Automutilaçãometal
"Eu não tenho coragem de me cortar. Não porque não quero me machucar, ou porque tenho medo da dor, mas porque não quero que os outros vejam. Eu fico apavorada que os outros saibam o que acontece dentro da minha cabeça. Nas profundezas. Lá por trás de todo meu otimismo, minha suposta auto-confiança, o sarcasmo. O que fica num canto obscuro, escondido, que eu tento ignorar e não deixar que ganhe mais espaço. Aquele pontinho que me leva para as trevas. Imaginando. Inventando possibilidades. Como seria se meu pai morresse? Eu imagino a causa. A data, a hora do dia, quem estaria junto. A reação da minha mãe. Dos meus irmãos. A minha. Como seria lidar com a culpa? Eu vejo o meu luto. Lágrimas e lágrimas escorrem. Consigo ver tudo nitidamente. A pá cavando a cova. As pessoas contando histórias ao redor do caixão. Meu psicológico sucumbindo ao saber que nunca terei a chance de conseguir ter uma relação saudável com o meu pai. Somente a mágoa, o rancor e a culpa. Ou então, como seria se meu namorado me abandonasse? Encontrasse outra? Ou então morresse? Eu imagino tantas coisas nos mais mínimos e torturantes detalhes que parece que estou sendo cortada a cada segundo que continuo a imaginar. E de um jeito sádico e doentio eu gosto. E continuo pensando assim por vários e vários minutos. Choro. Sofro. Sinto uma dor física como se tudo fosse real. Aí eu me odeio. Quem gosta de pensar assim? Quem curte ficar criando o próprio sofrimento? Somente uma pessoa horrível. Mas esse é o meu jeito. De me machucar. Sem que os outros saibam. Sem precisar dar satisfações. Porque essa sou eu. Doentia. Louca. Criativa. Sem explicações. " Autora Desconhecida.













