Segunda temporada, capítulo 6.
Quando eu vi, estava beijando o Pietro lá no meu quarto mesmo, nosso beijo não foi igual os outros, esse tinha saudade, tinha desejo. Quando vi ele estava me deitando na cama, e beijando meu corpo todo, quando caí em mim, me lembrei do que ele tinha feito, e derrubei ele da minha cama. Me sentei no chão, e comecei a pensar no que eu tinha que fazer, aquilo não podia continuar assim. Eu gosto dele demais, eu quero ele comigo todo o tempo, não podíamos nos perder no meio do caminho. Decidi falar.
- Vamos conversar. E resolver isso de uma vez. Quero que saiba que eu reconheço tudo o que você faz pra mim e por mim, fico tão feliz que nem sei como agradecer, eu não sei como falar de você. Todo quieto e malandro, com uma capacidade de conquistar a garota que for só com um sorriso e um elogio, e eu sou tão oposta de você, que nem sei como falar de mim, eu tento me fazer de forte, Pietro. Eu juro que tento, eu nunca quis que as pessoas percebessem o que eu sou de verdade. Com você eu fui diferente. Com você eu sou diferente. Eu gostaria de mudar isso, eu gostaria de poder controlar o que eu sinto. Eu gostaria de não deixar você tomar o controle de mim, e eu gostaria de te esquecer, por que você só da brexa, você só me fode! Parei pra respirar e começaram a cair umas lágrimas do meu rosto.
Respirei, sentei no balcão perto da janela, e eu ia continuar falando, mas dessa vez eu ia mais longe, por que ele não estava tendo reação alguma sobre essa nossa conversa, ele estava cabisbaixo, parecia que queria dormir, eu tava disposta a xingá-lo, quando ele me interrompeu e disse:
- Duda, quando eu te conheci, eu era um cara totalmente diferente dessa merda que eu me tornei. Eu hoje me considero uma merda, um cara apaixonado por uma patricinha sem noção, que não sabe o quanto mexe comigo, não sabe do que eu seria capaz por ela. Eu NUNCA li nenhum livro, Eduarda. E eu leria uma bíblia se você me pedisse, eu iria até o Rio de Janeiro a pé se fosse pra te encontrar, e eu mataria todas as pessoas que estivessem a minha volta só pra poder te abraçar, pra poder sentir seu cheiro, beijar a sua boca e saber que você é minha de novo, eu sei que eu só dou brexa contigo, sei que não sou o melhor, mas por você eu mudo, eu juro que eu tento ser melhor. Eu amo você pra caralho, Eduarda. Eu nunca gostei de nenhuma menina assim.
Eu estava sentada olhando pra janela, do mesmo jeito que eu estava antes, ele achou que eu não ia ter reação alguma sobre isso tudo que ele havia dito, se levantou da cama e saiu em direção a porta, parecia desapontado, magoado. Me levantei correndo, peguei as suas mãos e segurei. Olhei bem no fundo dos olhos do meu maloqueirinho, do Pietro que eu tinha criado, do meu menino, e sorri.
- Eu te amo pra caralho, não me deixa nunca, nunca mais.
Ele me pegou no colo e me beijou, dessa vez com calma, eu sabia que o Pietro era meu. E mesmo com o que eu tava escondendo dele, eu sabia, ou pelo menos tentava acreditar, que ele ia me perdoar.