Nenhuma ação é nula. Toda ação sucede uma outra anterior e precede uma seguinte. Causa/efeito. Da causalidade se pressupõe o tempo, portanto, movimento. O movimento é a separação, o princípio do dualismo: ponto A, partida. Ponto B, chegada. Vice-versa. Eu e o outro. O sujeito no mundo o altera e é alterado por ele. Esse movimento esculpe a realidade e a colore de emoções. As emoções são o elo entre o atmosférico e o chão; entre a mente que pensa e os pés que caminham; as mãos que criam ou destroem. Nenhuma ação é nula. Porém, aquele que observa é intocável e vazio, o zero absoluto. Ele não está no dualismo, mas na conciliação. Todo bastão tem dois lados e um centro de equilíbrio. Toda coluna tem sua base e seu ápice e um núcleo cardíaco. O paradoxo do início e do processo evolutivo. O palco que permite toda atuação também é construído em movimento, meu corpo e mente. E antes mesmo de conhecer a natureza que me respira, eu já respirava. Na inconsciência de cada ação alguém segurava minha mão. Antes de meus joelhos serem fortes alguém já me chamava pelo nome.