Eu sempre soube que escrevo melhor quando sofro. Meus melhores textos vieram dos meus piores momentos.
Honestamente? Eu gosto. Faz eu me sentir uma verdadeira poeta.
Falar sobre dores e prazeres em meio a eufemismos é o jeito gostoso que encontrei pra mimar a mim mesma.
Escrever sobre as dores do amor não correspondido e do abandono. Sobre as bebedeiras e os cigarros apagados. Sobre o vento, os cheiros e os sabores.
Sobre as lágrimas e sobre os gozos.
Massageia meu ego pensar - uau, essas palavras lindas saíram de mim. Como uma mãe que olha orgulhosa pra o seu saudável bebê assim que lhe pega no colo pela primeira vez.
"Olhem, que lindo. Eu que fiz."
Contudo, isso pra mim é como um espelho que apenas me reflete nua. Despida, sou obrigada a encarar todas as minhas curvas, minhas saliências, minhas marcas e cicatrizes. O que acho e o que não acho bonito. Ou, o que os outros acham ou não bonito, mas é meu. Sou eu. Única e completamente eu.
E assim, ao olhar meu reflexo eu me analiso em detalhes. Cada centímetro de mim.
A parte boa é que esse espelho se congela no passado, enquanto a eu do futuro pode ter o prazer de se avaliar.
É excitante e curador.
Me colocar pra fora e me engolir de novo, mas em pedaços.
Escrever até me perder em mim. Nos meus devaneios, nos meus dedos, na minha sonolência, na minha solitude.
Na solidão.
Eu realmente escrevo melhor sofrendo.
- Variei












