o dia que eu abandonei a dor
algum dia, essa dor vai correr logo atrás de mim. vai torturar minha sombra, esquecer do corpo e me deixar ser a luz. é nesse dia que eu paro de ser poeta, que paro de ver cores em quartos escuros e de procurar o amor em beijos vazios. é o dia que navego pelas nuancias de uma conversa sem querer me afogar em nenhuma delas. esse dia vai ser quente, calmo, mais vazio do que vibrante; esse dia vai parar de contar quantos anos tem uma madrugada e finalmente prestar atenção no sol batento na janela. vai deixar o passado descansar, e nunca olhar pra trás. e eu, em vez de poeta, virarei poesia.











