O difícil não é carregar as malas, nem verificar pela oitava vez se tudo o que é necessário está sendo devidamente empacotado.
Enquanto penso no que levar, poucas horas antes de partir, deixo minha consciência me levar para uma viagem de nostalgia.
Agora mesmo até aquela rachadura na parede me parece simpática, ela me conta historias. O lugar onde um móvel deixou sua marca no azulejo desbotado. Anos passados sem quase nenhum pensamento em abandonar esse lugar, essas teias de aranha tão simáticas nos cantos, essa poeira varrida para debaixo do guarda roupas...Ah vou sentir falta até disso.
Felizmente tenho coisas de mais a fazer antes da mudança. Meus pais me dizem que é só um tempo para eu ter uma escolha, conhecer um lugar novo, ver pessoas. Dentro de mim uma batalha começa, e não tenho razão para perder.
Assim, de supetão, achei que tinha mais um mês e já é amanha, vou sair da casa dos meus pais finalmente. Aos 27 anos de idade, morar com minha tia, há 8 horas de viagem de casa, quero dizer, da casa dos meus pais. Um emprego novo me espera lá. (será que darei conta?) ( será que minha depressão está mesmo controlada, e meus episódios de ansiedade?) Agora serei só eu a cuidar de mim mesma.
Vou na fé por falta de melhor expressão, saltando no escuro, ou melhor vendo até quando vai e se der merda pensar onde ir de novo.
Renovando sentimetos, construindo outros, bem a hora chegou. (Partindo a játo, beijos pra quem fica).