miriamagalhaes.arte 🌱
Enquanto me artificio, me vem finalmente o respiro. O peso me transborda as mãos e descansa nos traços, os descompasses se compassam, os destroços se traçam. É onde me dispo dos cansados contínuos, do peso de não me ser.
-M.
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Enquanto me artificio, me vem finalmente o respiro. O peso me transborda as mãos e descansa nos traços, os descompasses se compassam, os destroços se traçam. É onde me dispo dos cansados contínuos, do peso de não me ser.
-M.
Já faz quanto tempo que olhei no espelho? não me reconheci no reflexo esta manhã, o reflexo me imitava em cada movimento, parecia tão vazia e apática do outro lado. Nem sempre foi assim, juro que brilhava, meu olhar um dia já brilhou, era intenso. O que devo fazer? Me encarar até mudar? Eu sinto medo, é estranho olhar e não te ver, Creio que tenha que me encontrar novamente, não sei que caminho escolher, parece difícil, mas parece ser tão emocionante e desafiador.
-m
Estive em inercia, minhas juntas doem, cada movimento pesa, e cada dor, liberta.
-m
Extenua
É Sobre a vontade de não existir e outras calamidades, pensei ter apagado essa linha etérea vivida, mórbida acreditei que pulsões passageiras, teriam seu findar por acreditar, deixei como estava, logo me deixaria. Mas não contam que pensamentos ruins, retornam e são extremamente voláteis em suas mudanças. Variante a depressão me acompanha, cansaço, nós deveríamos ter nós tornado aliadas de vida. Mas ela se vira contra qualquer vestígio de vida, é uma visita que leva tudo, como se fosse seu. O escuro parece confortável, luz ás vezes fere, a vela tende a querer apagar a chama, dissipar proteger o fogo do apagamento, queima a pele. Anos, anos e mais anos, se constrói o século. Ela não vai embora, persiste sendo eterna, a luz agora cega, o pavio solta a fumaça Um dia esteve acesa, o fogo não dança a eternidade cobrou seu preço, esgotou. Não mais desagua, os risos se mantém, foi possa, lagoa e hoje se faz oceanos e sou eu que me afogo nesses mares. Velas não se acendem molhadas, a agua leva tudo, vira enchente se aprende a não transbordar, aqui já nem dá mais pé. Queria poder ver o céu, enxergar as estrelas. Queria poder ver, a cegueira arde
-M.
Meus olhos já não pesam, vejo tudo de forma alada, cada ser possui leveza. Ontem vi um pássaro azul e suas assas pareciam tristes, o vi se afastar em um voo brando, senti canto ecoar em meu interior, me pareceu acalento de adeus, amanhã assistirei o nascer do sol, ultimamente cada raio de sol acalenta.
-m
Petricor, é como se denomina a garoa amena que caí por seus olhos e se dessipa na terra seca, após grandes períodos de estiagem. Chuva.
Um suspiro
Eu tenho esses momentos de tristeza absoluta, sabe? Chega do nada, sem um aviso prévio, sem pedir licença É só uma tristeza infinita passageira, logo passa... Mas certas vezes parece uma eternidade, é como se a dor fosse me rasgar o peito e florescer. Poético. Porém doido, sofrido. Da-se o nome de depressão Sempre ali, por vezes insossa, escondida, mas sempre ali.
Ao entardecer ao se por, o sol tira a lua para dançar.