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NOME: Cesare Valentín de Rosas.
IDADE: 40 anos.
GÊNERO: Cisgênero masculino.
CARGO: Psicólogo na Universidade Valhalla.
IRMANDADE: -
EXTRACURRICULARES: -
DIVINDADE: Zadkiel (mitologia Judaico-cristã).
FACES CLAIM: Hugh Dancy
+ GOSTOS: Pinot Noir; café; neve; uvas passas recobertas por chocolate; o som de violinos; livros; ternos cor-de-rosa.
- DESGOSTOS: Inglaterra; cogumelos; intromissão; fogo; multidões.
❝ biografia ❞
A LÚGUBRE VERAS É QUE O FINDAR DE UMA ABSTRAÇÃO NADA É QUE NÃO PLENAMENTE INSÓLITO. O conceito, pois, a ver-se moldado pela mesma essência de uma psique adona-se de não sólida existência, passível da desaparição ante o não compartilhar. Divindades, pois, em seu estado de ideias amplamente difundidas, hão de lograr a permanência, ainda quando defronte aquilo que assemelha-se à obliteração. Ante a punição estendida por sobre os panteões por mão do mesmo universo, Zadkiel viu-se afetado. Relativamente tardio, porém, fora-lhe o açoite do destino. Feito à usança com a ínfima adoração —uma entidade pouco conhecida, não mais que figurada carne de um conceito, a graça divina—, logrou sobreviver em real forma por mais tempo que muitas deidades. Não fora abraçado por indulgência, contanto, terminando golpeado por tão infame fortuna: essência que outrora lhe pertencera, também terminara dissipada. Epitáfio, contanto, não auferido. Noções, pois, converteram-se a mais que mera energia. De crença a corpo. De ideias, a átomos.
’E DEUS DISSE: faça-se a luz!‘
E A LUZ FOI FEITA.
Um frio deserto compõe o extremo austral da terra prateada. Em Tierra del Fuego, onde encontra-se o fim do mundo, tendo por genitores um militar e uma professora, uma nova criatura encontrava sua gênese.
Ainda quando mais cruel dos frios dominava província, o suor traçava descenso por mulíebre rostro. Em parcial soledade, tolerava o suplício em silêncio, inconsciente o anseio pelo frígido amparo das alvas paredes de um hospital. Dolores, pois, não expectados ainda, a antecipação do sucesso tomando-a por surpresa. A randômica resolução por desistência do retorno à lastimada capital como acólita de cônjuge, em instância aquela, a constituir fortuna. Nada aprazível, em fato, mera abstração da desventura de uma cama de sangue a dar-se em estrada. Habitação de temporária residência, então, a compor minimo bálsamo, não obstante, bem recebido. Luz dava ao terceiro rebento, aquele que em vindouras instâncias, demarcaria o epílogo da estirpe. Calado, o infante, desertara a comodidade de materno ventre; a tez moteada por traços do color do céu diurno a denotar malefício em silêncio. As tão celestes orbes de madre, então, a projetar imediato desconsolo, já lacrimejantes desde prévias instâncias, agora preenchidas também pelo orvalhado brilho da ciência do provável afogo. ‘Incompatível com a vida’, era a sentença a pairar, bradada, ainda quando imerso o quarto em silêncio. Segundos pareciam estender-se à eternidade, perpetrando a tortura da incerteza de uma fatalidade temprana a supliciar família. E então, sucedera: o findar de desespero demarcado pelo haurir, o oxigênio a atestar os pequenos pulmões por fim, dando vida ao pranto enérgico asseverante da saúde a existir em neonato. E para findar desespero, os pequenos pulmões, por fim, preenchidos pelo tão necessário oxigênio, dando vida ao pranto enérgico que indicava a saúde a existir em neonato. Cesare já não recorda. Como poderia, tão longínqua dita fracção de pretérito? Contanto, em momento do brado por mãe tão ansiado, explicitara mais puro lamento. Aqueles que ao mundo vêm, afinal, chegam em lágrimas, vez que todo ínfimo descômodo há de ser mais horrendo suplício já padecido. O nascimento, pois, é ciclópico câmbio: calidez e segurança desertadas em prol de território hostil e danoso, onde quaisquer descuidos hão de ceifar vitalidade. Tão frágeis e fortes, ao simultâneo, os humanos. E aquele, nascido em Ushuaia na noite do dia 10 de fevereiro de 1977, e criado em Buenos Aires, com seus olhos fracos e ainda não desvelada solicitude, não fora distinto.
Para os patagônios em anos aqueles, cada novo alvorecer compunha a jura de inédito padecimento. Em pleno ‘Processo de Reorganização Nacional’, regidos eram por temor e a pobremente justificada tirania que, congregados, faziam sangrar toda uma nação. Horrendos, os tempos, passíveis de apaziguar casmurros natos, de amodorrar a têmpera afiada atrelada à médula de todos os argentinos. Tempos tão cruéis como para entorpecer o espírito de um povo, cambiando celeste e branco pelo gris do que é incerto e isento de brilho. E dentre a desdita a tomar massa, a violência a calar bocas por desaparição, sevícia e supressão, haviam os agraciados por resguardo. Ínfimo o grupo salvo, a circular pelas invisíveis trincheiras compostas de cargos e posses. A família de Rosas não era exceção; inegável o prestígio advindo desde os dias de Juan Manuel de Rosas, o governador e conquistador do deserto. A prata e a boa posição social, quando somadas ao posto do patriarca na armada, garantira ao casal e seus três filhos a segurança condicional. A benção da quimérica pacacidade outorgava aos indivíduos por esta amparados o provento do alheamento ao lamentável estado de um país enfermo. A intrincada inveracidade possibilitada pela cegueira opcional adotada por racionais ignavos. Arrastado com estes, Cesare. Não que as coisas houvessem de ser percebidas por distintas vias por um indivíduo ainda tão tenro que, com seus olhos belos e inúteis e curta noção infantil, meramente lograva perceber a aberta ferida em entorno, sequer precatando-se dos sussurros de seus genitores em alta madrugada; ou outorgando importância aos usuais disparos posteriores ao toque de queda. Poupado, afinal, do compreender dos massacres sob o véu do circo durante o mundial de 78 graças à pouca idade. Pelo sacrifício da moralidade de outrem, amparado. Contanto, em plena ditadura, todo cuidado há de dar-se como pouco. O conformismo, pois, sendo necessário. Martín de Rosas não era exceção. Encontrava como deploráveis os métodos de “reorganização” aplicados pela junta e respaldados pelo plano Condor. E ainda ante a discordância cardeal, não havia o câmbio. O homem permanecia com lábios selados. Talvez não por direta inferência de suas mãos sucedessem as eliminações. Talvez os voos da morte não abandonassem solo por vocal ordem daquele. Contanto, o aquiescer por mor da salvaguarda de próprio sangue condicionara beneplácito aos tiranos, à guerra suja. Tratava de convencer a si que estava no correto, que a farda protegia esposa e filhos. Contanto, ao final do dia, nada mais era que outro 'de los milicos asesinos’.
Já não fosse basta a hostilidade a dominar ruas, a enforcar cidades e seus indivíduos, em 82, veio a guerra. A maldita conflagração. Ínfima aos olhos do mundo já assolado por genocídio, ínfima aos invasores com seus arcaicos impulsos imperialistas. Ínfima a todos aqueles que não a lutaram. A todos aqueles não a perderam. Pois pais viram o exício de filhos, filhos o perecer de pais e um Estado contemplou os momentos finais dos direitos que definem os indivíduos, a perda de centenas de identidades. Arrancados do seio do lar, civis e militares por igual, enviados ao abate como não mais que números. As Malvinas necessitavam defesa, a nação clamava pelo auxílio. Por força, pois, cargados à luta, jovens e velhos por igual. Quaisquer homens passíveis de suster armas. A escolha? Inexistente, não mais que uma noção abstrata. Antes a falsa voluntariedade outorgante da possibilidade de um fenecer homérico; que uma bala em fronte disparada na ESMA, com posterior cova rasa e outro prenome agregado à lista de desaparecidos. Em hino da nação, final linha pois já brada: ‘coronados de gloria vivamos; o juremos con gloria morir’. E assim, ante convocação, Martín cambiara a comodidade da casa pelas precárias trincheiras em uma ilha. Louros e glória, porém, jamais tocara. Em lugar disto, o forçado consumo de drogas por mor de um permanente estado de alerta e o banho de sangue, que jamais haveria de ser olvidado. Algo é a análise de uma guerra pela perspectiva plantada em documentos. Distinto, porém, é o testemunhar direto, o tomar parte em tamanha impiedade impune que, desde as primícias da humanidade, constitui um vezo ocasional atrelado ao saciar de ambições de forças maiores, ao egoísmo. E presenciar o findar de inúmeros jovens por disparos há de avariar uma psique em permanência. Com cinco anos contava Cesare quando o pai cambiara radicalmente.
Trauma, quando conceito, há de ver-se adonado de duas partições primais: físico e psicológico. A primeira caracteriza-se por corpóreas injúrias, cuja gênese há de ser proveniente da influência de veiculadores externos ao organismo. A segunda recorre de sucessos raiz de emocional dano, acarretando intenso pânico generante de estresse. Contanto, determinantes de trauma psicológico hão de dar-se em variadas maneiras, outorgando a este mor complexidade. Distintas vias cargam estes em randômicos indivíduos, tornando consentâneo que algo trivial à ciência de um, tome configurações de uma Hidra de Lerna ante óptica de outrem. Porém, tais definições restam à importância quando colocadas em paralelo com terceiro fator: ambas seções traumáticas, por majoritária parte, encontram-se encadeadas. Por instâncias, físicos traumas não são isentos de cargar culpabilidade por atuar a modo de gatilho no que refere à origem de traumas psicológicos. Em não tão vultosas proporções, dita situação pode dar-se, também, em opoente maneira. A sequela psicológica, de complexa reversão, então, assume papel de nêmesis, levando sujeito cargante de tal à destrutivos atos direcionados à própria integridade. Recorrente é tal caso entre aqueles cujos olhos presenciaram a guerra em imediata frente. Naquele então, Cesare não compreendia o complexo conceito de trauma. Contanto, era já passível de avistá-lo. O homem já não apresentava uma catenária a moldar os lábios com constância e aquele outrora atrelado às charlas, agora permanecia calado. O carinho vira-se cambiado pela gelidez no tratar, e a placidez por um incessante estado de alerta. O menino ansiava pela atenção do pai, pelo afeto ao qual estava acostumado, razão pela qual apresentava insistência pela companhia de outrem. Em uma destas, motivado pela raiva, terminara agredindo o filho, o que resultou em uma fratura do braço esquerdo do pequeno. A guerra havia acabado, de fato. Mas a essência desta jamais haveria de abandonar o couro daquele que a lutara, a violência agora intrínseca iniciando a ruptura do núcleo familiar.
Ao menos, com o fim da guerra, o cansaço já não ocultável de uma sociedade viera à tona. E então, o sequente fim do processo de reorganização nacional. Mas não por isto, o fim da indignação. Da dor. Da revolta. Por dentre tantos infortúnios de velada aquela, mor revés eternamente há de ser a subtração. Como legião, afinal, restar vital fracção da coletiva médula e compleição há de avariar terminantemente o que antes era funcional. Não fora distinto, portanto, com entidade que eram os Rosas em pretérito que Cesare ansiava por olvidar. Como todos componentes de um organismo, os irmãos, haveriam de ser não apartáveis. Até instância em que a morada fora um sol em meio à noite. Luminoso e ardente, cimentos abraçados por flamas pouco maviosas, que tudo destruíam a seu passo. A reinstauração de um governo justo não aplacara os humores das famílias destruídas durante o regime. E, ainda que limitado a assinatura de papéis e a cegueira optada, Martín era um militar. E a retaliação chegara. No incêndio o perecer imediato coubera a Santiago, o filho do meio. Emelia sacrificara os próprios pulmões por mor do lograr da salvaguarda de Edgardo e Cesare, encontrando passamento horas depois. Padre e dois filhos, portanto, restaram. E um cinco converteu-se ao três. Três, que tiveram de buscar novo lar. Três que, prontamente, converteu-se ao dois. Na primeira oportunidade, Martín plantou em próprio cenho uma bala, desertando própria existência e, consequentemente, ambos filhos. Cesare, com seus seis anos, não compreendia. Por sorte, não estava só. Edgardo, o irmão mais velho, assumira os cuidados do pequeno. Dito marco fora determinante para o desertar da capital por parte dos restantes da estirpe de Rosas que, com aquilo que lhes pertencia por direito, zarparam à Bahia Blanca, intuindo edificar própria vida ábditos aos ágrios olhares de uma história trágica.Transição não dera-se tão dificultosa quanto era expectado. Contanto, simplória tampouco era vocábulo passível de descrever situação exata. Pela posse de vivos recursos, bem instalados foram. Dificuldade maior jazia, afinal, na criação de Cesare: dócil e relativamente esperto, porém, propenso a lastimar-se. O garoto nascera com fracção pouco afortunada da genética, possuindo uma péssima visão -ao borde da subnormalidade-, e recusava-se a usar os óculos, o que facilitava os acidentes. A ausência de madre, afinal, constituíra complicação. Nada insuperável, porém. “Gardo”, como se referia ao irmão mais velho, assumira o papel de pai do garoto, que já passara a compreender história de infortúnios a acometer família- e com o auxílio de um profissional encontrara solução: um cachorro, por modo de animal de companhia, para agir tanto como guia quanto amigo do garoto. Por seguintes anos, em usança convertera-se a imagem: a álacre criatura a calcorrear por rincões da cidade, acompanhado por um Dogo Argentino, que fazia vez de olhos ao obstinado.
Ao crescer, Cesare desvelara-se como recluso cujo maior interesse eram os estudos. Nítida a predileção por soledade, majoritário tempo expendido ao foco em livros alheio aos sucessos de circunvizinhança. Aquilo que haveria de acolitar intelecção, ao fim das contas, fazia-se à suficiência. Não eram inauditas, portanto, instâncias nas quais atrelava-se à horas de análises teóricas voluntárias, superando até mesmo aquilo requisitado pelo docente particular encargado da educação domiciliar do garoto. Como consequência, ao atingir os dezoito anos, não encontrara óbices ciclópicas ao buscar acesso ao ensino superior. Ingressara com extrema facilidade no curso local de Psicologia, sem necessitar de cadeiras prévias em cursos estabilizantes. Comunal deram-se os primeiros quatro anos do curso, a paixão pelo que haveria de exercer no futuro sendo único enfoque. No quinto ano, contanto, sucedera titânica alteração. Motivado pelo pretérito recoberto de sangue da própria família, passara a engajar-se em causas atreladas à justiça e ao auxílio dos desamparados. Retornando a Buenos Aires, negara-se a adotar a banal existência de qualquer indivíduo: uma licenciatura qualquer, um vezo em soledade, imerso em longanimidade quanto às pacatas circunspeções. Ao fim das contas, por vinte e três anos expendera tempo, limitando-se ao silêncio quanto ao próprio pretérito, tragando própria cólera e desengano que costumavam apontar. Tão gris própria vivência, sem jamais renegar aborrecimento que cernia-se, incessante, sobre si, a longa sombra à outorgar forma à maus presságios. Abstrações que cargavam-no à deriva compostas eram de diversos cenários que cessavam em um único espetáculo: o abandono de mundana mediocridade na qual estava inserido com o sequente pagamento por toda a dor que, indiretamente, auxiliou no dispersar. Em 2003, finalmente encontrara oportunidade para a redenção, conseguindo uma vaga como um dos psicólogos do Centro de Atenção Psicológica Pelo Direito à Identidade, onde trabalhou por vários anos.
Tudo corria bem para Cesare, contanto, algo ainda parecia vago. A soledade, pois, o atormentava. Não necessitava do amor romântico, não necessitava de um parceiro com quem partilhar a vida. Ansiava, contudo, por uma família. Família aquela que, por vias convencionais, jamais haveria de auferir. Motivado por este anseio, no ano de 2007, iniciou o processo e consequente adoção de Juliana Arrassen, uma ‘criança problemática’. Tempo e recursos foram expendidos em objetivo tal, contando, o argentino jamais arrependeu-se. Jules não era neonata e tampouco partilhava seu sangue, contudo, não por isso deixaria de ser a amada filha do psicólogo, que transpassou limites para ofertar segurança e comodidade à garota, modo a demonstrar que a preocupação e o carinho por ela nutridos nada eram que não genuínos. E ante a certeza da veracidade das boas tenções do prateado, a relutância fora embora. Por fim, tudo corria à perfeição. Pai e filha, um tanto quanto peculiares, a viver a sonhada vida. Contudo, se a história possui tempos escuros, por que os homens que a constroem não haveriam de tê-los, por igual? Em uma fatídica tarde, Juliana não chegara em casa para o jantar. Para o dia seguinte, tampouco. Por quatro anos, Juliana não chegara, deixando o de Rosas desolado. Vitimado por incalculável pesar, Cesare cambiara como indivíduo. Subitamente taciturno e ainda mais atrelado à reclusão, limitava-se do trabalho para a casa e da casa ao trabalho, não encontrando a gana para outra coisa que não o objetivo de auxiliar aos demais e as lágrimas derramadas em soledade. O intermitente alcoolismo a partir de ponto tal adquirira mais forte presença, única maneira de apaziguar dolores profundos a fender-lhe alma. Vivia a contragosto, cargado por próprio dolor aos mais sombrios rincões do próprio mundo. Haveria o homem de ter admitido, ao menos uma vez, que padecia um problema. Tantos demônios a povoar-lhe psique, as remembranças recobertas pelo breu de temores passados. Haveria de ter abaixado hábitos, lacrimejado contra alheio ombro e acatado intervenção. Haveria de ter cedido à terapêutica, calado, e recuperado sanidade física e mental. Contanto, não fizera-o. O permanente estado de negação, ciclópica a insolência na recusa a buscar auxílio. A fatídica falha, causante de inescusável falha em tormentosa noite. Errôneo, o maldito, havia logrado o fundo de uma botelha de destilado. E com a ‘líquida coragem’, tratara de cessar própria existência.
Posterior ao incidente, gastara dias em lapsos. Não havia em mente vigilância, contanto, tampouco havia tal adormecido. Despertara por completo em semana seguinte, curtas anamneses dando-lhe semiplena ideia de prévios sucessos. Atado à um leito hospitalar, sentindo-se desamparado em eremítico estado do gélido e vago aposento, sequer encontrara eficácia em emitir brado, modo a fazer própria consciência à alheia percepção. Quando alguém precatou-se da lucidez já instaurada no argentino, procedeu a outorgar-lhe relato detalhado no referente às relevantes peças de informação para vir a conhecer próprio estado. Era-lhe tormento conhecer cada pormenor de causalidade funesta, sucumbindo aos demônios de própria cabeça, não vendo-se passível de refrear desequilíbrio. Acompanhamento psiquiátrico fora primeira medida, apresentando esta parcial êxito, visto que, ainda que apaziguasse episódios, não era apta a cessar os frequentes brutais surtos, durante os quais Cesare apresentava-se como grande risco à própria vida, chegando a rascunhar amuradas ao ponto de extrair próprios gatázios. Conseguinte providência fora isolamento, ainda que em próprio lar. Tardança cernira-se sobre recuperação do homem que, afogado em pesar provocado por próprio desmazelo, já não cria-se digno de perdurar. Aos poucos, contanto, de alguma maneira, lograra superar dolor, terminando por ver-se re-integrado à rotina. O trabalho, puramente motivado pela gana de auxiliar e de outorgar um fechamento a quem o necessitava, constituíra significante fator no referente ao parcial retorno de Cesare como funcional criatura. Quando, por fim, largava descarrilamento que parecia haver-se convertido, algo mais sucedera: em randômica velada, a porta abrira. E lá estava aquela que por tanto tempo havia esperado: sem explanações, sem aviso prévio, Juliana retornara. E necessitava amparo como jamais. Assim, com azáfama, Cesare encargou-se de providenciar tudo o que necessitavam para abandonar a Argentina. Para auferir um novo começo. Buenos Aires, então, fora cambiada pela pequena cidade universitária de Olympia, onde o homem conseguira uma vaga como psicólogo de uma instituição de ensino. O patagônio sequer hesitara em desertar a vida estável que possuía por mor do bem estar da filha que retornara ao lar. Afinal, está há de ser dentre as motivações deste, a maior. Quando tenciona a desistência, o de Rosas necessita remembrar apenas três vocábulos: ‘Faça, por ela’.
❝ Características ❞
+ Espirituoso, álacre, sagaz, solícito e paciente.
- Casmurro, ciumento, indulgente, desatento e cético.
❝Poderes ❞
Empatia: Empatia define-se como a capacidade psicológica de colocar-se na posição de outrem, a habilidade de compreender e interpretar emoções alheias quando enfrentados a certas situações. A compreensão da natureza alheia, a valência à introdução sobre a pele de outrem sempre foi algo simples ao patagônio. Nato. Esta predisposição natural à afinidade somada à gana por auxiliar os demais foi, dentre inúmeros fatores, um dos principais responsáveis pela escolha da profissão do argentino.