d o r a d o
Ok, os cafés, até as pessoas e as cidades começam a ser o mesmo em todo o lado. Mas serão mesmo o mesmo? Ou será que teremos todos a mesma experiência? Claro que não. Tudo depende de nós. Como pensamos, como olhamos, como estamos. E até pode parecer que está tudo igual à nossa volta mas na verdade não está nada, está tudo a ser moldado à nossa maneira.
( dentro e fora de nós )
Não tenho medo da gentrificação, da globalização, nem do bicho papão. Já não. Não tenho medo de nada, na verdade mas observo o medo, sei que ele me quer dizer alguma coisa, que me está a avisar que algo não está alinhado comigo. Dantes achava que estava mal, que tinha algo de mal, que o que estava mal era eu mas agora sei que é mesmo assim, que o medo está aqui para nos dizer qualquer coisa. Tal como as respostas do corpo, aquelas respostas que nem sabemos o que nos querem dizer.
( calções de licra pretos, t-shirt branca, lenço na cabeça )
Desconforto. Agitação. Confusão. Tentar racionalizar essas coisas (bem) primárias não dá é em nada. Temos que esperar para processar. Criar. Uma pessoa tem que sentar com isso, aprender a estar com isso, a lidar com isso. Pode estender o braço, pedir ajuda, bater bolas mas na verdade a verdade só virá ao seu tempo, não antes nem depois.
( e que saudades da escrita livre. ai liberdade )
E depois, claro, tudo se resume à rede de segurança, àquela que nos dá estabilidade. Se nada de jeito o circo nos ensinou, ao menos isto ficou. Que podemos sempre saltar, sempre tentar, sempre arriscar. Se tivermos onde, e a quem voltar.
( aos teus braços quase que era pecado )

















