedicado anos de sua vida e a própria sobrevivência, o recusou em prol de um traidor. Desde que aceitasse asilo no país americano e atendesse aos chamados para interrogatório, poderia viver como um cidadão comum e trabalhar normalmente. Tomislav aceitou, sem opções, e em alguns anos instalou-se em Olympia.
Confortável em New Hampshire, por mais que não gostasse daquela nação e da agitação da cidade universitária, arranjou emprego na segurança da universidade local. Em pouco tempo, já era chefe da segurança. Contudo, devido algumas ocorrências violentas nos últimos meses, foi posto sob a vigilância do psicólogo da Tríade devido o TEPT desenvolvido por suas experiências traumáticas no campo de batalha. Ele ainda recusa admitir precisar de terapia e tratamento, por mais que o estresse em suas costas aumente conforme cada dia passa e a data marcada para o primeiro interrogatório se aproxima. Tomislav não sabe se ainda está pronto para romper todos os laços com sua pátria, com o país que tanto amou desde o berço, e traí-lo na mesma moeda. O fato de não poder relatar isso a ninguém apenas piora sua situação psicológica, com os pesadelos ficando cada vez mais frequentes e a raiva pela própria fragilidade borbulhando em seu âmago.
❝ Características ❞
+ Silencioso, diligente, honesto, firme, adaptável.
- Colérico, pétreo, orgulhoso, pessimista, rígido.
❝Poderes ❞
Regeneração: Muitos dizem que sua regeneração acelerada deve-se ao seu organismo saudável, sistema imunológico incrível e condicionamento físico acurado — voltariam atrás caso vissem quantos cigarros o soviete fuma e a quantidade de álcool que diariamente ingere. O corpo do Tomislav consegue se curar mais rapidamente que os demais e ele raramente fica doente. Contudo, o poder não se estende a níveis psicológicos, podendo muitas vezes ter o uso impedido por traumas e explosões emocionais muito intensas, causando as cicatrizes e machucados momentâneos do soviete. A adrenalina estimula a regeneração a agir mais rápido e Tomislav é praticamente imune a certos tipos de veneno, que muitos dizem ser devido sua constituição física (isso também indica que necessita de maiores doses de remédios e anestésicos, por mais que seu peso diga o contrário).
NOME: Juliana Arrassen.
IDADE: 19 anos.
GÊNERO: Cisgênero feminino.
CURSO: Medicina na Universidade Valhalla.
IRMANDADE: Gamma Phi Beta.
EXTRACURRICULARES: Líder de Torcida
DIVINDADE: Vammatar (mitologia nórdica).
FACES CLAIM: Camilla Mendes
+ GOSTOS: Livros, poucas pessoas presentes, lugares arejados, silêncio e organização.
- DESGOSTOS: Lugares fechados, palhaços, tatuagens, bohemian paphsody e contenção.
❝ biografia ❞
Brasil, 1998, uma quinta-feira chuvosa e escura. O vento batia contra todas as janelas da maternidade, o som poderia até ser alto, porém os gritos de Monica na sala de parto superavam qualquer tempestade. Ter um filho não era um trabalho fácil, ela deveria saber disso, todos diziam isso, era doloroso e sangrento, mas compensava. Ela sabia disso, ela teve certeza de que aquilo era verdade ao olhar no fundo dos olhos castanhos da pequena criança em seus braços, a sensação de segurança e de pureza durou pouco, afinal os avós da pequena criança não queriam ter a mancha de uma filha criando uma criança sozinha sendo tão jovem, então eles tiraram a garotinha dos braços de Monica antes mesmo que esta a nomeasse e entregaram o embrulho para uma enfermeira. Esta enfermeira, por sua vez, fez sua parte do acordo e sumiu com a criança da melhor forma que encontrara, vendendo-a para um casal argentino que não podia ter filhos. Aquela seria a última vez que a pequena veria o céu de Porto Alegre.
Rubén e Agostina Arrassen nomearam a garotinha de Juliana e a criaram como se fosse sua, isso até as coisas de algum jeito começarem a desandar na vida do casal principalmente quando as coisas envolviam a pequena. Com quatro anos de idade Juliana sofreu pela primeira vez nas mãos do destino quando Agostina enlouqueceu e tentou afogar a menina durante o banho. As empregadas tiraram a criança da mãe e quando Rubén chegou em casa estava decidido que a menina era a culpada de tudo e em uma medida conveniente para alguém que já havia comprado uma criança o casal a deixou na porta de um orfanato argentino. Não demorou muito para Juliana ser adotada novamente e poderia ter dado certo, poderia, os pais eram educados, ricos e amorosos, mas claro que a desgraça tinha que seguir gravada na pele da menina, então não demorou muito para o casal ser assassinado a sangue frio. E mais um casal veio e mais um foi. Então o terceiro veio e ela poderia jurar que seria diferente, pobrezinha, tão pequena. Apenas seis anos de idade e já causava comoção por onde passava, o suficiente para que seu irmão adotivo passasse a odiá-la, o bastante para fazer com que os pais achassem que Juliana era uma criança problemática.
Então o casal lhe devolveu como se fosse um brinquedo estragado. Realmente era um brinquedo estragado, uma boneca que todos cansavam de brincar com. Finalmente o quarto casal veio e Juliana conheceu uma família, era tão perfeito… Era. Foi quando ela tinha nove anos que tudo voltou a desmoronar, enquanto voltavam de uma apresentação de ballet a família se envolveu em um acidente de carro que hospitalizou Juliana e matou seus pais. Marcas, cicatrizes, análise, esse era o resumo da vida de Julles dali para frente, por um ano, talvez não tivesse sido surpresa que acabou sendo adotada por um psicologo. Cesare Valentín De Rosas, sua última parada. No começo Juliana se mostrou relutante quanto a adoção, ela não queria se apegar a alguém que acabaria morrendo ou a devolvendo, mas um ano se passou, então dois, então três e nada parecia dar errado. A garotinha finalmente tinha achado seu lar. Sua família, podia ser pequena, mas era tudo que tinha. Dor e sofrimento, no entanto, pareciam perseguir a garota e quando não conseguiram alcançar Cesare a vítima foi a própria Juliana. Ela tinha quatorze anos, era uma boa aluna, havia demonstrado uma grande inteligência desde que ficara estável em um lugar e a memória eidética também lhe ajudava no assunto, era uma boa aluna, uma boa garota e acima de tudo tinha um bom coração, bom o bastante para desviar seu caminho para ajudar um cachorro perdido a encontrar seu dono e no desvio, em um beco qualquer acabou por encontrar o que viria a ser seu maior pesadelo.
Ele não tinha um nome, eles chamavam-no de Trickster nos jornais, ele tinha um rosto cheio de maquiagem e cicatrizes e uma roupa de palhaço que se assemelhava a um personagem malvado saído das páginas de quadrinhos. Ela era velha o suficiente para saber o que ser pega por ele significava, ela estaria morta pela manhã, era o que sempre pensava, era o que sempre esperava, por quatro anos. Quatros anos sendo chamada de ‘little bird’, quatro anos sendo sua ‘garota favorita’, quatro anos desejando que Agostina a tivesse matado naquela maldita banheira, que tivesse sido assassina junto do segundo casal, que pelo menos o maldito acidente tivesse a levado embora. Quatro anos. Quatro anos sendo acostumada com a dor apenas para ser tratada como uma boneca quebrada ao ser deixada ir. No frio do inverno argentino, perto de casa, do que era sua casa, quase no fim do caminho que já não lembrava mais. Perdida, as palavras do palhaço ainda ecoando em sua cabeça. Casa. Ela queria ir para casa, mas sua mente confusa já não processava mais casa como o local em que Cesare morava.
“Uma hora as máscaras caiem Juliana, uma hora as cortinas se fecham e sua vida não será aplaudida… A não ser que você a mude. Sempre foi assim, sempre será assim, o que resta aos quebrados? O que resta aos bastardos? O que resta a você? Não muita coisa, apenas os restos, apenas aquilo que suas cansadas mãos conseguem alcançar. Uma criança de coração quebrado, de alma pesada e corpo desgastado, uma criança de olhos vazios e sorrisos falsos, é o que todos enxergam ao pousarem as orbes no que restou de você, pequena…Eu te avisei, você estava melhor comigo. Reze aos deuses por seu corpo little bird, pois sua alma já está a muito perdida. Vá para casa, Little Bird…Vá para casa.”
Ela o fez. Ela voltou para casa. Para Cesare. Para o que ainda se lembrava, cicatrizes, marcas, análise, era novamente a rotina da menina, que de alguma forma se mostrava melhor do que todos pensavam que ela estaria. Uma perfeita mentirosa mantendo tudo para si, era seu problema, ocasionais crises de pânico demonstravam outra história, mas ninguém liga, certo? Todos veem o que querem ver e ver uma garota forte que superou o trauma é sempre mais agradável do que alguém quebrado para sempre. Talvez fosse por isso que haviam deixado Jullie voltar a escola e tomar apenas um teste para finalizá-la, por isso eles haviam tão facilmente deixado-a ir para Valhalla. Se ela havia entrado em uma universidade tão renomada, então algo deveria estar certo, mesmo que a garota não se lembrasse de preencher um formulário de inscrição.
❝ Características ❞
+ Altruísta, atenciosa, confiável, leal e virtuosa.
- Ansiosa, desconfiada, obsessiva, pessimista e possessiva.
❝Poderes ❞
Praga: Um poder inconsciente cujo a habilidade é de espalhar a desgraça às vidas alheias seja em forma de acidentes, azar ou então de fato algo proposital. Como por exemplo um alvo do poder pode acabar sendo mais propenso a ser roubado e este roubo se tornar algo violento, ou então de apenas tropeçar e cair com a cara no chão.
NOME: Elphaba Campbell.
IDADE: 26 anos.
GÊNERO: Cisgênero feminino.
CURSO: Enfermagem na Universidade Valhalla.
IRMANDADE: Zeta Beta Zeta.
EXTRACURRICULARES: Arquearia
DIVINDADE: Sigyn (mitologia nórdica).
FACE CLAIM: Adelaide Kane
+ GOSTOS: Dança, teatro, crianças, filhotes de animais e moda.
- DESGOSTOS: Mudanças, mentiras, praia, sol e felinos de grande porte.
❝ biografia ❞
Fidelidade é o termo com origem no latim fidelis, que significa uma atitude de quem é fiel, de quem tem compromisso com aquilo que assume. É uma característica daquele que é leal, que é confiável, honesto e verdadeiro. Outros significados são dados livremente para a palavra fidelidade, ser fiel no entanto é algo que muitos podem achar difícil ou até mesmo bobo, é verdade que nem todos conseguem nascer com uma veia para a lealdade e a adoração para com terceiros, mas algumas vezes, raras vezes, algumas pessoas nascem destinadas a serem fiéis até o fim. A uma causa, a uma pessoa, a um país, qualquer coisa, não importa realmente, é um sinal de um Deus, ou de múltiplos deuses, de que a adoração não é errada, que o amor puro e fiel não está perdido para os mortais.
Delilah O’Malley Campbell não era uma dessas pessoas. Ela tentou, todos tinham que lhe dar crédito por isso, desde o dia em que conhecera Edward Campbell, ela tentou. Ele era um garoto muito inteligente e carinhoso, amável, fazia de tudo pela namorada e não demorou para que a namorada virasse a noiva e para que a noiva se tornasse finalmente a senhora Campbell. A vida não poderia ser melhor, para Edward, para Delilah tudo era muito cotidiano, muito chato, era uma rotina que ela estava começando a ficar cansada, acordar, trabalhar, voltar para casa, jantar, falar com Edward, dormir e tudo de novo. A rotina só foi quebrada, mudada, balançada, totalmente estilhaçada com a chegada de um bebê, uma garotinha, dos olhos grandes castanhos e cabelos espessos negros, seu nome: Elphaba. Elphaba Campbell. A salvação dos dias tediosos de Delilah, salvação esta que não durou muito tempo, ainda mais quando Edward foi convocado para a guerra deixando Delilah sozinha com a pequena, logo o tédio imposto com a rotina a tomou novamente e ela tentou, Deus sabia como ela tinha tentado, mas com Edward longe…Ela simplesmente desistiu se envolvendo com um antigo colega do marido.
Edward voltou da guerra apenas para ter que lidar com outra batalha, desta vez uma judicial sobre a custódia da filha. A pequena Elphaba, de apenas nove anos, vira o casamento dos pais ruir diante de seus olhos e a cada instante aquela batalha dentro de casa sobre a falta de fidelidade da mãe tinha um impacto maior e maior na vida e na personalidade da garota. Edward acabou por ganhar a custódia, com muito esforço e tempo, mas ele ganhou e Elphaba teve que deixar sua casa, sua mãe e sua cidade para trás para morar na movimentada Londres. A vida se tornou diferente, estranha, mas logo Elphaba havia se acostumado a sua nova situação, ela gostava de como o clima de Londres era e ela sempre, sempre seria uma fiel seguidora do homem que lhe ensinara tudo que sabia, talvez fosse por isso que aceitou a madrasta e os dois meio-irmãos tão facilmente. Ou talvez fosse por que Melody era realmente uma boa mãe, uma mãe de verdade, como Delilah havia falhado em ser e os irmãozinhos eram crianças adoráveis.
A vida só melhorava para a garota Campbell, ainda mais quando ficou noiva de Carl, ele era jovem, apaixonado, bonito e pretendia levar Elphaba para conhecer o mundo, ela queria isso, ela amava ele, mas ainda sim uma parte de seu subconsciente dizia que aquilo era errado, como se a promessa de que nunca faria o que mãe fizera, de que nunca trairia alguém, estivesse sendo quebrada de uma maneira que não conseguia entender como. Essa voz em sua cabeça tomou forma corpórea uma semana antes de seu casamento quando conheceu Francis de’ Medici Valois em uma festa de um amigo em comum, ao contar sobre seu casamento Francis acabou por discursar sobre algo relacionado a verdade interior e que a pior mentira é aquela relacionada ao próprio estado de espírito. Uma semana antes de seu casamento e tudo que bastara para fazê-la cancelar tudo foram as palavras de um estranho que nunca mais veria.
Ela voltou a ver Francis, da mesma maneira que o conhecera, em uma festa de um amigo em comum. Assim como na primeira vez o loiro estava totalmente bêbado discursando sobre coisas que poucos entendiam, mas ainda sim ela o escutava, cada palavra enrolada, cada pedaço de discurso mal feito, até ele terminar, até ela decidir que alguém tinha que levá-lo para casa e pará-lo. Foi o que ela fez, primeiro o impediu de levar outra bebida aos lábios, depois o carregou para seu apartamento cuidando do estranho pela noite toda, com zelo. E assim os encontros foram se repetindo, cada vez com mais frequência. Festa seguida de festa, e então cafés, quartos. Fora quando tudo saiu do controle de Elphaba, foi quando ele a teve nas mãos. Ela tinha se guardado para alguém especial por anos, nem mesmo seu ex-noivo tivera a chance de ver sequer uma porção da pele descoberta da Campbell, ainda sim ela tinha deliberadamente se deitado com Francis e o pior, ela não se arrependia. Ela entrou para a faculdade, um fato engraçado é que ele parecia sempre estar lá, como se fosse o destino os jogando um para o outro.
Tudo entre eles se tornou mais frequente, um ciclo, até o ciclo ser rompido com uma pergunta. ‘Quer casar comigo?’ e uma resposta, a única resposta que poderia existir ‘Sim’. Desta vez tudo parecia mais certo que nunca, eles eram completamente opostos, eram duas extremidades de luz e escuridão, ainda sim, ela não poderia ver outro jeito de viver se não estar com ele. Então em seus votos ela prometeu fidelidade e lealdade, e tudo que alguém poderia querer, em seus votos ele prometeu coisas que não poderia cumprir e para cada verdade que ela dizia, ele tinha cinco mentiras esperando para ser ditas. Algumas pessoas só não nascem para serem fiéis, para serem leais, Francis era uma dessas pessoas, mas Elphaba não era como seu pai, ela não se importava, não importava se ele não era fiel. Ela era. Sempre fiel. O lema dos fuzileiros era muito como o lema da vida da Campbell. Sempre fiel. Em todo ciclo de sua existência. Fadada a conhecer a mesma pessoa e a amar e respeitar sempre, mesmo sem retribuição.
❝ Características ❞
+ Carismática, educada, perspicaz, charmosa e amigável.
- Mentirosa, sarcástica, teimosa, impaciente e insistente.
❝Poderes ❞
Veritas: Um poder que consiste em saber quando alguém está a mentir e em outros casos é possível fazer com que a pessoa seja forçada a falar verdade, quando não controlado pode se apresentar apenas como uma confiança estranhamente extrema, como se algo maior lhe fizesse querer dizer a verdade para a garota.
NOME: Cesare Valentín de Rosas.
IDADE: 40 anos.
GÊNERO: Cisgênero masculino.
CARGO: Psicólogo na Universidade Valhalla.
IRMANDADE: -
EXTRACURRICULARES: -
DIVINDADE: Zadkiel (mitologia Judaico-cristã).
FACES CLAIM: Hugh Dancy
+ GOSTOS: Pinot Noir; café; neve; uvas passas recobertas por chocolate; o som de violinos; livros; ternos cor-de-rosa.
- DESGOSTOS: Inglaterra; cogumelos; intromissão; fogo; multidões.
❝ biografia ❞
A LÚGUBRE VERAS É QUE O FINDAR DE UMA ABSTRAÇÃO NADA É QUE NÃO PLENAMENTE INSÓLITO. O conceito, pois, a ver-se moldado pela mesma essência de uma psique adona-se de não sólida existência, passível da desaparição ante o não compartilhar. Divindades, pois, em seu estado de ideias amplamente difundidas, hão de lograr a permanência, ainda quando defronte aquilo que assemelha-se à obliteração. Ante a punição estendida por sobre os panteões por mão do mesmo universo, Zadkiel viu-se afetado. Relativamente tardio, porém, fora-lhe o açoite do destino. Feito à usança com a ínfima adoração —uma entidade pouco conhecida, não mais que figurada carne de um conceito, a graça divina—, logrou sobreviver em real forma por mais tempo que muitas deidades. Não fora abraçado por indulgência, contanto, terminando golpeado por tão infame fortuna: essência que outrora lhe pertencera, também terminara dissipada. Epitáfio, contanto, não auferido. Noções, pois, converteram-se a mais que mera energia. De crença a corpo. De ideias, a átomos.
’E DEUS DISSE: faça-se a luz!‘
E A LUZ FOI FEITA.
Um frio deserto compõe o extremo austral da terra prateada. Em Tierra del Fuego, onde encontra-se o fim do mundo, tendo por genitores um militar e uma professora, uma nova criatura encontrava sua gênese.
Ainda quando mais cruel dos frios dominava província, o suor traçava descenso por mulíebre rostro. Em parcial soledade, tolerava o suplício em silêncio, inconsciente o anseio pelo frígido amparo das alvas paredes de um hospital. Dolores, pois, não expectados ainda, a antecipação do sucesso tomando-a por surpresa. A randômica resolução por desistência do retorno à lastimada capital como acólita de cônjuge, em instância aquela, a constituir fortuna. Nada aprazível, em fato, mera abstração da desventura de uma cama de sangue a dar-se em estrada. Habitação de temporária residência, então, a compor minimo bálsamo, não obstante, bem recebido. Luz dava ao terceiro rebento, aquele que em vindouras instâncias, demarcaria o epílogo da estirpe. Calado, o infante, desertara a comodidade de materno ventre; a tez moteada por traços do color do céu diurno a denotar malefício em silêncio. As tão celestes orbes de madre, então, a projetar imediato desconsolo, já lacrimejantes desde prévias instâncias, agora preenchidas também pelo orvalhado brilho da ciência do provável afogo. ‘Incompatível com a vida’, era a sentença a pairar, bradada, ainda quando imerso o quarto em silêncio. Segundos pareciam estender-se à eternidade, perpetrando a tortura da incerteza de uma fatalidade temprana a supliciar família. E então, sucedera: o findar de desespero demarcado pelo haurir, o oxigênio a atestar os pequenos pulmões por fim, dando vida ao pranto enérgico asseverante da saúde a existir em neonato. E para findar desespero, os pequenos pulmões, por fim, preenchidos pelo tão necessário oxigênio, dando vida ao pranto enérgico que indicava a saúde a existir em neonato. Cesare já não recorda. Como poderia, tão longínqua dita fracção de pretérito? Contanto, em momento do brado por mãe tão ansiado, explicitara mais puro lamento. Aqueles que ao mundo vêm, afinal, chegam em lágrimas, vez que todo ínfimo descômodo há de ser mais horrendo suplício já padecido. O nascimento, pois, é ciclópico câmbio: calidez e segurança desertadas em prol de território hostil e danoso, onde quaisquer descuidos hão de ceifar vitalidade. Tão frágeis e fortes, ao simultâneo, os humanos. E aquele, nascido em Ushuaia na noite do dia 10 de fevereiro de 1977, e criado em Buenos Aires, com seus olhos fracos e ainda não desvelada solicitude, não fora distinto.
Para os patagônios em anos aqueles, cada novo alvorecer compunha a jura de inédito padecimento. Em pleno ‘Processo de Reorganização Nacional’, regidos eram por temor e a pobremente justificada tirania que, congregados, faziam sangrar toda uma nação. Horrendos, os tempos, passíveis de apaziguar casmurros natos, de amodorrar a têmpera afiada atrelada à médula de todos os argentinos. Tempos tão cruéis como para entorpecer o espírito de um povo, cambiando celeste e branco pelo gris do que é incerto e isento de brilho. E dentre a desdita a tomar massa, a violência a calar bocas por desaparição, sevícia e supressão, haviam os agraciados por resguardo. Ínfimo o grupo salvo, a circular pelas invisíveis trincheiras compostas de cargos e posses. A família de Rosas não era exceção; inegável o prestígio advindo desde os dias de Juan Manuel de Rosas, o governador e conquistador do deserto. A prata e a boa posição social, quando somadas ao posto do patriarca na armada, garantira ao casal e seus três filhos a segurança condicional. A benção da quimérica pacacidade outorgava aos indivíduos por esta amparados o provento do alheamento ao lamentável estado de um país enfermo. A intrincada inveracidade possibilitada pela cegueira opcional adotada por racionais ignavos. Arrastado com estes, Cesare. Não que as coisas houvessem de ser percebidas por distintas vias por um indivíduo ainda tão tenro que, com seus olhos belos e inúteis e curta noção infantil, meramente lograva perceber a aberta ferida em entorno, sequer precatando-se dos sussurros de seus genitores em alta madrugada; ou outorgando importância aos usuais disparos posteriores ao toque de queda. Poupado, afinal, do compreender dos massacres sob o véu do circo durante o mundial de 78 graças à pouca idade. Pelo sacrifício da moralidade de outrem, amparado. Contanto, em plena ditadura, todo cuidado há de dar-se como pouco. O conformismo, pois, sendo necessário. Martín de Rosas não era exceção. Encontrava como deploráveis os métodos de “reorganização” aplicados pela junta e respaldados pelo plano Condor. E ainda ante a discordância cardeal, não havia o câmbio. O homem permanecia com lábios selados. Talvez não por direta inferência de suas mãos sucedessem as eliminações. Talvez os voos da morte não abandonassem solo por vocal ordem daquele. Contanto, o aquiescer por mor da salvaguarda de próprio sangue condicionara beneplácito aos tiranos, à guerra suja. Tratava de convencer a si que estava no correto, que a farda protegia esposa e filhos. Contanto, ao final do dia, nada mais era que outro 'de los milicos asesinos’.
Já não fosse basta a hostilidade a dominar ruas, a enforcar cidades e seus indivíduos, em 82, veio a guerra. A maldita conflagração. Ínfima aos olhos do mundo já assolado por genocídio, ínfima aos invasores com seus arcaicos impulsos imperialistas. Ínfima a todos aqueles que não a lutaram. A todos aqueles não a perderam. Pois pais viram o exício de filhos, filhos o perecer de pais e um Estado contemplou os momentos finais dos direitos que definem os indivíduos, a perda de centenas de identidades. Arrancados do seio do lar, civis e militares por igual, enviados ao abate como não mais que números. As Malvinas necessitavam defesa, a nação clamava pelo auxílio. Por força, pois, cargados à luta, jovens e velhos por igual. Quaisquer homens passíveis de suster armas. A escolha? Inexistente, não mais que uma noção abstrata. Antes a falsa voluntariedade outorgante da possibilidade de um fenecer homérico; que uma bala em fronte disparada na ESMA, com posterior cova rasa e outro prenome agregado à lista de desaparecidos. Em hino da nação, final linha pois já brada: ‘coronados de gloria vivamos; o juremos con gloria morir’. E assim, ante convocação, Martín cambiara a comodidade da casa pelas precárias trincheiras em uma ilha. Louros e glória, porém, jamais tocara. Em lugar disto, o forçado consumo de drogas por mor de um permanente estado de alerta e o banho de sangue, que jamais haveria de ser olvidado. Algo é a análise de uma guerra pela perspectiva plantada em documentos. Distinto, porém, é o testemunhar direto, o tomar parte em tamanha impiedade impune que, desde as primícias da humanidade, constitui um vezo ocasional atrelado ao saciar de ambições de forças maiores, ao egoísmo. E presenciar o findar de inúmeros jovens por disparos há de avariar uma psique em permanência. Com cinco anos contava Cesare quando o pai cambiara radicalmente.
Trauma, quando conceito, há de ver-se adonado de duas partições primais: físico e psicológico. A primeira caracteriza-se por corpóreas injúrias, cuja gênese há de ser proveniente da influência de veiculadores externos ao organismo. A segunda recorre de sucessos raiz de emocional dano, acarretando intenso pânico generante de estresse. Contanto, determinantes de trauma psicológico hão de dar-se em variadas maneiras, outorgando a este mor complexidade. Distintas vias cargam estes em randômicos indivíduos, tornando consentâneo que algo trivial à ciência de um, tome configurações de uma Hidra de Lerna ante óptica de outrem. Porém, tais definições restam à importância quando colocadas em paralelo com terceiro fator: ambas seções traumáticas, por majoritária parte, encontram-se encadeadas. Por instâncias, físicos traumas não são isentos de cargar culpabilidade por atuar a modo de gatilho no que refere à origem de traumas psicológicos. Em não tão vultosas proporções, dita situação pode dar-se, também, em opoente maneira. A sequela psicológica, de complexa reversão, então, assume papel de nêmesis, levando sujeito cargante de tal à destrutivos atos direcionados à própria integridade. Recorrente é tal caso entre aqueles cujos olhos presenciaram a guerra em imediata frente. Naquele então, Cesare não compreendia o complexo conceito de trauma. Contanto, era já passível de avistá-lo. O homem já não apresentava uma catenária a moldar os lábios com constância e aquele outrora atrelado às charlas, agora permanecia calado. O carinho vira-se cambiado pela gelidez no tratar, e a placidez por um incessante estado de alerta. O menino ansiava pela atenção do pai, pelo afeto ao qual estava acostumado, razão pela qual apresentava insistência pela companhia de outrem. Em uma destas, motivado pela raiva, terminara agredindo o filho, o que resultou em uma fratura do braço esquerdo do pequeno. A guerra havia acabado, de fato. Mas a essência desta jamais haveria de abandonar o couro daquele que a lutara, a violência agora intrínseca iniciando a ruptura do núcleo familiar.
Ao menos, com o fim da guerra, o cansaço já não ocultável de uma sociedade viera à tona. E então, o sequente fim do processo de reorganização nacional. Mas não por isto, o fim da indignação. Da dor. Da revolta. Por dentre tantos infortúnios de velada aquela, mor revés eternamente há de ser a subtração. Como legião, afinal, restar vital fracção da coletiva médula e compleição há de avariar terminantemente o que antes era funcional. Não fora distinto, portanto, com entidade que eram os Rosas em pretérito que Cesare ansiava por olvidar. Como todos componentes de um organismo, os irmãos, haveriam de ser não apartáveis. Até instância em que a morada fora um sol em meio à noite. Luminoso e ardente, cimentos abraçados por flamas pouco maviosas, que tudo destruíam a seu passo. A reinstauração de um governo justo não aplacara os humores das famílias destruídas durante o regime. E, ainda que limitado a assinatura de papéis e a cegueira optada, Martín era um militar. E a retaliação chegara. No incêndio o perecer imediato coubera a Santiago, o filho do meio. Emelia sacrificara os próprios pulmões por mor do lograr da salvaguarda de Edgardo e Cesare, encontrando passamento horas depois. Padre e dois filhos, portanto, restaram. E um cinco converteu-se ao três. Três, que tiveram de buscar novo lar. Três que, prontamente, converteu-se ao dois. Na primeira oportunidade, Martín plantou em próprio cenho uma bala, desertando própria existência e, consequentemente, ambos filhos. Cesare, com seus seis anos, não compreendia. Por sorte, não estava só. Edgardo, o irmão mais velho, assumira os cuidados do pequeno. Dito marco fora determinante para o desertar da capital por parte dos restantes da estirpe de Rosas que, com aquilo que lhes pertencia por direito, zarparam à Bahia Blanca, intuindo edificar própria vida ábditos aos ágrios olhares de uma história trágica.Transição não dera-se tão dificultosa quanto era expectado. Contanto, simplória tampouco era vocábulo passível de descrever situação exata. Pela posse de vivos recursos, bem instalados foram. Dificuldade maior jazia, afinal, na criação de Cesare: dócil e relativamente esperto, porém, propenso a lastimar-se. O garoto nascera com fracção pouco afortunada da genética, possuindo uma péssima visão -ao borde da subnormalidade-, e recusava-se a usar os óculos, o que facilitava os acidentes. A ausência de madre, afinal, constituíra complicação. Nada insuperável, porém. “Gardo”, como se referia ao irmão mais velho, assumira o papel de pai do garoto, que já passara a compreender história de infortúnios a acometer família- e com o auxílio de um profissional encontrara solução: um cachorro, por modo de animal de companhia, para agir tanto como guia quanto amigo do garoto. Por seguintes anos, em usança convertera-se a imagem: a álacre criatura a calcorrear por rincões da cidade, acompanhado por um Dogo Argentino, que fazia vez de olhos ao obstinado.
Ao crescer, Cesare desvelara-se como recluso cujo maior interesse eram os estudos. Nítida a predileção por soledade, majoritário tempo expendido ao foco em livros alheio aos sucessos de circunvizinhança. Aquilo que haveria de acolitar intelecção, ao fim das contas, fazia-se à suficiência. Não eram inauditas, portanto, instâncias nas quais atrelava-se à horas de análises teóricas voluntárias, superando até mesmo aquilo requisitado pelo docente particular encargado da educação domiciliar do garoto. Como consequência, ao atingir os dezoito anos, não encontrara óbices ciclópicas ao buscar acesso ao ensino superior. Ingressara com extrema facilidade no curso local de Psicologia, sem necessitar de cadeiras prévias em cursos estabilizantes. Comunal deram-se os primeiros quatro anos do curso, a paixão pelo que haveria de exercer no futuro sendo único enfoque. No quinto ano, contanto, sucedera titânica alteração. Motivado pelo pretérito recoberto de sangue da própria família, passara a engajar-se em causas atreladas à justiça e ao auxílio dos desamparados. Retornando a Buenos Aires, negara-se a adotar a banal existência de qualquer indivíduo: uma licenciatura qualquer, um vezo em soledade, imerso em longanimidade quanto às pacatas circunspeções. Ao fim das contas, por vinte e três anos expendera tempo, limitando-se ao silêncio quanto ao próprio pretérito, tragando própria cólera e desengano que costumavam apontar. Tão gris própria vivência, sem jamais renegar aborrecimento que cernia-se, incessante, sobre si, a longa sombra à outorgar forma à maus presságios. Abstrações que cargavam-no à deriva compostas eram de diversos cenários que cessavam em um único espetáculo: o abandono de mundana mediocridade na qual estava inserido com o sequente pagamento por toda a dor que, indiretamente, auxiliou no dispersar. Em 2003, finalmente encontrara oportunidade para a redenção, conseguindo uma vaga como um dos psicólogos do Centro de Atenção Psicológica Pelo Direito à Identidade, onde trabalhou por vários anos.
Tudo corria bem para Cesare, contanto, algo ainda parecia vago. A soledade, pois, o atormentava. Não necessitava do amor romântico, não necessitava de um parceiro com quem partilhar a vida. Ansiava, contudo, por uma família. Família aquela que, por vias convencionais, jamais haveria de auferir. Motivado por este anseio, no ano de 2007, iniciou o processo e consequente adoção de Juliana Arrassen, uma ‘criança problemática’. Tempo e recursos foram expendidos em objetivo tal, contando, o argentino jamais arrependeu-se. Jules não era neonata e tampouco partilhava seu sangue, contudo, não por isso deixaria de ser a amada filha do psicólogo, que transpassou limites para ofertar segurança e comodidade à garota, modo a demonstrar que a preocupação e o carinho por ela nutridos nada eram que não genuínos. E ante a certeza da veracidade das boas tenções do prateado, a relutância fora embora. Por fim, tudo corria à perfeição. Pai e filha, um tanto quanto peculiares, a viver a sonhada vida. Contudo, se a história possui tempos escuros, por que os homens que a constroem não haveriam de tê-los, por igual? Em uma fatídica tarde, Juliana não chegara em casa para o jantar. Para o dia seguinte, tampouco. Por quatro anos, Juliana não chegara, deixando o de Rosas desolado. Vitimado por incalculável pesar, Cesare cambiara como indivíduo. Subitamente taciturno e ainda mais atrelado à reclusão, limitava-se do trabalho para a casa e da casa ao trabalho, não encontrando a gana para outra coisa que não o objetivo de auxiliar aos demais e as lágrimas derramadas em soledade. O intermitente alcoolismo a partir de ponto tal adquirira mais forte presença, única maneira de apaziguar dolores profundos a fender-lhe alma. Vivia a contragosto, cargado por próprio dolor aos mais sombrios rincões do próprio mundo. Haveria o homem de ter admitido, ao menos uma vez, que padecia um problema. Tantos demônios a povoar-lhe psique, as remembranças recobertas pelo breu de temores passados. Haveria de ter abaixado hábitos, lacrimejado contra alheio ombro e acatado intervenção. Haveria de ter cedido à terapêutica, calado, e recuperado sanidade física e mental. Contanto, não fizera-o. O permanente estado de negação, ciclópica a insolência na recusa a buscar auxílio. A fatídica falha, causante de inescusável falha em tormentosa noite. Errôneo, o maldito, havia logrado o fundo de uma botelha de destilado. E com a ‘líquida coragem’, tratara de cessar própria existência.
Posterior ao incidente, gastara dias em lapsos. Não havia em mente vigilância, contanto, tampouco havia tal adormecido. Despertara por completo em semana seguinte, curtas anamneses dando-lhe semiplena ideia de prévios sucessos. Atado à um leito hospitalar, sentindo-se desamparado em eremítico estado do gélido e vago aposento, sequer encontrara eficácia em emitir brado, modo a fazer própria consciência à alheia percepção. Quando alguém precatou-se da lucidez já instaurada no argentino, procedeu a outorgar-lhe relato detalhado no referente às relevantes peças de informação para vir a conhecer próprio estado. Era-lhe tormento conhecer cada pormenor de causalidade funesta, sucumbindo aos demônios de própria cabeça, não vendo-se passível de refrear desequilíbrio. Acompanhamento psiquiátrico fora primeira medida, apresentando esta parcial êxito, visto que, ainda que apaziguasse episódios, não era apta a cessar os frequentes brutais surtos, durante os quais Cesare apresentava-se como grande risco à própria vida, chegando a rascunhar amuradas ao ponto de extrair próprios gatázios. Conseguinte providência fora isolamento, ainda que em próprio lar. Tardança cernira-se sobre recuperação do homem que, afogado em pesar provocado por próprio desmazelo, já não cria-se digno de perdurar. Aos poucos, contanto, de alguma maneira, lograra superar dolor, terminando por ver-se re-integrado à rotina. O trabalho, puramente motivado pela gana de auxiliar e de outorgar um fechamento a quem o necessitava, constituíra significante fator no referente ao parcial retorno de Cesare como funcional criatura. Quando, por fim, largava descarrilamento que parecia haver-se convertido, algo mais sucedera: em randômica velada, a porta abrira. E lá estava aquela que por tanto tempo havia esperado: sem explanações, sem aviso prévio, Juliana retornara. E necessitava amparo como jamais. Assim, com azáfama, Cesare encargou-se de providenciar tudo o que necessitavam para abandonar a Argentina. Para auferir um novo começo. Buenos Aires, então, fora cambiada pela pequena cidade universitária de Olympia, onde o homem conseguira uma vaga como psicólogo de uma instituição de ensino. O patagônio sequer hesitara em desertar a vida estável que possuía por mor do bem estar da filha que retornara ao lar. Afinal, está há de ser dentre as motivações deste, a maior. Quando tenciona a desistência, o de Rosas necessita remembrar apenas três vocábulos: ‘Faça, por ela’.
❝ Características ❞
+ Espirituoso, álacre, sagaz, solícito e paciente.
- Casmurro, ciumento, indulgente, desatento e cético.
❝Poderes ❞
Empatia: Empatia define-se como a capacidade psicológica de colocar-se na posição de outrem, a habilidade de compreender e interpretar emoções alheias quando enfrentados a certas situações. A compreensão da natureza alheia, a valência à introdução sobre a pele de outrem sempre foi algo simples ao patagônio. Nato. Esta predisposição natural à afinidade somada à gana por auxiliar os demais foi, dentre inúmeros fatores, um dos principais responsáveis pela escolha da profissão do argentino.